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Entrevista da Semana - A | + A

ARTE E CULTURA 11.08.2019 | 11h24

Maestrina completa 30 anos como regente do Coral UFMT

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Marcus Vaillant

Marcus Vaillant

Em 1988, a gaúcha de São Leopoldo (RS), Dorit Kolling deixava família e amigos para trás e desembarcava em Cuiabá, uma terra até então desconhecida. Sem nenhum emprego garantido, o que a motivava era a possibilidade de atuar no curso de Licenciatura em Música, que estava em processo de implantação na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O convite partiu do professor e maestro Vilson Gavaldão de Oliveira, regente do Coral UFMT na época.

 

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No mesmo ano, a jovem, que era graduada em Licenciatura em Educação Artística – habilitação em Música, pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS), e especialista em Música Brasileira, passava a compor o quadro de professores do Departamento de Artes da UFMT. No ano seguinte, Dorit assumia a regência do Coral da UFMT – que desde sua criação em 1980 desenvolve o trabalho musical voltado aos estudantes de diversos cursos da universidade, professores, servidores e comunidade em geral. Ela também assina a direção artística do grupo.   

 

Marcus Vaillant

Dorit Kolling maestrina Coral UFMT

 

Centenas de concertos e espetáculo depois, no último dia 1º de agosto, a maestrina, que possui títulos de Cidadã Cuiabana (1998) e de Cidadã Mato-grossense (2007), completou 30 anos frente à regência do Coral UFMT. Para falar um pouco sobre essa trajetória, o bateu um papo com a gaúcha, mestre em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que construiu uma carreira de sucesso, sendo referência na cena da música coral em Mato Grosso, e formou família na Capital mato-grossense.  

 

Gazeta Digital – Mesmo tendo começado sua vida profissional um pouco antes, foi em Cuiabá que desenvolveu maior parte de suas atividades no universo da música. Três décadas de carreira, não tem como desassociar sua trajetória com a história do Coral UFMT. Com foi esse início e o que você destacaria como momentos importantes?   

Dorit Kolling – Eu trabalhei no Coral UFMT, inicalmente, como voluntária com o Vilson, sendo regente auxiliar dele. Em seguida, fiz uma selação para professora substitura do curso e comecei a dar aula em outubro de 1988. Logo em seguida, prestei o concurso e ingressei em março do ano seguinte como professora do Departamento de Artes.   

 

O regente titular foi convidado para ir para o Rio de Janeiro e o professor Julio De Lamônica, que era coordenador de Cultura, me convidou para assumir a regência do coral – até então um coro adulto, com comparticipação exclusiva de alunos da UFMT.   Quando assumi, tinha como visão e um sonho criar uma estrutura para ter, desde o grupo infantil até o da melhor idade, e focamos nesse projeto. De lá para cá, centenas de apresentações, concertos especiais, viagens dentro e fora do Estado, além de espetáculos e participações de eventos fora do país.   

 

 

GD – Para você, quais as principais conquistas nestes anos?  

Dorit – Umas das coisas importantes é o espaço onde hoje funciona o Núcleo Coral e toda a Coordenação de Cultura. Antes da construção do Centro Cultural, o coro passou por vários lugares, ensaiava em divesos auditórios de instituitos e faculdades. Não tínhamos local próprio, então, quando ocorria algum evento naquele auditório, não podíamos ensaiar. Isso era muito ruim. Na gestão da professora Luzia Guimarães, conseguimos que todas as supervisões da Cultura tivessem seu espaço próprio, com isso, uma projeção e estrutura mais sólida.   

 

Divulgação

Coral UFMT Claro Canto Cuiabá

 

A partir daí, nós dá força para alçar voos mais altos – passar a oferecer o trabalho de canto coral, a ludicidade, para outras faixas etárias, que não o coro adulto. Então, criamos o coro infantojunvenil, atualmente com formações distintas, temos o infantil e o juvenil, o Coro da 3ª Idade, com participantes, em sua maioria, acima dos 60 anos. Este último começou com um grupo bastante pequeno, basicamente com nipes de senhoras e, hoje, conta com quase 80 cantores, entre homens e mulheres. Além disso, oferecemos o laboratório coral, que é um curso para quem nunca cantou e quer começar a cantar.  

 

O mais importante para mim, é que conseguimos extrapolar os limites da universidade. Os coros não ficam apenas endógenos, desenvolvendo atividades para si. Eles abarcam toda a comunidade e oferecem a arte e a música que produzem a todos.  

 

GD – Você idelizou juntamente com a UFMT, cantores, músicos e parceiros concertos que ficaram marcados na memória dos mato-grossenses e que conquistaram o público por onde passaram. Existe um que seja mais marcante e especial para você?  

Dorit – O Coral UFMT tem sido responsável por proporcionar à sociedade mato-grossense inúmeros concertos e espetáculos temáticos, conjugando música e cena, como nos shows “Brasil, Música Armada”, “Os Festivais”, “Alguém Cantando”, “Coral UFMT Canta Chico” e “Coral UFMT Canta Beatles”.  

 

Além do coro adulto, o Núcleo do Coral desenvolve um importante trabalho com o Coral Infantojuvenil e com o Coral da 3ª Idade.   

 

 

GD – Os grupos do Núcleo do Coral estão sempre produzindo, sejam espetáculos ou oficinas. Com isso, movimentam a música coral em Cuiabá e promovem capacitação de muitas pessoas que atuam na área.  

Dorit – Sim. Um papel importante que ele cumpre que eu também faço questão de desenvolver, é o de fomentar projetos e produções culturais. Ao longo desses 30 anos, além dos concertos, nós produzimos encontro de coros, com participação de grupos da Argentina, do Paraguai, e de outros estados brasileiros.  

 

Divulgação

Coral UFMT Claro Canto Cuiabá

No primeiro semestre de 2019 foi dedicado aos 300 anos de Cuiabá, com a realização do espetáculo Claro Canto Cuiabá

Também realizamos painéis de regência coral, que são entre outros, formações voltadas para a área de música, de regência e de coro. Com presença de professores de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, essas formações atenderam uma série de profissionais, de Cuiabá e do interior, os capacitando. Com isso, a universidade cumpre seu papel de formação. Em sua maioria, os que participam dessas capacitações são os professores e regentes dos coros que existem atualmente em Cuiabá e no interior do Estado.  

 

GD – A vida corrida e o estresse do dia a dia tem feito com que muitas pessoas busquem uma ‘válvula de escape’, uma atividade que dê prazer. A música, especialmente, o canto coral pode ser uma dessas alternativas para essas pessoas?   

Dorit – Como regentes, nós estudamos o planejamento de ensaio, técnicas de regência, como falar com as pessoas, sobre a música em si, análises harmônica e musical, escolha de repertório. Mas uma coisa que os cursos de regência, de forma em geral, não ensinam é a questão social e terapêutica da arte e da música.   

 

Ao longo desse meu trabalho junto ao Coral UFMT e outros coros, me deparei com essas situações. É grande a quantidade de pessoas que buscam o canto como forma de socialização, de momento de lazer. As crianças como forma de concentração de discilplina (no sentido de conseguir tomar decisões e entender a hora de cada coisa), os mais velhos como forma de sair da solidão.   

 

 

GD – Anualmente, o Coral realiza temporadas e este ano já apresentaram concertos com os coros adulto e infantil. O que o público pode esperar ainda para o segundo semestre?   

Dorit – O primeiro semestre foi dedicado aos 300 anos de Cuiabá. Realizamos o espetáculo “Claro Canto Cuiabá”, com a participação de 70 coralistas, além de músicos instrumentistas, com canções que retratam a nossa cidade e nosso estado, que teve direção cênica e roteiro assinados pelo músico cuiabano, residente no estado de São Paulo, Maurício Detoni. Ainda tem mais por vir.   

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