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sonhava ser piloto 16.06.2020 | 14h24

Família acusa polícia da morte de jovem encontrado com sinais de tortura em SP

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Reprodução/Facebook

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Enquanto a Vila Clara, na zona sul de São Paulo, ardia em protestos na madrugada desta terça-feira (16), após a morte de Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, ocorrida na madrugada do domingo (14), a mãe do garoto, Joice Silva, não conseguia conter o choro. O choque é a única sensação que resta a ela e aos familiares, que só puderam reconhecer o corpo do menino pelas tatuagens que levava no peito, com os nomes do pai e da mãe.

 

Na noite da segunda-feira (15), ao acompanhar a avó até a casa, o adolescente foi abordado por agentes privados contratados por um estabelecimento próximo da residência da família de Guilherme. Segundo os membros Comissão de Direitos humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Arnóbio Rocha e Ítalo Cardoso, o jovem foi morto e torturado. "Tivemos relatos que ele foi barbaramente torturado. Ele foi atingido com pelo menos dois tiros e o corpo tinha ferimentos na nuca, na boca, no rosto, o que leva a crer que ele apanhou antes de morrer."

 

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O reconhecimento do jovem só foi possível, segundo os membros da Comissão da OAB, por meio de fotos. As tatuagens que levava no peito com os nomes do pai e da mãe ajudaram a tia a identificar Guilherme. "É mais um garoto negro da periferia e pobre. As coisas não podem ficar pela metade, paradas, sem explicação", afirmou Rocha.

 

O desespero de Joice é acompanhado pelos pedidos de Justiça que ecoam nos gritos de familiares, vizinhos e amigos na comunidade que se manifestam pela vida do garoto que queria ser piloto de avião.

 

"O Guilherme era uma pessoa tranquila, gostava de animais, especialmente de cachorros”, diz uma prima que prefere não se identificar. “Ele costumava frequentar um parque aqui perto e uma pracinha para se divertir com os amigos. Nunca se meteu em briga.”

 

A prima afirma que Guilherme ajudava os familiares da forma que podia. “Ele estava sempre com a mãe e com a avó. A mãe tinha acabado de abrir um negócio de entrega de marmitas e ele estava ajudando nas vendas.”

 

Guilherme estudava e ajudava a mãe a cuidar dos quatro irmãos mais novos. “A gente cresceu juntos, todos no mesmo quintal. Ele era bem tímido e fechado, mas quando pegava amizade com alguém ficava bem próximo.”

 

Entre todas as pessoas de quem era próximo, a avó era quem mais desfrutava da companhia do neto. Na noite em que desapareceu, Guilherme tinha ido acompanhar a avó até a casa em que viviam. “Eles sempre foram unidos, na maioria das vezes dormia lá e, outras vezes, dormia na mãe”, diz a prima.

 

A última lembrança que a família tem de Guilherme é que o menino sairia para comprar coxinhas. Depois teria encontrado um amigo e parado para conversar. "Encontramos ele ontem no IML às 9h. Antes disso, a mãe dele ainda tinha esperanças que que ele estivesse vivo. Agora, ela está em estado de choque, só chora."

 

Os advogados da OAB estiveram na comunida da Vila Clara desde a tarde da segunda-feira para conversar com amigos e familiares do jovem. "Aparentemente, Guilherme teria sido abordado por policiais que trabalham como seguranças privados fora do expediente. Não foi uma ação da polícia na comunidade. Seriam seguranças privados. Mas isso está em apuração."

 

De acordo com relatos locais obtidos pelos advogados, os seguranças estariam perseguindo garotos quando se depararam com Guilherme, parado em frente a casa da avó. "Havia um galpão de produtos vencidos, onde os garotos costumavam ficar, e os seguranças deram alertas e atiraram para cima e foram atrás", disse Rocha. "Foi uma ação desastrosa que acabou em uma tragédia."

 

Os protestos ocorridos durante a madrugada foram espontâneos, segundo os advogados. "Jovens souberam da morte do Guilherme e houve uma revolta espontânea que fechou ruas e deixou ônibus queimados. A polícia foi a todo vapor, batendo nos moradores, o que nos pareceu bastante exagero."

 

O que diz a polícia

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou, por meio de nota, que o caso foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que a Polícia Militar também acompanha a apuração e se for comprovada participação policial, as medidas cabíveis serão adotadas.

 

Por meio de nota, a Polícia Militar afirmou que "auxilia as investigações da Polícia Civil, através da Corregedoria e Batalhão Territorial, para elucidação do desaparecimento do jovem, e que dois homens civilmente trajados teriam raptado o jovem que foi encontrado morto horas depois."

 

Segundo a PM, não há indícios até o momento da participação de qualquer policial e o nome encontrado não pertence inicialmente a nenhum policial que trabalha na região e horário dos fatos, e todas hipóteses estão sob apuração.

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