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19.08.2017 | 00h00

Violência e preconceito

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Uma em cada três mulheres sofreram algum tipo de violência em 2016. Só de agressões físicas, o número é alarmante: 503 mulheres brasileiras vítimas a cada hora.

Dados da pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança revelam que 22% das brasileiras sofreram ofensa verbal no ano passado, um total de 12 milhões de mulheres. Além disso, 10% das mulheres sofreram ameaça de violência física, 8% sofreram ofensa sexual, 4% receberam ameaça com faca ou arma de fogo. E ainda: 3% ou 1,4 milhões de mulheres sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento e 1% levou pelo menos um tiro.

A pesquisa mostrou que, entre as mulheres que sofreram violência, 52% se calaram. Apenas 11% procuraram uma delegacia da mulher e 13% preferiram o auxílio da família.

O agressor, na maioria das vezes, é um conhecido (61% dos casos). Em 19% das vezes, eram companheiros atuais das vítimas e em 16% eram ex-companheiros.

As agressões mais graves ocorreram dentro da casa das vítimas, em 43% dos casos, ante 39% nas ruas.

Esses números mostram que nenhum avanço houve nessa área nos últimos anos e que problema da violência contra as mulheres no Brasil persiste. Em muitos aspectos até cresce e se agrava.

Não bastassem as agressões físicas que são gravíssimas, há ainda todo tipo de preconceito, dos ostensivos aos mais velados.

A revelação da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, de que também sofre preconceito de gênero, deixa claro o quanto o machismo é arraigado e permeia a sociedade brasileira em todas as suas instâncias. Segundo ela, esses são os pilares que sustentam a violência contra a mulher. A ministra deixou claro que manifestações de preconceito contra ela são diferentes das exercidas contra uma mulher que não tem trabalho, independência financeira, psicológica ou que não tem condições de uma formação intelectual, mas afirmou que o preconceito existe contra ela, mesmo que exercido, ainda que não dito.

O comentário da ministra, que também é presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi feito na abertura da XI Jornada Maria da Penha, no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). A principal discussão nessa 11ª edição do evento é a inclusão das ações da Justiça Restaurativa no âmbito da Lei Maria da Penha, oferecendo assistência às vítimas e parentes que passam por situações de violência doméstica.

O feminicídio é outra "mancha" na sociedade brasileira. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa desse tipo de crime violento no Brasil é de 4,8 para 100 mil mulheres, a quinta maior no mundo. Inconcebível.

Todos esses números e percentuais são muito mais do que meras estatísticas sinistras, eles servem de alerta sobre uma questão gravíssima que precisa ser enfrentada de frente por todos, não só as mulheres, mas também por homens que buscam um entendimento e um posicionamento social mais igualitário, sem ressalvas, sem diferenças de gênero, cor, classes sociais, religião, ou disparidades de qualquer tipo.

Junto com o real desenvolvimento do país em vários aspectos - econômico, educacional, social, saúde, pesquisa, inovação, segurança e tantos outros igualmente urgentes -, é vital também um trabalho intenso e constante visando colocar fim a todo e qualquer tipo de discriminação e/ou violência contra as mulheres.

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