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17.05.2019 | 08h43

O dilema das universidades

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Elias Januário

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Diante dos cortes ou contingenciamentos que foram anunciados pelo governo federal para as universidades e das manifestações de professores, estudantes e simpatizantes em defesa de uma educação de qualidade, considero importante conhecermos um pouco da história da implantação das universidades em nosso país, para assim entendermos o tamanho da problemática que envolve essa área da educação no Brasil.

 

Conforme nos explica Lauro Morhy, quando os colonizadores europeus chegaram nas terras brasileiras já existia cerca de 60 universidades em todo o mundo. No início do século XIX eram aproximadamente 140 universidades. Na América Latina as primeiras universidades criadas foram as de Santo Domingo (1538), Lima (1551) e México (1551), todas comandadas por ordens religiosas como os jesuítas e os dominicanos. Estas instituições de Ensino Superior dedicavam-se amplamente ao estudo da Teologia e do Direito Canônico, tinham um importante trabalho missionário.

 

Durante o período colonial da América Latina, foram criadas cerca de 20 universidades com essa perspectiva, mas nenhuma delas no Brasil. Na América do Norte, as primeiras universidades foram as de Harvard (1636), Williamsburg (1693) e Yale (1701), que tinham o propósito de formarem pastores e administradores, sendo que por volta de 1970 já existiam nove universidades nessa região.

 

A universidade demorou consideravelmente para ser criada no Brasil. Em 1592 os padres jesuítas fundaram a primeira universidade brasileira, a Universidade do Brasil, só que esta instituição nunca foi aprovada ou reconhecida e encerrou suas atividades. Apenas em 1920 é que foi criada a Universidade Federal do Rio de Janeiro, quando outros países como os Estados Unidos e demais países da Europa, já apresentava uma elevada taxa de escolarização no ensino superior.

 

Em 1934 foi criada a Universidade de São Paulo, implementada com a participação de inúmeros e renomados cientistas vindos de diversos países da Europa. Por volta de 1950 outras universidades públicas e privadas foram sendo abertas, chegando nesta época a cerca de dez universidades em funcionamento no Brasil que, em sua maioria, atuavam mais como escolas profissionalizantes. O processo político de 1964 proporcionou significativas mudanças nas universidades brasileiras, com a vinda do projeto desenvolvimentista que traçou novos rumos para a educação superior no país. A reforma universitária de 1968 e os recursos advindos da Capes, CNPq e Finep, possibilitaram a profissionalização das universidades brasileiras, fortalecendo a vida científica.

 

Surge o regime de tempo integral e de dedicação exclusiva permitindo que assumissem a função de instituição de pesquisa. Ampliaram-se os investimentos em pós-graduação e na instalação de laboratórios e bibliotecas modernas. No entanto, as universidades não conseguiram se libertar das duras amarras da burocracia do Estado, que até hoje se coloca com um dos grandes problemas para o progresso das universidades brasileiras.

 

Nos anos de 1980/90 as universidades públicas passam por um processo de retração da expansão, tendo aumentado apenas as universidades particulares. Surge desse contexto uma questão latente que é a governabilidade das universidades, sem dúvida um problema difícil.

 

A dificuldade em lidar com um modelo de governo burocrático na qual as universidades brasileiras foram consolidadas, sem espaço para exercer a sua autonomia e democracia, a universidade no Brasil acaba sendo reduzida ao mesmo nível de tratamento de uma repartição pública, impossibilitando de exercer a sua universalidade, aquilo que a torna uma universidade.

 

A universidade necessita ter uma ação relevante no ensino, na pesquisa e na extensão, prestando serviços à comunidade. Como fazer isso se os recursos para gerir são insuficientes, as estruturas físicas estão em muitos casos sem as mínimas condições para funcionamento, o aporte de verbas destinadas à pesquisa e extensão são cada vez menores. Enfim, é preciso que o governo faça mais do que cortes ou contingenciamentos, é preciso que se busque um novo modelo, um novo paradigma para as universidades brasileiras.

 

Elias Januário é antropólogo, historiador e educador. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br

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