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06.09.2019 | 12h03

Os canoeiros e a colonização

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Elias Januário

Divulgação

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Canoeiros é o nome popular que foi atribuído aos índios Rikbaktsa, que atualmente vivem na região noroeste do Estado de Mato Grosso, nos municípios de Juína, Juara e Brasnorte. A palavra Rikbaktsa significa gente e o nome canoeiros vem da habilidade e rapidez que possuem na fabricação e manuseio de pequenas canoas, feitas da casca de uma árvore nativa chamada por eles de cajueiro, que servia para atravessarem os rios de uma margem a outra, bem como meio de transporte de alimentos e objetos entre as aldeias, percorrendo os rios Juruena, Papagaio, Sangue e Arinos.

 

O contato desses indígenas com as frentes de colonização ocorreu a partir do ano de 1940, cuja população nesta época era estimada em mais de cinco mil pessoas. Em aproximadamente uma década de contato e conflito com as frentes de colonização, formada por seringueiros, madeireiros, garimpeiros e fazendeiros, esses povos foram quase dizimados, chegando a pouco mais de duzentos índios, em decorrência de conflitos armados e também das violentas epidemias de gripe, catapora, tuberculose, malária e sarampo.

 

Diante deste contexto de genocídio, foi que os missionários jesuítas começaram a atuar junto a esse povo, com o intuito de evitar a extinção desta etnia, bem como de seu rico acervo de práticas culturais e sociais, ainda pouco conhecido pelos sociedade não índia. Um número enorme de crianças havia ficado órfãs e nesta ocasião foram levadas para o internado de Utiariti, que se tratava de uma missão jesuítica que existiu até início do ano de 1970. Neste espaço passaram a conviver com índios de outras etnias, o que ocasionou as relações interétnicas e consequentemente a sobreposição de uma prática cultural em relação a outra.

 

Foi a partir de meados do ano de 1960, que teve início a demarcação da primeira Terra Indígena, dando início a construção de aldeias fixas, ou permanentes, e também a prática de fazer roça contínua a cada ano, na mesma região, com o plantio de milho, batata, feijão, mandioca, arroz, entre outros produtos. Tem início também a mudança do formato das malocas, que até então feitas de barrotes e palhas de buriti, pacova ou acari, por casas de madeira cobertas com tábuas de mogno cortadas no formato de pequenas telhas. O povo Rikbaktsa sempre teve uma relação peculiar com a mata e com a extração de produtos do meio ambiente local, como a castanha e a madeira, importante fonte de subsistência dessa etnia.

 

Nos dias atuais preservam suas práticas culturais através dos rituais e festas realizadas ao longo do ano. São hábeis na produção artesanal, em especial na variedade de colares feitos de sementes encontradas nas matas locais. Praticam com frequência jogos de futebol, natação, canoagem, caça e pesca com flecha. Possuem a tradição de dividir entre as famílias os produtos obtidos nas caçadas, pescarias e coletas de frutas e mel. Estima-se uma população total de mais de mil indígenas distribuídos em várias aldeias.

 

Elias Januário é antropólogo, historiador e educador. E-mail: eliasjanuario@terra.com.br

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