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Cenário Caótico 25.06.2026 | 09h23

‘Dei um passo para trás e o chão afundou’, diz brasileiro que sobreviveu a terremoto na Venezuela

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Matheus Mascarenhas

 Matheus Mascarenhas

A sequência de terremotos ocorridos na Venezuela nesta quarta-feira, 24, deixou marcas em diversas cidades litorâneas e na capital, Caracas. Atingindo magnitude de 7,5, o tremor ocorreu por volta das 19h04 (horário de Brasília), e derrubou casas e prédios em um curto período de tempo.

 

O brasileiro Matheus Mascarenhas, de 20 anos, estava indo a um bar em Caracas, capital da Venezuela, para assistir ao jogo do Brasil na Copa do Mundo quando viu dois dos prédios afetados desabarem por conta do terremoto.

 

De acordo com o estudante, enquanto passava por uma rua na região do bairro de Altamira, um dos mais atingidos pelo terremoto na capital venezuelana, foi possível sentir os tremores e, em seguida, os prédios desabaram. Mascarenhas se direcionou para uma praça aberta, onde muitos venezuelanos também buscaram um lugar para fugir dos escombros.

 

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“Eu me senti como se estivesse com vertigem. Eu dei um passo pra trás e o chão afundou. Quando virei meu corpo em direção ao prédio que estava ao meu lado ele literalmente caiu em pedaços. Aí eu saí correndo para essa praça e por lá senti ainda alguns tremores”, afirmou Mascarenhas ao Estadão. Aluno do curso de economia em Yale, Matheus está em Caracas para um intercâmbio de trabalho na ONU.

 

 

O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou que o tremor foi sentido em vários estados. O bairro de Altamira, onde Mascarenhas estava, registrou “situações alarmantes”, com o desabamento de casas e prédios; ele indicou que houve feridos e pediu aos motoristas que dessem passagem a ambulâncias e outros veículos de emergência.

 

Segundo outros relatos nas redes sociais, a capital venezuelana não sofre com queda generalizada de energia, mas o sinal de diversas operadoras de celular pararam de funcionar, assim como linhas telefônicas residenciais de algumas regiões.

 

Ruas de Caracas são tomadas por venezuelanos que não podem voltar para casa após terremoto

Para quem está na rua, fugindo de estruturas podem ter sido danificadas com o tremor, a orientação também é esparsa.

 

Mascarenhas afirmou que existe um grande número de agentes de policiamento, mas que ainda não chegam informações precisas para os cidadãos sobre o que fazer ou como se deslocar em meio ao caos. “Não está muito organizado, nós não sabemos o que está acontecendo e a rua ficou uma zona”, explicou Mascarenhas.

 

Um alerta de calamidade foi emitido na capital e pessoas que saíram de suas casas se aglomeram nas ruas e praças.

 

Supermercados da região já começam a ver filas para a compra de suprimentos básicos.

 

Ao todo, dois terremotos foram sentidos na região - e em países vizinhos, como Colômbia e no Brasil. O primeiro registro foi um tremor de magnitude 7,2, com epicentro próximo a San Felipe, com profundidade de 21,9 km. O segundo, de 7,5, veio após poucos segundos, com epicentro próximo a Yumare e 10 km de profundidade.

 

Até o momento, não há registros oficiais de vítimas do terremoto, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que pode haver entre 10 mil e 100 mil mortos em todas as localidades atingidas.

 

“Eu comecei a me questionar se realmente tinha visto dois prédios caindo. Eu falei ‘não é possível’, porque os outros prédios estavam intactos ao redor. Mas eu voltei e eles realmente estavam no chão. Foi uma sensação de não acreditar realmente naquilo que você passou”, afirmou Mascarenhas.

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