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18.02.2020 | 11h24

Se você quer ser minha valentine...

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Roberta D'Albuquerque

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Colunista

Não me levem a mal, mas segue uma pergunta daquelas bem estraga-prazeres: o que acontece com a nossa adesão tão automática e pouco crítica aos feriados alheios? Já reclamei horrores aqui do dia das bruxas – que me recuso a chamar de halloween – agora vamos de dia de São Valentim? É isso mesmo? Já não temos um 12 de junho para chamar de nosso?  

 

Minha gente, o que eu vi de declaração de amor – in english, of course, e também em bom (e mau) português – nas redes sociais… Pelo amor de Deus. Comecei o dia achando até fofo. É sempre comovente presenciar um querer bem. Mas aí a coisa foi crescendo para "me and my valentine", "love you forever and ever".   

 

Primeiro de tudo, uma observação: de onde será que vem a nossa necessidade de se declarar sobre um outro para muitos e não para o outro? Que narrativa é essa que estamos tentando criar sobre a nossa vida? E mais importante, para quem se destina a narrativa?  

 

Quando se é este outro homenageado, o que significa ter o seu afeto publicamente exposto? O destinatário chega ao menos a ler a mensagem? Ou gasta o tempo que faria isso combinando com o par que foto será postada simultaneamente? Sim, juro que vi inúmeras vezes, no último dia 14, essa ação em conjunto. Como se o casal fosse da família real e tivesse suas contas administradas por algum tipo de assessoria de comunicação. Que coisa esquisita.  

 

Em um desses posts de um casal bem jovenzinho, legendava a foto dos dois – estudantes ainda, cada um contando pouco mais de 100 seguidores, provavelmente os parentes e colegas de sala – a letra de Minha Namorada de Vinicius de Moraes. Vocês lembram dessa? A música, lida hoje, 2020, é pra lá de questionável. E estava ali inteira, inclusive com os seguintes versos:   

 

"Você tem que me fazer um juramento De só ter um pensamento Ser só minha até morrer"  

 

E ainda…   

 

"Você tem que vir comigo em meu caminho E talvez o meu caminho seja triste pra você"   

 

Os dois têm o mesmo a dizer um para o outro? Que empastelamento de sensação é esse? Leram, bem lidinho, o que estavam falando e ouvindo? Olha, espero que não. Espero que tenham sido levados pelo automático. Porque se querem um juramento de alguém que se reduz a ser de um outro alguém até morrer – atenção: ser de, no sentido de pertencer a  –, se querem submeter o seu amado a um caminho triste, pelo simples fato de que aquele é o seu caminho, o negócio é esperar que a black friday chegue e coloque esse nosso novo way of life à venda. E com 80% off  logo, pra ver se alguém leva o pacote inteiro, parcelado em 12. E aí, a gente começa tudo de novo. Boa semana queridos.  

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