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avós são grupo de risco 16.03.2020 | 15h28

Aulas suspensas mudam a rotina e criam desafio para as famílias

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Pixabay

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Com a suspensão das aulas nas escolas da rede pública e privada, muitas famílias não sabem como equilibrar a rotina de trabalho com as crianças em casa. A orientação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi expressa: nada de deixar a molecada com os avós, o maior grupo de risco da doença Covid-19.

 

Muitas empresas liberaram seus funcionários para trabalhar em casa, mas quem não tem essa opção? O que fazer? Não existe solução fácil e o momento exige criatividade, paciência e muita solidariedade.

 

Leia também - Entenda os sintomas e a diferença entre coronavírus (Covid-19), resfriado e gripe

 

"A primeira coisa que fizemos em casa é explicar que não estamos de férias, que é um momento que exige paciência, não vamos passear ou circular por aí, a transmissão do vírus é muito fácil e temos de fazer a nossa parte", explica a educadora financeira Teresa Tayra.

 

Teresa teve de mudar a rotina para conseguir cuidar dos três filhos, sendo que os pequenos têm 6 anos e 5 anos. Não teve jeito, a negociação foi o caminho encontrado para equilibrar trabalho e família. "Faço o possível pelo computador, estou em home office e com horários mais flexíveis."

 

A analista de projetos Priscilla Martins tem uma filha que estuda no período da manhã. A tarde conta com o apoio de uma cuidadora para a filha. Com a chegada do coronavírus ao Brasil, a empresa ampliou o trabalho em casa para três vezes por semana. Mesmo assim, dois dias estão descobertos.

 

"Como meu marido trabalha na mesma empresa, fazemos um rodízio e trabalhamos em casa em dias diferentes", conta. "Mas, e as mães que não têm essa opção? Vamos levar essa pauta para ser discutida na empresa e ver o que é possível fazer para ajudar a todas."

 

É o caso da Ana Luíza Viola, dona de um pet shop. O filho de 8 anos fica no período integral e faz as principais refeições na escola. A avó tem mais de 80 anos e não pode ficar com o neto nesse período. "Não posso parar de trabalhar, ele terá de vir comigo todos os dias, vou ter de organizar o trabalho, atividades para ele e também a alimentação," conta. Ana é filha única e ainda terá de monitorar a saúde da mãe.

 

O problema ultrapassa fronteiras. Na Argentina, as escolas também estão com as aulas suspensas ao menos até o fim deste mês e as fronteiras foram fechadas. Débora Molina chegou ontem ao país e já ficou em quarentena e ainda assinou um termo de responsabilidade de que não pode sair de casa. "Aqui não tem alternativa, as crianças ficam com os pais em casa."

 

Para tentar amenizar o drama das famílias, uma mãe compartilhou uma série de dicas no Instagram que podem ser muito úteis. Luiza Correa, do Maternar, deixa claro que a família não deve exigir demais. "Não dá para se cobrar e querer fazer tudo simplesmente porque é impossível dar conta de cuidar das crianças e do trabalho ao mesmo tempo."

 

A primeira dica é dividir a jornada com o pai da criança, com algum parente ou com uma pessoa de confiança. "Eu fico com meu filho no turno da manhã e meu marido à tarde. Assim, ele trabalha num período e eu em outro".

 

Convidar os filhos para participar da rotina da casa, não como uma obrigação, mas de forma divertida. "A ideia não é que façam com perfeição as tarefas, mas que estejam ocupados enquanto você precisa lavar uma louça, por exemplo".

 

Também aproveitar o soninho ou deixar atividades para a noite, depois que as crianças dormem, pode ajudar. Cozinhar em grande quantidade e congelar facilita a rotina.

 

Para quem não tem a possibilidade de trabalhar em casa, pode contar com a solidariedade de outras mães. "Muitas têm feito rodízio para ficar com mais duas crianças, claro, que não tenham sintomas. Uma forma de ajuda mútua para que todas possam trabalhar."

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