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20.10.2019 | 11h31

Nobel da paz bem escolhido

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Fausto Matto Grosso

Divulgação

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O primeiro-ministro da Etiópia Abiy Ahmed Ali agraciado com o Nobel da Pazvencendo a disputa com 301 candidatos sendo 223 personalidades e 78 organizações.            

 

A lista completa dos candidatos é reservada, por 50 anos, mas entre as personalidades indicadas estavam a jovem ativista ambiental Greta Thunberg e dois brasileiros, o Cacique Raoni e o ex-presidente Lula.             

 

Desde 1901, o Nobel da Paztem sido atribuído, segundo o critério deixado no testamento do seu idealizador, às pessoas que "fizeram o melhor ou o melhor trabalho pela fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes e pela realização e promoção de congressos de paz”.             

 

Atualmente se entende como Paz, não apenas a ausência da guerra, mas a existência de sociedades pacíficas e inclusivas (ODS-ONU). Desta forma, o prêmio tem sido atribuído também para ativistas, personalidades e instituições que se empenham pelos direitos humanos, contra a pobreza, pela defesa do meio ambiente, entre outros. Devido à sua natureza política, o Prêmio Nobel da Paz, tem sido sempre objeto de inúmeras controvérsias.             

 

A Etiópia, país do último premiado compõecom a Eritreia, o Djibuti e a Somáliaa região chamada de Chifre da África, que margeia o Mar Vermelho pelo lado oeste. É, portanto, uma região estratégica por conta das rotas do petróleo e, por muitos anos, foi disputada por americanos e soviéticos, sendo palco de inúmeros conflitos armados locais.            

 

A Etiópia de Abiy Ahmed é um dos sítios mais antigos da existência humana, sendo considerando, por cientistas, o lugar em que o Homo Sapiens se originou. Foi reino da Rainha de Sabá que,segundo passagens bíblicas, foi seduzida e engravidada pelo rei Salomão,iniciando assim a linhagem dos seus imperadores até HaileSelassie  que reinou até 1974.            

 

Tem uma tradição de independência. Quando o continente africano foi dividido entre as potências europeias na Conferência de Berlim (1885), a Etiópia foi um dos três países africanos que mantiveram sua independência. A nação foi membro da Liga das Nações após a Primeira Guerra, e após um breve período de ocupação italiana, tornou-se membro das Nações Unidas, após a Segunda Guerra.            

 

Conhecida no Ocidente como Abissínia, com a separação da província da Eritréia, a Etiópia virou um país interior, sem saída para o mar, uma das razões da guerra entre os dois países.            

 

É nesse contexto que surge o líder Abiy Ahmed Ali. Engenheiro de computação por formação,ingressou ainda jovem no grupo armado que forçou a queda do ditador Mengistu, que havia derrubado o ImperadorHaileSelassie em 1974. Posteriormente, entrou no Exército, onde realizou tarefas de comunicação e inteligência cibernética.            

 

Abiy Ahmed Ali, em abril de 2018 foi eleito primeiro-ministro da Etiópia, tendo se dedicado, desde então, à efetivação de um acordo de paz com a Eritreia, encerrando uma guerra de duas décadas. Notabilizou-se, também pela mediação no processo de transição no Sudão, que levou este ano a um acordo entre civis e militares.            

 

Considerado um líder carismático e reformista, iniciou uma verdadeira revolução democrática em seu país. Concedeu anistia a dissidentes políticos, libertou jornalistas encarcerados, nomeou mulheres para 50% dos cargos de seu gabinete e encabeçou a campanha para o plantio de 350 milhões de árvores na Etiópia. Apoiou para a presidência do país Sahle-Work Zewde, a única mulher chefa de Estado na África.              

 

A premiação de líder etíopeé um forte incentivo para a pacificação dessa região da África.             

 

A jovem ativista ambiental Greta Thunberg, com seus 16 anos, tem tempo para esperar.O Cacique Raoni, prestes a completar 90 anos, já teve a sua nova candidatura lançada para 2020, pelaFundação Darcy Ribeiro.                

 

Quanto ao ex-presidente Lula, com inegáveis méritos relativos à inclusão social durante seu governo, não conseguiu repetir Mandela, prisioneiro político que emocionou o mundo. 

 

Fausto Matto Grosso é engenheiro civil e professor aposentado da UFMS.

 

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