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Entrevista da Semana - A | + A

celebração virtual 12.04.2020 | 09h00

Páscoa e o pedido da Igreja para fiéis ficarem em casa

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Reprodução/Foto: Victor Ostetti

Deusdedith Almeida

 

Vigário-geral da Arquidiocese de Cuiabá e pároco da Catedral Metropolitana Basílica do Senhor Bom Jesus, padre Deusdedith Almeida lembra que a ressurreição de Jesus Cristo, celebrada neste Domingo de Páscoa, será atípica em decorrência da pandemia do coronavírus.

 

A Páscoa geralmente é celebrada em família. No entanto, neste momento que pede por isolamento social, para conter a contaminação da Covid-19, os parentes e familiares ganharam um significado ainda maior, segundo o padre. A casa, por si só, é vista como um templo que deve ser respeitado.

 

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Em entrevista ao , Deusdedith ainda aponta que o decreto do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), que restringe a celebração de cultos e missas em igrejas, foi uma decisão acertada. O padre ainda pede que os fiéis tenham empatia e procurem ficar em casa, uma vez que existem alternativas para os que sentem saudades de ir à missa.


“Desejamos uma Páscoa renovadora para todas as famílias, que o senhor ressuscitado possa iluminar os nossos cientistas, para que o quanto antes descubra um remédio e vacina para o coronavírus”, deseja o padre.


Veja os principais trechos:


- Nesta Páscoa, que passa por um momento delicado por conta da pandemia do coronavírus, qual a visão da Igreja Católica?


Como disse o Papa Francisco: a Páscoa desse ano vai ressoar no silêncio e isolamento, porque é uma Páscoa e Semana Santa atípica. A nossa manifestação de fé, nosso espírito de adoração a Jesus morto e ressuscitado, será nossa solidariedade e apreço com a vida, a coletividade, porque a vida está sempre em primeiro lugar. Estamos celebrando e vivenciado a Semana Santa e Páscoa dentro de casa, buscando a renovação pascoal dentro da família. É uma transformação espiritual da própria família, porque a família é uma igreja doméstica. Os três primeiros séculos da igreja não tinham templos, mas era celebrada liturgicamente dentro das casas, a igreja é uma casa.


Estamos fazendo uma experiência de uma páscoa familiar e sempre estamos orientando os fiéis para que ofereçam esse sacrifício, de isolamento social. Com remitência, oração pela salvação de toda a humanidade, e para que Deus proteja e livre toda a humanidade Da pandemia e também a nossa cidade. Esse isolamento não deixa de ser um grande espírito de sacrifício, considerando que nosso povo é festivo, alegre. Estar isolado é um sacrifício. Vamos nos unir ao sacrifício de Jesus na cruz, para a santificação do mundo e a salvação de todos. Porque Jesus morreu por nós e a grande mensagem da Páscoa é para ensinarmos uns aos outros, como Cristo amou por nós.


- Fechar as igrejas, como evitar missas e cultos, mas deixar as portas abertas simbolicamente durante esta pandemia foi uma decisão acertada da prefeitura?


Sim, porque estamos seguindo as orientações das autoridades ligadas à saúde e ciência. A ciência tem que nos iluminar nesse momento. O que está sendo orientado é evitar aglomerações, e encontros comunitários e celebrações litúrgicas tendem a ter aglomerações. Nesse momento o único remédio para desacelerar o contágio, é evitar esses encontros. Nossa manifestação de fé será o apreço pela. Solicitamos a todos a compreensão, para que não contagie os outros.


- Como os fiéis podem buscar a paz de espírito nesse momento delicado? Quais as alternativas?


A igreja está utilizando as ferramentas que dispõe, como a internet, Facebook e canais do Youtube. Estamos em uma Catedral virtual. Pela internet, muitas pessoas nos acompanham, é uma Páscoa virtual. De um lado, tem essa tristeza da doença, mas por outro tem a riqueza da tecnologia, que nos proporciona uma aproximação virtual. Esperamos que isso passe, que logo possamos a nos encontrar. Eu, por exemplo, sinto muita falta de estar celebrando com o povo, comemorando a Páscoa. Nós sentimos esse momento. Mas estamos tomando todas as precauções, como evitar abraços, saudações. Além da orientação médica e do próprio Dom Milton.


- Como as famílias podem celebrar a semana santa, durante esta epidemia?


Pode acompanhar pelo Facebook, pela internet, pelo canal Rede Vida. Tem muitas missas que são televisionadas, tudo pelos meios de comunicação. Rezar com a família, fazer a via sacra em família, a leitura da palavra de Deus com a família. Tudo que acontece na igreja, acontece na família. Tudo que se faz, em nível de templo religioso, se faz dentro do pequeno templo, que é a família.


- Qual o conselho do senhor para esse momento?


Eu todos os dias tenho rezado muito, em minhas celebrações e adorações pessoais. Peço duas graças: que iluminem a mente e cabeça da comunidade científica, para que o quanto antes descubra a cura e vacina para curar a pandemia. E também pedir a Deus nos proteja e aos profissionais da saúde. Principalmente enfermeiros, médicos, os profissionais que estão na linha de frente nesta batalha. É uma guerra, as pessoas estão lutando. Que os anjos de Deus acompanhem o serviço pela vida.


- E sobre o isolamento, o senhor acredita que devemos continuar em casa?


A orientação é se manter dentro de casa. É um sacrifício, como eu disse, viver uma vida no isolamento. Mas é necessário, é o único remédio que podemos tomar para evitar a doença. Vamos seguir as orientações, é melhor prevenir do que remediar. Não vamos abrir mão da situação.

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