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12.10.2026 | 09h49

O vale tudo na política

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Wilson Carlos Fuáh

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Quando a disputa pelo poder abandona as ideias e passa a ser travada com ataques, mentiras e golpes baixos, quem perde não é apenas o adversário. É a própria democracia.


Em política, o passado não desaparece. Ele volta à cena, principalmente durante as campanhas eleitorais. Fotografias antigas, declarações fora de contexto, vídeos manipulados, mensagens apócrifas e informações falsas ressurgem como armas destinadas a atingir a imagem de adversários.


A política brasileira entrou definitivamente na era da comunicação instantânea. Hoje, uma mentira pode atravessar milhares de quilômetros em poucos segundos e chegar a milhares de pessoas antes mesmo que alguém tenha tempo de verificar sua autenticidade.


E o estrago, muitas vezes, já está feito.


A legislação eleitoral estabelece mecanismos para enfrentar a desinformação. O Código Eleitoral prevê crimes contra a honra praticados na propaganda eleitoral, entre eles calúnia e difamação. Para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral também reforçou as regras contra conteúdos fabricados ou manipulados e proibiu o uso de deepfakes para prejudicar ou favorecer candidaturas.


Mas existe uma questão que vai além da letra da lei: até onde pode chegar a disputa pelo poder?


Em determinadas campanhas, parece que o adversário deixou de ser simplesmente alguém que pensa diferente e passou a ser tratado como inimigo a ser destruído.


É nesse momento que a política perde sua essência.


Em vez de discutir projetos, propostas, prioridades administrativas e soluções para os problemas da população, parte do debate se transforma em uma operação permanente de desconstrução de reputações.


Fala-se mais do adversário do que do país, ou do estado ou da cidade.


Ataca-se mais a pessoa do que se discutem suas propostas.


Investiga-se mais o passado do concorrente do que se apresenta um projeto para o futuro.


E, enquanto os grupos políticos se movimentam nos bastidores, o cidadão continua esperando respostas para problemas que não cabem em discursos de campanha.


A disputa pelo poder começa muito antes das urnas.

 

Alianças são construídas, interesses são acomodados, grupos se aproximam e se afastam, antigos adversários passam a caminhar juntos e antigos aliados descobrem que já não precisam uns dos outros.

 

As chamadas rasteiras políticas aparecem de todos os lados.


E, em determinados momentos, a ideologia partidária parece ser colocada em segundo plano diante da conveniência eleitoral.


O discurso muda.

Os aliados mudam.
As promessas mudam.
Mas uma coisa permanece: a luta pelo poder.


O problema não está na disputa política. Disputar eleições é parte essencial da democracia. O problema começa quando a disputa deixa de ser confronto de ideias e se transforma em uma guerra de ataques pessoais, manipulação de informações e tentativas de destruição do adversário.


A democracia não pode ser confundida com vale-tudo.


O eleitor não deveria ser tratado como massa de manobra, destinatário de boatos ou simples espectador de uma guerra de acusações.


O eleitor tem direito à informação.


Tem direito ao contraditório.


Tem direito a conhecer o passado dos candidatos.


Tem direito a cobrar coerência.


E tem, sobretudo, o direito de comparar propostas e trajetórias antes de depositar seu voto na urna.


As próprias regras eleitorais reconhecem a importância desse ambiente de informação. Para 2026, o TSE reforçou medidas de combate à desinformação e estabeleceu novas regras para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral.

 

Mas nenhuma legislação será suficiente se a sociedade aceitar compartilhar qualquer acusação sem verificar sua origem.
Há também uma responsabilidade do cidadão.


Antes de apertar o botão “compartilhar”, é preciso fazer uma pergunta simples:
Isso é verdade?


Porque uma mentira compartilhada milhares de vezes não se transforma em verdade. Apenas se transforma em uma mentira com milhares de testemunhas.

 

E é justamente nesse ambiente que prospera o vale-tudo político.


Wilson Carlos Fuáh é escritor, radialista, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômica Fale com o Autor: wilsonfua@gmail.com

 

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