04.03.2023 | 08h30
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Você sabia que é prática dos governos emprestar dinheiro a fundo perdido? Também conhecidos por recursos não reembolsáveis, subvenção, ou em outras palavras, dinheiro que não precisa ser devolvido. Afinal, por que o governo emprestaria dinheiro sem exigir juros e muito menos o valor principal de volta? Em linhas gerais, estes recursos são direcionados para ações que agregam valor financeiro e social ao país. Historicamente, estas linhas de crédito fizeram a diferença em terras devastadas pela 2ª guerra mundial e ajudaram na reconstrução de países. Obviamente que no pano de fundo destas ações estão: a busca por poder, novos negócios e o aumento de arrecadação de impostos. Contudo, o fato que instiga pesquisadores há anos é: por que ao receber “dinheiro de graça” algumas pessoas prosperam e outras não, qual será o “pulo do gato” nestas situações?
No Brasil, segundo a idrconsultoria.com.br, os editais para conquistar estas subvenções são lançados de tempos em tempos por agências de fomento como FINEP, CNPq, FAPESP, entre outras. Os projetos voltados para inovação têm maior destaque. É necessário passar por um processo de seleção e gerar uma contrapartida com entrega de resultados concretos diante do objetivo proposto. Voltando ao ambiente pós segunda guerra mundial, bilhões de dólares foram injetados em economias como incentivo à reconstrução de terras devastadas. O Plano Marshall (1948-1951), por exemplo, injetou cerca de 200 bilhões de dólares em diversos países da Europa, atualizados a valores de hoje (in2013dollars.com).
E, por que nestes ambientes de farto recursos, alguns crescem e outros não? Imagine que dois cidadãos - a fundo perdido ou não - recebem o mesmo valor para reconstruírem seus negócios. No final do ciclo de investimentos, apenas um deles prospera. É neste ponto que pesquisadores pelo mundo chegaram à mesma conclusão, o “pulo do gato” está no comportamento, na forma com que as pessoas reagem a situações e tomam suas decisões. Está no padrão de comportamento que tende a se repetir, mesmo que sejam nocivos ao crescimento profissional e pessoal.
Mudar a forma de pensar e agir pode parecer impossível algumas vezes! Contudo, a Programação Neuro Linguística (PNL) de Richard Bandler e John Grinder; os estudos de Andrew Carnegie e Napolian Hill que identificaram os princípios da prosperidade; ou mesmo David McClelland que estudou os comportamentos do empreendedor de sucesso: provam que é possível melhorar e até mudar a forma de pensar dos indivíduos. Um bom exemplo do que pode ser perigoso para qualquer crescimento financeiro é o “termostato” de ganhar e gastar, isto significa que a pessoa que ganha R$ 1 mil e gasta R$ 1,2 mil, tende a gastar R$ 1,2 milhão se passar a ganhar R$ 1 milhão.
Portanto, padrões comportamentais tendem a se repetir. Nestes casos, a solução não está necessariamente em ganhar mais e sim na forma de pensar e agir. Como diz Gustavo Cerbasi, uma das maiores referências em educação financeira do Brasil, “não é sobre o quanto você ganha, é sobre como você usa o seu dinheiro.” Portanto, toda oportunidade de receber e aplicar recursos financeiros, precisa ser regada por comportamentos que edificam. Este é o pulo do gato capaz de criar o próprio sucesso e prosperar em novos patamares.
Walter Roque Gonçalves é professor ABS/FGV, consultor de resultados
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