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Cuiabá, Terça-feira 17/09/2019

Entrevista da Semana - A | + A

Resistência 30.06.2019 | 11h13

Ativista LGBT+ em Cuiabá ressalta a importância de se viver e resistir com orgulho

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João Vieira

João Vieira

Clóvis Arantes é um rosto conhecido no que diz respeito ao movimento LGBT+ de Mato Grosso, onde atua há mais de 30 anos na linha de frente. Na semana em que a primeira organização social do movimento completa 50 anos, leia-se Batalha de Stonewall, Clóvis ressalta a importância de viver e resistir com orgulho.

 

Em 28 de junho de 1969, no bar Stonewall, localizado em Manhattan, Nova York, membros da comunidade LGBT+ se uniram contra a violência que vinham sofrendo nas mãos das forças de segurança. Desde então, o episódio é considerado um grito na luta pelo reconhecimento dos direitos da comunidade. 

 

“A existência é para ser celebrada e viver, para nós LGBT+, seja travesti, homem ou mulher transexual, é um ato de resistência. Temos muito o que celebrar. Em Stonewall tivemos o primeiro grito contra a operação institucional, onde o Estado era o opressor. Então a luta continua, mas não só no dia 28 e sim, nos 365 dias”. 

 

Graduado em Educação Física pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e mestre em Educação pela Universidade de Brasília (UnB), Clóvis que atua na ONG Livremente, exerce, também, a função de vice-presidente do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual de Cuiabá.

 

Há dois anos desde a sua criação, Clóvis destaca o avanço do diálogo com o Executivo e o Legislativo, que exige paciência, mas que tem avançado de forma positiva. 

 

Em entrevista ao , Clóvis destaca os principais pontos da luta LGBT+ em Mato Grosso, estado apontado com o maior número de crimes com motivação homofóbica do país. Confira: 

 

Qual tem sido a principal bandeira de luta da comunidade nos últimos meses? 

 

Nos últimos meses a discussão que tomou conta da sociedade, especialmente da comunidade LGBT+, foi a criminalização da lgbtfobia, que é um tema fundamental há pelo menos 10 anos de luta. Só em 2017, foram mais de 400 assassinatos que não tiveram a motivação do crime apontada. 

João Vieira

Conselho Municipal / Leis LGBTS / Orgulho Gay / Consciência LGBTS /  Clovis Arantes

 

 

E isso faz com que os inquéritos não sejam levados até o final, já que não há uma motivação correta. Aprovar a criminalização é fundamental nesse processo. 

 

A gente queria que o congresso aprovasse uma lei, mas a nossa luta teve que ganhar o Supremo Tribunal Federal (STF). Quando o STF traz para si e aprova a criminalização da lgbtfobia, é um sinal de que a sociedade brasileira também reconhece a população como vulnerável e que precisa de leis para proteção e promoção. 

 

No âmbito estadual, quais as dificuldades que o movimento encontra para diálogo e até mesmo na conquista e reconhecimento dos direitos? 

 

Mato Grosso é um dos estados brasileiros em que mais se comete violência contra a população LGBT+ e que não tem nenhuma lei e nenhum projeto que nos inclua. A luta tem sido para sensibilizar o governo para políticas públicas na educação, saúde, moradia, emprego. 

 

Quando há debates com foco na comunidade LGBT+, muitos só pensam em segurança e saúde, mas a verdade é que a nossa população está fora das escolas, do mercado de trabalho e é o Estado quem tem que olhar para essas pessoas.

 

Trinta porcento das mulheres travestis estão nas ruas, já que o mercado de trabalho se fecha para elas, que acabam nas ruas, que é um espaço violento e que as deixa em situação de vulnerabilidade. Precisamos melhorar e ampliar o diálogo com os representantes para criarmos um mecanismo de atuação.

 

O município de Cuiabá decretou que os órgãos passem a usar o nome social das pessoas trans, que já é reconhecido em outras capitais brasileira. É um avanço? 

 

É um grande passo. O decreto não prevê isso para alguns espaços, mas para todos, seja na área da educação, saúde ou trabalho. Vamos começar o diálogo com as secretarias, para saber como o decreto será efetivado. 

 

Veja, há mais de 5 anos a adoção do nome social foi aprovado pelo Conselho Estadual de educação, mas não vemos nenhuma política de fato para acolher a população trans dentro das unidades de ensino. 

 

É importante lembrar que, não só vale o decreto, mas também precisamos instrumentar os gestores e servidores, que desconhecem os direitos da população vulnerável, que vai além da orientação sexual e identidade gênero. O homem pode ser gay e negro, então já são duas situações de vulnerabilidade. 

 

O governo do Estado chegou a criar o Conselho Estadual de Diversidade, mas acabou sendo derrubado pelos deputados estaduais, como está o diálogo com os atuais membros da legislatura? 

 

Como é um mandato novo, estamos fazendo um mapeamento dos deputados que conseguiremos um bom diálogo, mas também vamos construir a ponte com aqueles que não estão próximos. Não queremos saber se é de esquerda ou direita, queremos o compromisso com os direitos humanos e com a população LGBT+. 

 

João Vieira

Conselho Municipal / Leis LGBTS / Orgulho Gay / Consciência LGBTS /  Clovis Arantes

 

Então, trata-se da busca e reconhecimento por direitos e não privilégios, como costumam dizer, né?

 

A sociedade brasileira está em choque. Pensavam que não eram machistas, e o número de feminicídio só aumenta. O mesmo vale para a violência contra os negros, que só cresce em uma sociedade que diz não ser racista. 

 

Agora, a criminalização da lgbtfobia não é um privilégio, basta ver o número de mortes com requintes de crueldades que são registrados. A população precisa entender que somos cidadãos e merecemos o respeito para além da nossa sexualidade e gênero, está na constituição.

 

Privilégios é pedir cargos, salários altos, posições sociais. O que queremos é o acesso e a permanência nas escolas, trabalhos dignos sem violências e perseguições uma saúde que oriente e previna que jovens gays e lésbicas tirem suas vidas por medo da rejeição.

 

Então a atuação do conselho está no caminho certo? 

 

O conselho atua fazendo provocações aos poderes, visando a promoção e a proteção da comunidade, como é o caso do decreto do nome social. Foi uma provocação nossa e reconhecida pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB). Para além disso, estamos em contato com os outros conselhos, como o da Criança e Adolescente, dos Negros e Idosos. 

 

O LGBT+ também envelhece, ele também pode ser negro, então precisamos andar juntos. Não conseguimos coisas de uma hora para outra, estamos atuando há dois anos e já enviamos para a Prefeitura um documento que aponta as políticas públicas necessárias para abraçar a população. 

 

Sabemos que temos um executivo que legisla com a sua orientação de fé e muitos não entendem que isso é necessário. Mas temos um avanço e vamos continuar reforçando a nossa luta, existência e resistência.

 

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