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14.10.2020 | 13h52

O novo normal da saúde é entender o poder das pessoas

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José Octávio Leme

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Coletividade. Talvez essa seja a principal arma para lidarmos com a pandemia. Apesar de isolados, são nas medidas que empresas e pessoas têm tomado, pensando no coletivo, que estamos encontrando caminhos para seguir em frente em uma realidade que deve nos acompanhar por mais tempo do que gostaríamos. Em poucos meses, uma pandemia mudou a rotina das pessoas e o planejamento estratégico e funcionamento de empresas de todos os portes e setores. Mudou não, vem mudando. Condutas de isolamento mais rígidas ou mais flexíveis têm impactado diretamente no número de casos e provocam, consequentemente, novas alterações na rotina.

 

E, nesse cenário, as instituições de saúde vêm sofrendo os maiores impactos. A necessidade de EPIs cresceu e o valor desses itens subiu vertiginosamente. O tratamento da COVID-19 exige maior tempo, dedicação e número de profissionais de saúde, ao mesmo tempo que eles precisam ser afastados das atividades se pertencerem a grupos de riscos ou apresentarem qualquer sintoma suspeito. A busca por atendimento cresceu para casos com quadros respiratórios, mas afastou pacientes com outras morbidades, derrubou o número de cirurgias e consultas eletivas, prejudicou tratamentos de doenças crônicas, desequilibrando a saúde da população e a saúde financeira das instituições do setor.

 

A nova realidade exigiu mudanças rápidas, numa luta pela sobrevivência em todos os setores. Nos hospitais, essa exigência foi ainda maior. As instituições de saúde tomaram uma série de medidas que envolveram desde o aprimoramento em protocolos de atendimento, até investimentos em infraestrutura e pessoal. Treinamentos mais frequentes e protocolos rigorosos de uso e manuseio de EPIs, avaliação minuciosa da saúde dos colaboradores, além da realização de testes para a COVID-19 nos primeiros sintomas são algumas medidas básicas e necessárias para oferecer maior segurança aos pacientes.

Algumas instituições foram além e investiram em obras para separar fluxos de atendimento a pacientes com sintomas respiratórios dos demais casos, praticamente criando um novo hospital dentro de outro. Equipes médicas e de assistência passaram a cumprir turnos dedicados ao atendimento da COVID-19 e a contar com áreas diferentes de vestiário, alimentação e descanso. Familiares e pacientes passaram a conviver com novas regras de visitação e a usar a tecnologia para facilitar a comunicação e manter a proximidade.

 

Hospitais com forte cultura de qualidade e segurança certamente tiveram maior facilidade para trabalhar planejamento e prática quase simultaneamente. Mas se as mudanças foram rápidas é porque houve um comprometimento conjunto, desde equipes gestoras até a linha de frente do atendimento ao paciente.

 

O cenário futuro ainda é um tanto obscuro. Medidas que inicialmente seriam temporárias devem permanecer por um longo período. O que certamente mudou foram as pessoas. Profissionais aprenderam que podem planejar e executar muito melhor e mais rápido do que imaginavam, em prol do bem comum. Pacientes e familiares aprenderam que têm papéis fundamentais na saúde, na prevenção e no dia a dia das instituições. E o cidadão deve aprender que saúde depende da coletividade.

 

José Octávio Leme é diretor do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), único hospital no Paraná certificado pela Joint Commission International (JCI).

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