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Ações de apoio 14.06.2020 | 16h14

Secretário fala sobre desafios da Seaf em tempos de pandemia

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Eduarda Fernandes

eduarda@gazetadigital.com.br

João Vieira

João Vieira

Nenhum setor dessa máquina que chamamos de município, estado ou país passa ileso pela pandemia do novo coronavírus e com a agricultura familiar não foi diferente. Com redução drástica nas vendas, o setor conta ainda mais com o auxílio do poder público para sobreviver.

 

Silvano Amaral, chefe da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), admite que muitos planos da pasta para o pequeno produtor sofreram alterações no cronograma e irão demorar mais tempo para "chegar até a roça", como costuma falar. Contudo, em meio ao momento caótico, a Ssecretaria busca junto ao governo federal recursos para adquirir produtos alimentícios e fazer girar o setor, além de outras medidas para socorrer a agricultura familiar.

 

Em entrevista ao , Silvano fala um pouco sobre as ações da Secretaria e também responde sobra suas pretensões políticas.

 

Veja os principais trechos:

 

- Como a SEAF está lidando com os impactos da pandemia na agricultura familiar?

Estamos monitorando a situação. Temos feito alguns pedidos, inclusive já foram atendidos através do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Agricultura (Conseagri). Por exemplo, temos o programa nacional do crédito fundiário, nós pedimos a suspensão do parcelamento e quem tem dívida está suspensa, então essa é uma forma de ajudarmos.

 

E também agora, semana passada, lançamos o edital do Programa de Aquisição de Alimentos, o PAA, são R$ 2 milhões. Conversamos com o Ministério da Cidadania e colocamos mais R$ 3,8 milhões para aquisição de alimentos, estamos aguardando publicação. E também temos a expectativa de mais R$ 5,5 milhões pela Conab.

 

Esse apoio é para comprar direto do produtor. Porque um dos grandes problemas que temos hoje é a venda, diminuiu muito. Na prática funciona assim, nós nomeados um técnico que recolher as propostas dos produtores, mandar para a SEAF analisar e aprovamos no sistema do Ministério, que o autoriza a fornecer. Na hora que ele fornecer, ele emite uma nota e manda para a secretaria, nós colocamos no sistema e automaticamente o Ministério deposita na conta dele. Aí esse alimento será doado às entidades filantrópicas do município.

 

- Como está o andamento do Programa Mato Grosso Produtivo Leite?

Esse programa vem sendo trabalhado com dois focos, especialmente porque percebemos que existem vários contextos que ajudam na produtividade. A produtividade hoje de Mato Grosso é muito pequena. Se você pegar hoje, de acordo com o IBGE, a produtividade por animal é de 3.7 litros de leite. Isso é muito pequeno. Uma expectativa que começaria a ficar boa seriam 10 litros por animal. Com 3.7 o produtor acaba não tendo retorno.

 

Então focamos na produtividade do leite baseado na genética, que é uma condição que precisa ter, não é qualquer animal que dá leite. Nós temos o programa para distribuição de semens que já está em andamento, inclusive estamos com recurso para começar a distribuir para as prefeituras. E esses semens são exclusivos para animais com genética leiteira, da raça girolando, que é o que melhor se adaptou em Mato Grosso em questão de resistência e produtividade, se adaptou à questão do solo, às questões climáticas todas.  

 

Ainda na questão da genética temos a transferência de embrião, que seria a prenhez positiva, e já iniciamos isso em Campinápolis, uma parceria com a cooperativa onde demos um embrião, transferido, com prenhez positiva, e a cooperativa ajuda o produtor financiando mais um. Então temos uma parceria boa com algumas cooperativas de Mato Grosso que trabalham leite e qualquer cooperativa que tiver interesse pode procurar a SEAF, nós estamos dispostos a fazer a parceria.

 

Essa parceria da transferência de embrião com prenhez positiva já está firmada com o município de Campinápolis, a Campileite. Com o município de Terra Nova do Norte, com a Coopernova, que é uma das maiores cooperativas do Estado de Mato Grosso. Temos uma conversa avançada com a Comajul, com a Coopnoroeste de Araputanga, e outras prefeituras e outras cooperativas que estão bem adiantadas.

 

Então, como disse, temos o sêmen, a transferência de embrião positiva sexada de fêmea e também, nessa mesma característica, nós temos o calcário, no caso da alimentação. Estamos comprando 30 mil toneladas de calcário. Vamos fazer uma parceria também com as prefeituras, com as associações, as cooperativas. O Estado vai subsidiar 100% do calcário e eles vão pagar o frete.

 

Então, temos aí a alimentação, a melhoria da pastagem - porque o animal pode ser bom de genética, mas se não tiver comida, não vai dar leite - e a assistência técnica que são as unidades de referência em tecnologia, cada uma custa R$ 21 mil para o governo do Estado. O que é essa unidade de referência? Nós vamos lá no assentamento junto com a Empaer e a prefeitura e escolhemos um produtor e nisso investimos esses R$ 21 mil nessa propriedade, em cotação de pasto, boas práticas, em silagem. Isso para demonstrar para os vizinhos daquele assentamento que é possível produzir leite num pequeno espaço de terra, que é possível produzir mais de 10 litros de leite por animal para que ele se torne uma referência a ser copiado.

 

E nós temos o Programa Mato Grosso Produtivo Leite como um dos principais programas porque o leite é uma referência muito forte da agricultura familiar. Digo sem medo de errar que em Mato Grosso nós temos 95% da produção de leite na agricultura familiar. É o carro chefe.

 

 

- Qual o retorno desse programa? Em quanto tempo o Estado verá resultados?

O tempo de retorno do leite no caso do embrião é de 36 meses. Porque você tem 9 ou 10 meses, aproximadamente, da hora que transfere o embrião. Aí depois esse animal tem que estar com 16 a 18 meses, mais ou menos, para ficar prenhe. Depois mais 10 meses para ter o bezerro e começar a dar leite. Então temos, em média, 36 meses.

 

Já na questão do sêmen, é um processo um pouco mais lento. Estamos falando de algo em torno de 120 meses, ou seja, 10 anos. Porque quando você transfere embrião, você tem um animal com 100% de genética leiteira. No caso do sêmen, você coloca ele no animal, aí ele acaba pondo outro animal com 50% de genética. Aquele animal vai crescer, desenvolver e 36 meses depois, outro sêmen, e isso vai gerar um terceiro animal com 70% de genética. E assim vai e nunca vai chegar a 100%, mas vai chegar num animal robusto, ideal.

 

Um dos grandes problemas que nós temos na agricultura familiar é a cultura do produtor, porque muitos deles não acreditam nesses métodos.

 

- Sobre o empréstimo de equipamentos ao pequeno produtor. Como está a fiscalização disso?

É um empréstimo que no meu ponto de vista acaba sendo uma doação. A gente normalmente manda para as prefeituras ou quando é uma emenda parlamentar tem destinação muitas vezes para cooperativas, associação ou sindicato. A idéia é, por exemplo, você tem um resfriador de leite, coloca ele à disposição da comunidade e a cada dois ou três dias o caminhão de leite passa na cooperativa, recolhe e leva. Esse resfriador, esse trator, a roçadeira, grade e siladeira ficam à disposição daquela comunidade e aí, normalmente, eles que fazem a manutenção, custeio, administração.

 

Hoje, a secretaria delega a função de fiscalizar o uso desses equipamentos à Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) do respectivo município.  

 

- Enquanto liderança do MDB no Norte do Estado, especialmente em Sinop, o senhor tem plano de ser candidato à prefeitura ou apoia o deputado federal Juarez Costa, que já se colocou na disputa?

O plano de candidatura minha é zero. Essa possibilidade não existe, até mesmo porque o MDB tem um candidato lá que é o Juarez Costa. Além de ser amigo de Juarez, já ter sido secretário dele, ter sido apoiado por ele para deputado, fizemos a última eleição juntos e por ele ser do partido MDB, então naturalmente todo o planejamento, toda a expectativa é que possa apoiá-lo para prefeito de Sinop. O MDB tem candidato a prefeito de Sinop. Embora tenhamos lá a Rosana Martinelli que também é do nosso grupo, é do PL, mas existe um pré-candidato que é do MDB e ele está colocado. A política é muito dinâmica, mas o Juarez efetivando a candidatura dele nós vamos apoiá-lo.

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