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pandemia 26.07.2020 | 12h03

Com EPIs de baixa qualidade e excesso de trabalho, enfermeiros sofrem na pandemia

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Assessoria

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Atuando na linha de frente ao combate do coronavírus, enfermeiros e técnicos de enfermagem se depararam não só com a pandemia de uma doença nova, mas – novamente - com o descaso do poder público para com a saúde pública.


O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) tem se posicionado com frequência neste período, recebendo e protocolando inúmeras denúncias para proteger a categoria. Somente na terça-feira (14), uma técnica e uma auxiliar de enfermagem morreram por conta da covid-19, em menos de 24 horas.

 

Leia também - Enfermeiros contraem covid mais do que médicos


O conversou com o presidente do Coren-MT, Antônio César Ribeiro, sobre as dificuldades que os profissionais da saúde tem passado para continuar a salvar vidas. Além do trabalho sobrecarregado - com plantões de 12 horas - os enfermeiros temem levar o coronavírus para dentro de suas casas. 

 

De acordo com ele, 570 pessoas estão afastadas do trabalho, além de 22 profissionais que morreram em decorrência da doença.


Confira os principais trechos da entrevista


- Nesta pandemia, o Coren tem se posicionado bastante, pois os profissionais da enfermagem estão na linha de frente no combate ao coronavírus. Quais as principais denúncias que são feitas?


A principal denúncia que recebemos é a deficiência de EPI, no início da pandemia. Essa era a urgência. Depois, foi sobre a qualidade dos equipamentos, seguido da situação de distribuição. Diariamente, o plantão é de 12 horas e o trabalhador permanece com o mesmo EPI durante 4, 5, 6 horas. E com isso, tem dificuldade até mesmo para ir ao banheiro ou beber água, porque não pode sair do leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com o avental, por exemplo. E isso impõe um regime de trabalho tumultuado e extenso. São dois kits por um plantão de 12 horas, para trabalhar.


Há denúncias de excesso de trabalho também. Por conta dos afastamentos de profissionais pela contaminação do coronavírus, não está tendo reposição desse pessoal, o que sobrecarrega os demais colegas que permanecem.


- Atualmente, qual o número de profissionais da enfermagem doentes? E o de mortos pela covid? Qual o suporte que pode ser dado aos profissinais e suas famílias?


São 570 afastados do trabalho, entre suspeitos e contaminados, e temos 15 mortos. Os profissionais da enfermagem são pessoas que estão à frente no combate ao coronavírus, então, francamente, essa contaminação aconteceu no trabalho. As instituições não têm dado suporte emocional ou apoio emocional a esses trabalhadores e famílias. O conselho tem um canal de escuta para conversa, para tentar amenizar um pouco essa carga emocional que o trabalhador está submetido hoje. Há um grupo de articulação com o conselho, psicólogos que fazem essa escuta técnica, conversam e orientam.


Mas as instituições, no geral, não têm se preocupado com o trabalhador, e isso é importante. Estamos convivendo, não só com a ótica da família, mas com o medo e a segurança. É uma situação em que o profissional não sabe se está deixando o plantão contaminado ou não. Você sai e tem sua família na sua casa, que você pode contaminá-la. Isso gera uma tensão permanente e tem dificultado bastante a situação dos trabalhadores.


- Há muitas reclamações por parte dos profissionais da qualidade dos Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), ou até mesmo da falta deles. Como está essa situação?


Hoje não podemos dizer que tem falta. O que existe são equipamentos de baixa qualidade e distribuição racional. Em qualidade suficiente para dar conta de atende rum plantão de 12 horas, e todos os plantões são de 12 horas, independente se é de dia ou à noite. Depende muito do uso do EPI, pois o avental, por exemplo, cada vez que você tira, você tem que jogar fora. Não tem como reprocessar aquilo.


A máscara, dependendo do tipo, como a N95 ou Pff2, você pode usá-la até que ela estrague, se deteriore ou umedeça. Já a cirúrgica, que não é recomendada para terapia intensiva, você usa por 4 horas e joga fora. Depende muito do equipamento... Aquela facial de acrílico, você pode reprocessar. A própria manutenção na hora de manipular um avental, tem toda uma técnica para retirar.


Outra coisa que sentimos falta é sobre treinamento dos profissionais. Tudo nessa pandemia é novo, não temos acesso a capacitação para preparar os profissionais. Isso não só enfermeiros e técnicos de enfermagem, mas inclusive médicos. Não temos visto essa capacitação dos profissionais para que se sintam mais seguros, no manejo clínico dos pacientes.


- Uma nota do Coren-MT foi muito comentada, sobre a questão da prescrição do chamado 'kit covid', pois não há evidência científica de que esses remédios tenham eficácia na cura da covid. A orientação ainda é de que esse kit não seja indicado aos pacientes?


Não questionamos a indicação, que pode ser feita por médicos, e também os enfermeiros, que podem prescrever medicamentos que estejam estabelecidos em programas de saúde pública do Ministério da Saúde. O conselho se manifestou contrário a prescrição em atendimento a atenção básica. Quando chega um usuário do sistema de saúde pública, e o enfermeiro faz a consulta do quadro clínico, ele receita os medicamentos que estejam indicados nos padrões públicos.

 

Agora, a não recomendação, de uso mais geral, é que ele (kit covid) não tem posição da evidência científica terapêutica, não tem evidência concreta e científica de que a ivermectina ou cloroquina, tenha eficiência no controle da doença.


Por exemplo, se um paciente com hanseníase chega no atendimento, o enfermeiro pode prescrever o medicamento que está padronizado pela saúde pública. E o kit-covid não está inscrito nesse padrão. Isso não significa que somos contra, isso é outra questão, que não passa pelo âmbito da enfermagem.

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Comentários

FERNANDO SOUZA - 26/07/2020

Estranho o titulo da matéria "Com EPIs de baixa qualidade e excesso de trabalho, enfermeiros sofrem na pandemia", fico analisando os Policiais militares, trabalham com material de proteção individual comprado com seu próprio dinheiro, estão em todos os lugares mesmo sem poder analisar se há ou não possibilidade de contaminação, sem falar nos Epi's que são entregues pelo estados que estão em péssimo estado de uso, não recebem adicional de nada, sempre excedem a carga horário do turno de 12 horas, não são valorizados, e continuam trabalhando normalmente, como se nada de anormal estivesse acontecendo. Porque a mídia não é imparcial? Sempre tendenciosa! Dissuadindo a opinião publica. Sejam objetivos deem nomes aos responsáveis pela mazela da saúde, educação e segurança......

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