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tratamento controverso 02.06.2020 | 18h50

Alta procura por hidroxicloroquina prejudica pessoas com lúpus e outras doenças

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

Pacientes que fazem tratamento com hidroxicloroquina relatam preocupação com a falta do medicamento no mercado. Há pelo menos dois meses, o remédio não consta nas prateleiras das principais farmácias, o que aflige pessoas que fazem uso contínuo da medicação e precisam dele todos os dias.


A jornalista Sandra Amorim tem lúpus, doença inflamatória autoimune. Se não tratada, pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, como pele, articulação, rins e cérebro. Além das doenças autoimunes, a cloroquina pode ser utilizada no tratamento da malária e artrite reumatóide.


Há 6 anos ela faz o tratamento com a hidroxicloroquina, mas conta que o remédio começou a faltar nas farmácias no final de março, quando o presidente Jair Bolsonaro anunciou que ele seria eficaz no combate ao coronavírus.

 

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Em março, a doença já estava começando a avançar no país – no dia 27, havia 92 mortes. Atualmente, mais de 29.000 pessoas morreram. No entanto, ainda não há comprovação científica de que a hidroxocloquina de fato cure pacientes de covid-19.


“Quando ele falou isso, pessoal correu pra comprar. A hidroxicloroquina era uma receita comum, apesar de ser uso contínuo, era uma prescrição comum e as farmácias vendiam. Como houve essa correria depois do anúncio do governo, o próprio governo determinou que devia ser uma receita de prescrição branca, com duas vias, para frear essa compra indiscriminada”, relata.


Apesar de ter normalizado o estoque, após a saída do segundo ministro da Saúde, Nelson Teich, um artigo foi baixado, autorizando o uso da hidroxicloroquina para tratamento do novo coronavírus, prescrita por médicos para quem está internado. As duas vias da compra também foram mantidas, porém, o medicamento voltou a sumir das prateleiras.


“Não entendo porque falta, porque apesar de autorizar para o uso de covid, prescrita pelos médicos pra quem está internado, continua a exigência de duas vias, na farmácia e no varejo”, disse Amorim. Ainda de acordo com ela, que acompanha grupos no Facebook de pessoas com lúpus, o remédio está faltando em várias cidades no país.


A hidroxicloroquina custa, em média, R$ 90. Em falta até mesmo nas farmácias de manipulação, a jornalista teve que recorrer à farmácia de alto custo. Fora a hidroxicloroquina, ela também pode fazer tratamento com a azatioprina, que é um imunossupressor. Mesmo assim, os dois remédios estão passando por controle de compra.


A maior preocupação de Amorim é que não falte a hidroxicloroquina para quem quer que seja, desde paciente de coronavírus ou que está em tratamento contra o lúpus, que não tem cura.


“Fui sexta na farmácia de alto curso e está tendo hidroxicloroquina. Minha preocupação, não só como portadora de lúpus, mas como jornalista e comunicadora, é de que está faltando no mercado. Ainda consigo tentar na farmácia de alto custo, mas logo pode desaguar nas outras farmácias. Como vão fazer?”, questiona.

 

Além disso, a jornalista alerta para os efeitos colaterais do medicamento. A medicação não é isenta de riscos e pode causar arritmias cardíacas (potencialmente fatais), pancreatite, hepatite e problemas na retina e outros efeitos colaterais. Por fazer uso contínuo, ela precisa, por exemplo, comparecer anualmente no cardiologista e a cada 6 meses no oftalmologista.

 

Outra jornalista, também paciente lúpica, comenta que faz uso da medicação há 7 anos e começou a perceber a escassez dela no início da pandemia do novo coronavírus. Até então, ela nunca teve dificuldade para comprar a hidroxicloroquina.

 

“Desde que eu comecei a tomar nunca faltou, sempre comprei com muita facilidade, só chegava e pedia. agora precisa de receita especial, de duas vias. Há uns 3 meses eu fui comprar e não tinha, bem no começo do boato de que ele servia pra covid”, relembra.

 

Como alternativa, ela tentará buscar a medicação nas farmácias de manipulação, contudo, o preço é mais caro. “Me disseram que ainda tem matéria prima. Algumas já não tem mais, porém, é bem mais caro. Eu pago numa caixa de 30 comprimidos uns R$ 70. Uma amiga pagou R$ 297,00 em 60 comprimidos”.  


Farmácias
A reportagem do entrou em contato com a Farmácia da Unimed. Conforme o atendente, tanto o requinol, quanto o genérico hidroxicloroquina estão em falta há pelo menos dois meses. Nem mesmo a distribuidora da farmácia tem o medicamento e tampouco há previsão de reposição.


A Farmácia Rede do Povo, por sua vez, relatou que a medicação foi retirada de circulação, até mesmo da distribuidora. Agora, quem precisa fazer tratamento com a hidroxicloroquina, precisa ir diretamente ao hospital e retirar com um médico.

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