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24.07.2020 | 11h00

O risco do coquetel de drogas contra a Covid-19

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Júlio César Cardoso

Divulgação

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Todo o indivíduo tem a plena liberdade de escolher a forma de tratamento que melhor lhe aprouver. Se ele quiser ingerir veneno é um direito seu. Agora, quando drogas não recomendadas pela comunidade mundial de saúde são prescritas por médicos ou unidade médico-hospitalar, aí se está praticando a antimedicina e consagrando os curandeiros de plantão.

 


O médico não deveria aprovar tratamento empregando remédio sem base científica. A medicina tem que se ancorar no saber científico e o médico procurar aplicá-lo para o bem dos pacientes.

 

Prega-se que não se deve automedicar-se. A liberdade do indivíduo de poder optar por remédios de efeitos duvidosos, mesmo assinando termo de responsabilidade, é uma forma de automedicação, pois burla os parâmetros da medicina e compromete a seriedade profissional médica ao transigir com tal procedimento.

 

Sabe-se que os remédios nem sempre agem de maneira uniforme nos diferentes organismos humanos. Em algumas pessoas a metabolização das drogas pode potencializar efeitos colaterais graves, como é o caso da cloroquina capaz de causar risco cardiovascular.

 

Ora, se a própria bula dos remédios cloroquina/hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina já indica a sua finalidade específica, sem contemplar o coronavírus, e também registra os possíveis efeitos colaterais, a aplicação de tais remédios contra a Covid-19 reveste-se de grande temeridade e não deveriam ser prescritos por autoridades médicas.

 

A divulgação do tal “coquetel milagroso” tem provocado na sociedade a sensação de que a pandemia é uma gripezinha controlável que pode ser combatida sem observância das recomendações mundiais da saúde: o uso de máscaras, distanciamento e não aglomeração de indivíduos, higiene das mãos etc.

 

É inacreditável que um bando de lunáticos esteja tomando até remédio clássico recomendado para combater piolho e sarna: IVERMECTINA.

 

Não devemos cair na lábia dos curandeiros de plantão. “A ciência é o grande antídoto do veneno do entusiasmo e da superstição – Adam Smith”.

 

Se cloroquina, por exemplo, fosse a solução, o seu grande defensor e garoto-propaganda, Jair Bolsonaro, não estaria agora contaminado e recluso no Palácio do Planalto, já tendo testado positivo pela terceira vez.

 

Não se discute que em casos de extrema gravidade sejam empregadas todas as opções possíveis da medicina para tentar salvar a vida de um paciente. Não sendo assim, o experimento de drogas não aprovadas pela comunidade científica médica mundial não deveria ser permitido.

 

Enquanto não surgir a vacina preventiva contra a Covid-19 ou remédio cientificamente comprovado para estancar a doença, a alternativa mais eficiente é respeitar as recomendações mundiais da saúde.

 

Júlio César Cardoso é servidor federal aposentado.

 

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