Publicidade

Cuiabá, Domingo 25/10/2020

Colunas e artigos - A | + A

18.09.2020 | 10h59

O “Setembro Amarelo” e a saúde pública

Facebook Print google plus

Luis Gimenez

Divulgação

Divulgação

Neste mês, a campanha Setembro Amarelo visa conscientizar sobre os riscos da depressão, que é uma das principais causas de suicídio. O Brasil é o 8° país com maior número de vítimas, sobretudo entre os jovens. Em Mato Grosso, o número de suicídios aumentou 44% no período de 2015 a 2018, saindo de um total de 150 para 216, de acordo a Secretaria de Estado de Saúde (SES). 

 

Sabemos que a depressão é considerada o “mal do século”, mas ainda hoje as pessoas que desenvolvem a doença enfrentam várias barreiras para obter ajuda. Há quem diga que é frescura, fraqueza, falta de Deus, o que não é verdade, por isso a saúde pública deve se organizar para prevenir, diagnosticar, acompanhar e tratar adequadamente os pacientes. 

 

Como parlamentar, médico e membro da Comissão da Saúde da Assembleia Legislativa, tenho um compromisso com estas mudanças, por isso três projetos de lei da minha autoria têm o objetivo de melhorar a assistência à saúde mental aos mato-grossenses, dois deles foram aprovados e seguem para sanção do governo, que não pode se furtar à responsabilidade de estruturar a rede. 

 

O projeto de lei nº 685/2019 estabelece um protocolo de identificação, cadastro e acompanhamento dos pacientes na saúde pública; já o PL 940/2019 cria um protocolo de monitoramento e acompanhamento de crianças e jovens na rede de ensino; e o PL 970/2019 institui a avaliação psicológica obrigatória durante o pré-natal para detectar precocemente os fatores de risco e encaminhar a gestante a um serviço de aconselhamento e psicoterapia. 

 

Mais de 90% das pessoas que tentam suicídio têm algum transtorno mental, mas as ideias de suicídio são a ponta do iceberg para alguém que não está conseguindo lidar com os problemas. É como se em um determinado momento o “copo transbordasse” diante de um fator estressante, que pode ser a perda do emprego, o nascimento do filho ou o rompimento do relacionamento. 

 

Infelizmente, a saúde pública ainda deixa desejar, pois a saúde mental é deixada de lado em detrimento de outras doenças. Mesmo tendo bons profissionais, faltam psiquiatras na rede devido a baixos salários, estrutura deficitária e falta de medicamentos. Outro agravante é que o SUS impõe uma conduta médica que o profissional não tem no consultório particular, por exemplo, de atender uma pessoa a cada 10 ou 15 minutos, quando o necessário poderia ser 1 hora. 

 

“É necessário ouvir esse paciente, deixá-lo falar da sua dor”, dizem os especialistas em saúde mental que apontam para um adoecimento coletivo da população e perdas também para a economia. Um relatório de auditoria acerca dos controles na concessão de licenças médicas aos servidores do governo estadual mostrou, por exemplo, que 46% dos afastamentos médicos do ano de 2016 estavam relacionados a transtornos, como ansiedade e depressão. 

 

Os transtornos mentais, como ansiedade e depressão, já representam o 3º motivo de afastamento do trabalho, seguido por dor nas costas e LER/Dort. Segundo a OMS, baixos níveis de reconhecimento e falta de acesso a tratamentos geram perdas globais de até 1 trilhão de dólares por ano. No Brasil, mais de US$ 63,3 bilhões (R$ 348 bilhões), segundo levantamento da London School of Economics (LSE).  

 

Não há outro caminho para resolver o problema a não ser encará-lo, o que neste caso envolve toda a sociedade e principalmente os três níveis de governo: federal, estadual e municipal. Mas A família também precisa se repensar, porque o tratamento para a depressão é multidisciplinar, envolve uma dieta equilibrada e com “comida de verdade”, boa qualidade de sono, um trabalho que seja fonte de satisfação, bons relacionamentos, prática de exercícios físicos, o uso de medicação e uma religião ou espiritualidade. 

 

Com crianças e jovens, uma educação voltada ao “ser” e não ao “ter”, com mais brincadeiras e menos aparelhos tecnológicos pode ajudar muito! Vamos todos avaliar o papel que nos cabe no Setembro Amarelo? 

 

Luis Gimenez é deputado estadual e médico em Mato Grosso, deputadodrgimenez@al.mt.gov.br 

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Com abertura do comércio, bares, igrejas e retomada de festas, você já retomou à rotina?

Parcial

Edição digital

Domingo, 25/10/2020

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem

Publicidade

btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 61,00 2,52%

Algodão R$ 125,19 1,55%

Boi à vista R$ 242,24 0,00%

Soja Disponível R$ 161,50 0,31%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

Publicidade

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados, Gráfica Millenium e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2020 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.