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Cuiabá, Sexta-feira 07/08/2020

Entrevista da Semana - A | + A

atendimento às vítimas 21.06.2020 | 13h00

Delegada explica como denunciar e os canais disponíveis

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Reprodução

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O isolamento social é a medida mais segura para conter o avanço do coronavírus. Contudo, muitas mulheres se viram presas com seus agressores dentro de casa durante o período de pandemia. Para salvar as vidas destas mulheres, a Delegacia de Defesa da Mulher (DEDM), em Cuiabá, tem buscado diversas alternativas para atender as vítimas.


À frente da DEDM desde 2014, a delegada titular Jozirlethe Magalhães Criveletto conversou com o para detalhar quais medidas mulheres– ou vizinhos e demais pessoas que presenciam esse tipo de violência – podem tomar durante essa crise.

 

Leia também - Campanha 'Sinal Vermelho' prepara farmácias para denunciarem violência doméstica


Dados do Observatório da Violência, de 10 a 29 de março, apontam que a violência doméstica diminuiu 35% em Mato Grosso. No entanto, a delegada chama atenção para outro tipo de denúncia que vem ocorrendo, fora das delegacias: as redes sociais. Twitter e Facebook, hoje, se tornaram aliados no combate a agressões de mulheres.


Veja trechos da entrevista:


- A medida para conter o coronavírus é permanecer em isolamento social. No entanto, muitas mulheres estão dentro de casa com os seus agressores nessa pandemia. Neste período, a violência doméstica cresceu em quantos por cento?


A Secretaria de Segurança é quem divulga dados relativos às estatísticas do estado e capital. Nós não conseguimos reunir todos os boletins de ocorrência feitos em Cuiabá, quem reúne é o Observatório de Violência. Acho que já é de conhecimento que o Observatório divulgou estatísticas de janeiro a abril, e mostrou que diminuiu. Mas não temos como provar, estatisticamente, que no período de pandemia as estatísticas diminuíram. Mas porque observamos que aumentou: temos outras redes sociais e meios de comunicação, com mulheres denunciando de uma forma que não seja a formal, por boletim de ocorrência. Elas procuram associações, são denúncias feitas pelo Twitter. O Instituto Avon fez uma pesquisa que demonstrou que em média, aumentou quase 50% o número de mulheres que expõe as denúncias pelo Twitter. Elas não estão procurando as delegacias, os meios legais. O que temos observado: quando chega ao conhecimento da autoridade e da polícia, essa agressão e violência já está num grau mais elevado, de crueldade no ciclo de violência.


Se você for fazer a estatística, mostrando realmente o aumento do feminicídio, se formos fazer o comparativo de feminicídio em Cuiabá em 2018 e 2019, agora não tivemos nenhum, em dois anos. Mas para nossa tristeza, tivemos um feminicídio praticado em abril, bem na pandemia, mas a nível de interior, em que essa situação se agrava de tal forma que chegamos pelos meios de comunicação.


Por outro lado, se fizermos o comparativo de homicídios de mulheres, tivemos uma diminuição, praticamente um contra 5, 2 contra 7. Tivemos um aumento do número de mulheres sendo mortas em casa, violência praticada por um ser conhecido da vitima, um familiar ou companheiro, essa é nossa preocupação.


- Como funciona a Delegacia Virtual?


A delegacia virtual funciona não só para crimes de violência doméstica, mas para uma pessoa que queira registrar desde um extravio, um furto. É um canal que já existia e operávamos com a delegacia virtual, dentro do site da Polícia Judiciária Civil (PJC). Quando você entra nesse site, temos um link escrito ‘delegacia virtual’, estamos fomentando porque tem muitas mulheres que não podem sair de casa. Não só mulheres em cárcere privado, mas mulheres gestantes, idosas, muitas vezes já com uma certa indisposição de saúde. Muitas não querem sair de casa e chegar até uma delegacia.


Sempre veiculamos: se você não tem como registrar um boletim de ocorrência pela delegacia virtual, ou se tem um vizinho que está praticando violência doméstica, você pode ligar no 181 também, que é de âmbito estadual. Pra violência doméstica, temos vários que podemos registrar pela delegacia virtual. Ela tem até seis meses para representar contra aquele crime, que pode ser uma ameaça, violação de domicilio e outros.


- No caso do atendimento psicológico remoto para as mulheres vítimas de violência, como é a consulta?


É algo maravilhoso que aconteceu nessa situação. É difícil e frustrante comparecer e conversar presencialmente, além de ter o acolhimento presencial de toda essa situação triste que hoje vivenciamos nessa situação de pandemia, de precisar ficar em casa e se isolar. Temos uma alegria de ter uma psicóloga, que faz isso por amor. Ela não é obrigada a ficar 24 horas, mas ela fica, a Dra Eliane, psicóloga da delegacia. Ela fala ‘pode mandar que eu faço’. Com a pandemia, o decreto do governador disse que só poderia trabalhar um dia sim e um dia não. Nós não temos esse aparato, só a dra Eliane. E ela disse que vai se disponibilizar.


Entregamos um número para todas as vítimas na delegacia assim que ela é atendida. Explicamos que infelizmente o atendimento psicológico não pode ser presencial, mas é por telefone ou WhatsApp. Todos os dias passamos a relação das vítimas para a psicóloga, que se coloca à disposição da mulher, de que se ela sofrer outra violência ou situação de angustia, abalo psicológico, pode procurá-la.


Muitas mulheres chegam abaladas emocionalmente, principalmente as que são agredidas a muito tempo, no decorrer de anos. Mulheres humilhadas por muitos anos tendem a desenvolver baixa autoestima, síndrome do pânico, depressão... São mulheres que precisam da ajuda do estado, para além da questão da punição do agressor. Precisam de ajuda, enquanto mulher, para reconstruir a identidade perdida dentro de um relacionamento de violência. E ela tem feito esse trabalho de acolhimento.


- Recentemente foi lançada a Campanha 'Sinal Vermelho', em que mulheres podem ir até uma farmácia com uma marca de um X na palma da mão para pedir ajuda. Como funciona o atendimento da Delegacia nesse caso?


No nosso instagram estamos veiculando a campanha, porque acreditamos que é de suma importância. Às vezes, o único lugar que uma mulher pode sair é um mercado ou uma farmácia. É feito de maneira discreta, sem ela correr risco. Até o momento não recebemos nenhuma denuncia vinda por drogarias, farmácias, estabelecimentos desse tipo. Ainda não atendemos em Cuiabá algum caso desse tipo de denuncia, mas pelo protocolo firmado, que o CNJ no caso que firmou com os estabelecimentos, seria no seguinte sentindo: farmacêuticos e profissionais já sabem dessa campanha, então quando uma pessoa mostra o sinal na mão, cabe a ele ligar.


Temos vários canais de denúncia. O 190, geralmente é o mais disponível. Quando você liga pro 180, é uma situação que já passou pela violência. Gosto de frisar a diferença, pras mulheres entenderem. Quando vão utilizar uma ligação pra um canal ou pra outro, o 180, a nível nacional, é um canal de denúncia: porque a vítima já passou pela violência, já houve a agressão e ameaça e consegue sair da situação. Mas já passou dias, horas, até meses, ou ela vivencia aquele ciclo há anos e um belo dia, numa situação ruim, ela fala que vai denunciar tudo. Este é o 180, ligando e denunciando situações que já passaram e ocorreram.


O 190 já é o serviço emergencial, como o Samu, no momento que o crime está ocorrendo, em situação de flagrante. Quando ela consegue correr pro banheiro e ligar pro 190. Muitaas mulheres não acreditam no 190, dizem que demora pra chegar viatura. Mesmo que demore, costumo explicar, ainda assim você pode ter certeza que se você ligou, ela foi veiculada pra todas as viaturas, elas escutam a ocorrência.

 

- Na pandemia, qual a orientação da Delegacia da Mulher para procurar ajuda em caso de violência, abuso e ameaças? Qual o telefone de contato?


Temos o nosso instagram, @delegaciadamulher.cuiaba. O nosso número que temos hoje, para contato da delegacia é o 39014277. Temos um celular, se a pessoa preferir usar para denúncia, pode ligar no 99660611. O acolhimento psicológico é feito por meio do 9973.4796, um serviço criado pela delegacia, exclusivo para vítimas.

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