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dados do mpe 27.10.2019 | 12h05

43 imóveis têm risco têm risco iminente de desabar

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

Paredes desmoronando, parte do teto sem cobertura, rachaduras e infiltrações. Essas são algumas das características de 43 imóveis localizados no Centro Histórico de Cuiabá e apontados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) com risco de colapso a qualquer momento.

 

Estes prédios fazem parte de um relatório parcial realizado pelo instituto, que aponta que 98 imóveis localizados na região estão abandonados. O documento foi apresentado em audiência pública realizada no Ministério Público Estadual (MPE). Além dos elencados como contendo risco de cair, outros 55 devem passar por vistoria. 

 

Pessoas que ainda moram nos imóveis condenados relatam falta de condições financeiras para realizar a recuperação e abandono por parte do poder público. Quem passa pela praça do Rosário, na Capital, se depara com várias casas ainda estruturadas nos moldes coloniais.

 

E dentre essas residências está a de número 151, onde mora a idosa Eunice Leite de Figueiredo, 82, e seu filho de 59 anos. A casa, que pertencia ao sogro de Eunice, era grande e, após sua morte, o Iphan teria ido até o local e dividido o imóvel em 3. Porém, todas fazem parte do mesmo quintal. 

 

“Eu fiquei com o lote do meio, que está literalmente acabando. Na última tempestade mesmo, quase fui atingida por um pedaço da parede que caiu”, conta a idosa apontando para a parede danificada. 

 

A casa de Eunice, como as outras duas que fazem parte do mesmo imóvel, são feitas, na maior parte, de taipa de pilão socado e adobo, materiais semelhante à terra, que absorvem toda a umidade do entorno e, por isso, é danificada facilmente. A idosa vive em apenas três peças, sala, cozinha e um quarto, as quais estão todas danificadas, com rachaduras e parte já desmoronada. 

 

“No quarto mesmo, o último remendo foi eu e ela que fizemos. Nós preparamos o cimento e passamos na parede, antes que ela caísse em cima dela, enquanto dormia”, contou a filha de Eunice, Araly Fátima de Figueiredo, que apesar de não morar no local, sempre a visita, justamente por medo do que pode acontecer à mãe. 

 

Além da estrutura antiga e totalmente danificada, existe um sério problema de alagamento na casa durante o período chuvoso. Isso porque no bairro ainda é sistema de fossa e não há rede de captação pluvial. Por isso, quando chove, o sistema existente não comporta e a água volta para dentro da residência. Além disso, o fato de o quintal ser mais alto que o nível da casa, também colabora para que a água da chuva escorra para dentro do imóvel.

 

“A qualquer momento essa casa vai cair sobre a minha cabeça. Meu sonho é arrumar aqui, mas não tenho condições. O Iphan vem todos os anos aqui, faz fotos, promete reestruturação, mas nunca arrumaram uma telha”, lamenta a idosa.

 

Lindinalva Figueiredo, 73, é vizinha e cunhada de Eunice. Ela mora na casa 149, também classificada com risco de colapso. Apesar de reconhecer que a casa é antiga e precisa de reparos, ela fala que a estrutura ainda é melhor que muita casa de alvenaria. 

 

“As paredes são grossas, aguentam muito tempo ainda. Nasci aqui, vou morrer aqui e meus netos ainda vão desfrutar dessa casa”. Figueiredo lembra que o pai adquiriu a casa de garimpeiros, em 1930, e dizia que no local funcionava uma “casa de movimento” (bordel). 

 

Ela faz questão de enfatizar que mora em um lugar privilegiado, mas assim como Eunice, lamenta os alagamentos constantes e as infiltrações que surgem justamente por conta do material usado para a construção. 

 

“É como se fosse uma areia, uma terra socada. Absorve muita água”. Lindinalva diz que cuida com carinho da casa, para que ela ainda dure muitos anos mais. Entretanto, frisa que falta atenção por parte dos órgãos competentes quanto à reestruturação do Centro Histórico da Capital. 

 

Vários outros imóveis localizados na Praça do Rosário constam com risco de desmoronamento, entre eles o de número 65, onde ocorreu um incêndio em setembro de 2018. Na época, uma família residia no local, mas ninguém se feriu. Atualmente a casa está sem telhado e as paredes estão totalmente danificadas. 

 

Já na rua Pedro Celestino, 17 imóveis foram elencados no levantamento do Iphan e, destes, 6 têm risco de colapso. Os demais ainda não foram avaliados. Dentre estes está o prédio de número 360, o qual a parede da frente desmoronou e está servindo de moradia para usuários de drogas. 

 

Na mesma rua, é possível encontrar outros prédios condenados, como o Casarão do Beco Alto e os que fazem vizinhança com ele dos dois lados. Paralelo à rua Pedro Celestino, está a rua 7 de Setembro, onde está localizada a Gráfi ca do Pepe, também com risco de colapso. Outros imóveis que podem desmoronar a qualquer momento podem ser encontrados na rua Engenheiro Ricardo Franco.

 

Aqui existem casas com mais de 300 anos, é uma tristeza enorme ver tudo se perdendo assim, e o poder público não fazer nada”, diz o barbeiro Eurides Gonçalves da Costa, 75, que trabalha na região há 50 anos. Ele conta que ali mantém uma freguesia fiel e já viu muitos dos clientes morrerem com o desejo de reformar o imóvel que tinham no Centro Histórico.

 

“Precisam destinar recursos para nosso centro, esses imóveis contam a história da Capital de Mato Grosso”.

 

Outro lado 

 

Segundo o secretário de Cultura, Esporte e Turismo de Cuiabá, Francisco Vuolo, o Município tem um projeto de recuperação de 16 equipamentos do Centro Histórico. Isso inclui, prédios, praça e casarões e também a parte de infraestrutura, como o recapeamento do asfalto.

 

A ação acontece de forma pontual em parceria com o Iphan e também instituições privadas. Vuolo explica que há obras que já foram entregues como as praças Alberto Novis, Senhor dos Passos e Mandioca. Além da Escadaria do Beco Alto, Misc e o Casarão. 

 

Ainda estão em execução o prédio do Iphan, a Casa de Bem Bem. A pasta também iria fazer a recuperação da Casa Procon, mas foi encontrado um poço artesiano no local e a obra está sendo transferida para a Secretaria de Meio Ambiente. 

 

“Estamos projetando um plano de gestão para o Centro Histórico e este está sendo feito com todas as atenções necessárias, já que as diretrizes têm que ser tratadas para os próximos 30, 50 anos”, explicou Vuolo.

 

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