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14.03.2025 | 12h22

O moribundo Rio Cuiabá

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Rodrigo Rodrigues

Reprodução

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Após longos anos longe de Cuiabá, morando em outras cidades, a saudade apertou. Sentia falta dos grandes e queridos amigos, da comida, do calorzinho e, claro, do meu pai, que este ano completa 93 anos de vida.


Assim que cheguei, fui almoçar no Museu do Rio, no Porto. Estava acompanhado de um amigo de São Paulo, que não conhecia Cuiabá. Ele adorou a comida, mas, ao sairmos do restaurante, ficou indignado com o abandono e a falta de aproveitamento do Rio Cuiabá.


Tendo vivido por mais de dez anos na Europa, ele ficou horrorizado com o total descaso. Não há mais pesca, não há mais lazer e, pior, o rio não gera renda alguma para os municípios banhados por ele. Não sei se falei certo, mas creio que são em torno de seis ou sete municípios.


Comecei a refletir sobre como cidades como Rosário Oeste, Nobres, Jangada e Acorizal estão à deriva, distantes do desenvolvimento de outras regiões de Mato Grosso. Enquanto isso, Cuiabá e Várzea Grande seguem de costas para o rio, que gera riqueza apenas para a empresa de abastecimento de água — aliás, muita riqueza.


Riqueza essa que Wilson Santos e Chico Galindo devem estar usufruindo na dolce vita, abastecendo suas adegas com vinhos caríssimos. Sim, Wilson, que dizia que “água é vida”, não deu um pio sequer quando “venderam” a água do Cuiabá. Ou seja, o “galinho” não cantou.


Governos municipais e estaduais entram e saem, mas até agora nenhum se empenhou em dar “vida” ao rio, criando projetos que proporcionem lazer e renda para a população.


Os ricos e milionários têm o lindo Lago do Manso. A população em geral, como sempre, fica a ver canoas.


Na Europa, todas as cidades banhadas por rios tiram proveito tanto para o turismo quanto para a geração de renda. Enquanto isso, nossa síndrome de vira-lata e a demagogia eleitoreira não nos permitem pensar além da barranca enlameada pelos esgotos.


Até mesmo Cuiabá e Várzea Grande perdem muito, mas muito mesmo.


Não é chegada a hora de deixarmos a mediocridade, a demagogia e a “malandragem” de lado e começarmos a pensar grande e no futuro?


Rodrigo Rodrigues é jornalista e graduado em Gestão Pública

 

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