26.05.2026 | 12h47
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A busca pelo corpo perfeito e pela alta performance tem levado cada vez mais pessoas — atletas profissionais, fisiculturistas e frequentadores de academia — ao uso de esteroides anabolizantes e até de insulina com finalidade estética. O problema é que, por trás dos ganhos rápidos de massa muscular e definição física, existe um risco real e potencialmente fatal para o organismo.
Um dos alertas mais importantes sobre esse tema foi publicado no European Heart Journal. O estudo analisou 20.286 fisiculturistas que participaram de competições entre 2005 e 2020 e identificou uma taxa preocupante de mortalidade precoce nessa população. Durante o acompanhamento, foram registradas 121 mortes, sendo 46 por morte súbita cardíaca. Entre os atletas profissionais, o risco de morte cardíaca súbita foi mais de cinco vezes maior do que entre amadores. Os achados se somam a um volume crescente de evidências que relacionam o uso prolongado de esteroides anabolizantes a complicações cardiovasculares graves e morte precoce.
Por trás do ganho muscular acelerado, podem existir alterações hormonais e metabólicas potencialmente graves. O uso de anabolizantes está associado a hipertensão arterial, arritmias, hipertrofia cardíaca patológica, infarto, insuficiência cardíaca e alterações importantes nas artérias coronárias. Também existem evidências de relação com lesões hepáticas, infertilidade, disfunção sexual, alterações hormonais, transtornos psiquiátricos, dependência e maior risco de acidente vascular cerebral. Em mulheres, podem ocorrer alterações irreversíveis, como engrossamento da voz e irregularidade menstrual.
Outra prática crescente e extremamente perigosa é o uso de insulina por pessoas sem diabetes para ganho de massa muscular. A insulina é um hormônio fundamental para o controle da glicose e seu uso inadequado pode levar a episódios graves de hipoglicemia — uma queda intensa do açúcar no sangue capaz de causar confusão mental, convulsões, coma e morte.
Existe uma percepção equivocada de que manipulações hormonais voltadas à estética seriam inofensivas. Não são. A exposição hormonal em doses suprafisiológicas pode provocar alterações cardiovasculares e metabólicas potencialmente graves, muitas vezes silenciosas.
Em muitos casos, o corpo aparentemente forte esconde um organismo profundamente comprometido. Diante da crescente banalização dessas substâncias nas redes sociais e no ambiente das academias, é fundamental reforçar a importância da orientação médica especializada. O endocrinologista é o profissional capacitado para avaliar os impactos hormonais e metabólicos relacionados ao uso dessas substâncias, além de orientar estratégias seguras e baseadas em evidências para saúde e composição corporal.
Lívia Catalá é médica endocrinologista — CRM 7034 | RQE 3995. Atende na Clínica Ferraz, presencialmente e on-line.
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