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14.08.2019 | 10h57

Uma balinha na cabeça

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Heródoto Barbeiro

Divulgação

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O presidente nunca escondeu dos seus eleitores que é favorável a soluções de força. Armas e tiros foram suas peças de campanha e não havia quem não conhecesse os seus gestos, ou imitasse. Deixou-se fotografar portando armas na campanha eleitoral. Isso nem chegou a ser explorado pelos seus adversários na eleição. Uma vez no poder, orienta a polícia e as Forças Armadas do país a atirar em todo e qualquer potencial criminoso que estiver portando ou comercializando drogas nas ruas das cidades. Ele mesmo deu várias entrevistas reforçando a ordem com uma arma de grande poder de fogo nas mãos, os fuzis usados pelo tráfico e pelas Forças de Segurança. O correto é atirar para matar e, de preferência, mirar na cabeça do suposto bandido, repete. Ele mesmo se dispõe a atirar e fazer justiça com as próprias mãos. É aplaudido pela população e rejeitado pelas organizações internacionais de defesa dos direitos humanos.

 

A luta contra o tráfico de drogas já matou centenas de pessoas, a maioria suspeita de pertencer a quadrilhas organizadas e infiltradas em todos os lugares, inclusive nos presídios. É verdade que no meio dos tiroteios entre traficantes e forças policias sobraram balas perdidas para pessoas inocentes, inclusive com mortes. Reafirmou nas redes sociais: a guerra contra as drogas ilegais não será abandonada. Em vez disso, permanecerá tão implacável e arrepiante quanto estava no dia em que começou. O seu discurso ganhou repercussão internacional quando afirmou: A preocupação de vocês, ativistas de direitos humanos, são os direitos humanos, a minha, são as vidas humanas, por isso a política de linha dura e enfrentamento do tráfico vai continuar. O princípio adotado pelo governo é que as drogas são responsáveis pelas destruições das famílias e, por isso, precisam acabar.

 

Desde que assumiu o governo, o presidente enrijeceu a política nacional antidrogas e, durante toda a sua carreira política, esse foi o seu mote para conquistar o poder. Seus discursos de assemelham aos de outros dirigentes linhas duras do mundo e que não aceitam nenhuma política contra as drogas que não sejam a repressão, o enfrentamento das quadrilhas e a abstinência total para quem quiser se libertar delas. Por isso as mortes atribuídas ao Estado pela ação da repressão violenta devem ser toleradas ou inocentadas, uma vez que é um anseio supostamente nacional.

 

Os palavreados presidenciais sobre a violência são recheados de ofensas e devaneios. Afinal, quando esteve no cargo, foi responsável pela morte de pelo menos 2000 pessoas à frente da prefeitura de Davao, a terceira cidade das Filipinas, com um milhão e meio de habitantes. Rodrigo Dutarte pontificou na prefeitura por 22 anos antes de assumir a presidência da

república asiática. Minha ordem é atirar para matar, disse no discurso de posse.

 

Heródoto Barbeiro é editor-chefe e âncora do Jornal da Record News em multiplataforma.

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