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criticou a postura de sari 12.06.2020 | 14h51

Em carta à ex-patroa, mãe de Miguel diz que a perdoar seria matar o filho de novo

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Reprodução/Record TV

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Mirtes Renata, mãe de Miguel Otávio, de 5 anos, que morreu ao cair do 9º andar de um prédio no Recife afirmou, em carta, que não tem rancor da patroa Sari Corte Real apesar de não ter recebido nenhum pedido de desculpas. "A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição", escreveu.

 

A patroa estava com o garoto enquanto a doméstica passeava com os cachorros da família. Ela deixou a criança sozinha e ainda apertou o botão do elevador para que ele subisse mais andares no prédio a procura da mãe.

 

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"Eu não tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem é mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo “mamãe” quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias", desabafou Mirtes.

 

Sozinho, Miguel acessou a área de ar-condicionado do prédio de alto padrão e escorregou do nono andar. As marcas da sandália ficaram em destaque.

 

De acordo com Mirtes, "quando eu grito que quero justiça, isso significa que eu preciso que alguém assuma a minha dor, lute minha luta. Eu não tenho forças neste momento, não tenho vida!"

 

Para a mãe de Miguel, houve diferença no tratamento da criança por ele ser filho da doméstica da família: "Sabemos que ela não trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência por ser filho da empregada."

 

Sobre perdoar Sari, Mirtes acredita que só conseguirá quando a responsável for punida pelo que fez. "É desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente".

 

O caso

Três perícias foram realizadas no prédio, mas, segundo a mãe, não foi feita nenhuma solicitação das sandálias de Miguel para fazer testes comparativos. "Não entra na minha cabeça que Miguel escalou aquela parede. Um adulto não sobe ali sozinho, não", afirmou a mãe da criança. O zelador e o ex-síndico do prédio foram ouvidos pela polícia.

 

A empregada ainda confessou saber de sua participação na folha de pagamento da Prefeitura de Tamandaré, cidade do litoral sul de Pernambuco, administrada pelo patrão dela, o prefeito Sérgio Hacker. “Não pensava que era errado porque não só eu, mas tinham também outras pessoas que trabalhavam para prefeitura”.

 

Sari Corte Real foi indiciada por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas vai responder em liberdade após pagar fiança de R$ 20 mil.

 

Veja a íntegra da carta

"SOBRE O PERDÃO PEDIDO POR SARI

Eu não recebi qualquer pedido de desculpas. A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição.

 

Eu não tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem é mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo “mamãe” quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel?Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias.

 

Quando eu grito que quero justiça, isso significa que eu preciso que alguém assuma a minha dor, lute minha luta, seja o destilado da cólera que eu não quero e nem posso ser. Eu não tenho forças neste momento, não tenho chão. Não tenho vida!

 

Após poucos dias é desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Afinal, sabemos que ela não trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência por ser “filho da empregada”.

 

Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente.

 

Mirtes, mãe de Miguel (carta escrita com auxílio do advogado constituído)"

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