17.07.2005 | 03h00
O sexto volume da série Harry Potter (que foi lançado mundialmente ontem) já despertou a ira do Vaticano. Como era de se esperar, o papa Benedito 16 condenou a criação da escritora inglesa JK Rowling por "corromper a alma da cristandade". A briga entre a Igreja e o pequeno bruxo míope não é nova. Anteriormente, os livros e filmes sobre o garoto superpoderoso provocou debates entre integrantes da Igreja Católica, deu origem a protestos de pais católicos e até rendeu um livro a respeito, What"s A Christian To Do with Harry Potter? (O Que Tem um Cristão a Ver com Harry Potter?), de Connie Neal.
O protesto da Igreja e dos pais é motivado pela prática de magia entre os estudantes da Hogwarts School, freqüentada por Harry Potter, órfão que não hesita em usar sua força sobrenatural quando provocado. Apenas para quem não conhece a história - algo impensável devido ao massivo bombardeio da mídia -, Harry Potter cresceu na casa dos tios.
Os pais foram mortos por lorde Vodemort, um bruxo "do mal" do qual o bebê de olhos verdes escapou com um ano de idade. Potter traz o sinal de um raio na testa, que simbolizaria sua vitória sobre os espírito malignos. Para os cristãos, vale o contrário. Seria o estigma do mal.
Bom ou mau, o fato é que a Igreja condena a prática da magia, baseando-se em textos bíblicos (Deuteronômio, Levítico) que rimam ocultismo com satanismo. Em várias passagens da Bíblia essa condenação é explícita. De qualquer modo, os cristão estão divididos. Alguns defendem que Harry Potter não encoraja as crianças a usar forças demoníacas para conseguir seus objetivos nem ao menos manipula o oculto com propósitos malignos. Lembram que o pequeno bruxo é perseguido por Volemort, esse sim um representante da magia negra.
Muitos pequenos leitores de Harry Potter, no entanto, confundem o personagem com um garoto real e escrevem cartas à autora Joanne Rowling, pedindo sua intercessão junto ao professor Dumbledore, diretor da escola Hogwarts de Magia, onde estuda o pequeno bruxo. Eles também querem aprender magia na fictícia instituição.
Essa confusão entre fantasia e realidade dá munição aos católicos mais radicais contra o fenômeno Harry Potter. Eles argumentam que o fato de ser um personagem fictício não o transforma num ameaça menos perigosa, pois cada imagem oculta ou sugestão de ponte com o sobrenatural desperta a curiosidade de crianças inocentes, manipuladas pelo fascínio da sua paranormalidade.
No último filme da série, por exemplo, baseado no livro Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, o menino, irado, faz sua tia flutuar como um balão, por ter proferido palavras ofensivas contra seus pais. Cristãos não admitem esse tipo de gesto voluntarioso. Mesmo sofrendo com a ofensa, Harry Potter deveria, segundo eles, submeter-se à vontade divina e não julgar e condenar os semelhantes pelas próprias leis.
Em outra passagem do livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, o garoto e seus amigos estão atrás da pedra guardada por um monstro de três cabeças num corredor proibido da escola Hogwarts. O pequeno bruxo, alertado pelo amigo Neville sobre o perigo de transgredir as leis de Hogwarts, enfeitiça-o, apesar de suas boas intenções. Os cristãos costumam se referir a esse episódio quando acusam a autora de iniciar as crianças numa alegoria ocultista. Dificilmente vão convencer seus leitores. Eles estão enfeitiçados pelo bruxinho, que deixou milionária sua criadora.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.