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07.05.2019 | 10h38

Paulinho da Força entrega o jogo

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Renato de Paiva Pereira

Divulgação

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Os deputados federais e políticos de modo geral esta semana correram para a imprensa condenando as declarações do parlamentar Paulinho da Força, presidente do Solidariedade.

 

Mas o que ele disse para provocar tamanha indignação dos colegas? Somente tornou público o que todo mundo sabe, mas que não pode ser verbalizado: os políticos eleitos pelo povo, mas que não conseguiram cargos no poder executivo torcem e lutam pelo fracasso do mandatário para eventualmente colocar seu time no lugar na próxima eleição. Mas e o país que vai bem se o governo é bom e sofre com um mau governo, como fica? Bobagem, o que importa é a vantagem do partido e do político, a Nação é somente um detalhe.

 

Isto foi declarado nesta semana pelo deputado citado acima, quando disse que o Centrão conjunto de partidos a que o Solidariedade pertence ajudaria a aprovar uma reforma da Previdência que economizasse somente cerca de 50% do previsto pelo Ministério da Economia. Justificou que se o governo conseguisse fazer uma reforma que poupasse um trilhão de reais em dez anos o país ficaria economicamente tão bem que o presidente Bolsonaro seria facilmente reeleito, o que não interessa a ele e aos seus companheiros.

 

O estranho no caso é que o empenho em provocar o fracasso de um governo, mesmo com sofrimento do povo, tem sido papel da oposição, aqui no Brasil tão bem representada pelo PT com Gleisi e companhia. A novidade agora é que aos parlamentares que se dizem aliados não interessa o sucesso do governo.

 

Este é um dos males da democracia, e no caso brasileiro, deve-se a ausência de uma base de sustentação parlamentar sólida e confiável que se sinta parte do governo, portanto interessada em sua reeleição para manter-se no poder. Quando o presidente Bolsonaro optou por afagar as bancadas temáticas tinha a boa intenção de livrar-se da influência dos partidos políticos na administração e de suas demandas, nem sempre republicanas.

 

Só que deu errado e o governo foi obrigado a conviver com o Centrão, companheiro manhoso e exigente, que fingindo-se desinteressado das benesses governamentais, faz biquinho na hora de ajudar.

 

Provavelmente esta posição do deputado Paulinho da Força seja uma opinião generalizada entre os partidos que serão responsáveis pela aprovação da PEC previdenciária. É possível (só não digo certo para não ser leviano) que tenham combinado de dar somente parte do que o governo pede, mantendo-o no cabresto curto e evitando possível reeleição.

O parlamentar verborrágico que provocou a crise agora é vítima da falsa ira santa de seus colegas: Paulinho! Paulinho! (devem ter dito) você precisa tomar mais cuidado ao falar em público, as coisas que nós combinamos internamente não podem ser ditas em discurso. Ainda mais você, Paulinho, que é um político experiente não deveria deixar escapulir essas frases comprometedoras.

 

Mas como quase tudo tem um lado bom, é possível que esta escorregada possa ser usada para pressionar os congressistas a apoiar mais abertamente a reforma. Os adeptos dela (da reforma) podem lembrar este episódio do parlamentar falastrão quando os deputados mal intencionados insistirem em desidratar o projeto. Só que o governo não pode aparecer nessa pressão, se apertar muito o Centrão espana.

 

Renato de Paiva Pereira empresário e escritor. E-mail renato@hotelgranodara.com.br

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