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EMPRESA SUSTENTÁVEL 04.10.2020 | 08h50

Amigos criam empresa e transformam lixo orgânico em adubo e biofetilizante

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João Vieira

João Vieira

Um dos primeiros impactos que a professora gaúcha Juliana Toazza Grossi, 33, sentiu ao chegar em Cuiabá – fora o calor – foi a deficiência do serviço da coleta de lixo da prefeitura, que não faz distinção entre orgânicos, recicláveis, molhado e seco, por exemplo. Mas, dentro da sua rotina de consciência ambiental, buscou ajuda para o descarte correto do lixo orgânico que produz em seu apartamento.  

 

“Sempre tive essa preocupação com o meio ambiente e cresci fazendo a separação do lixo. Estou há dois anos aqui e na minha antiga cidade, no Rio Grande do Sul, já existia por parte da prefeitura a coleta seletiva do lixo. Então, aqui eu fiquei bem chocada quando descobri que não tinha isso, que o lixo era todo misturado mesmo”, lembra.  

 

Apesar de continuar separando os resíduos, acabava que o descarte acontecia no mesmo lugar e parava nos caminhões que fazem a rota da coleta na cidade. Com a ajuda de uma amiga, conheceu uma empresa de compostagem, que há 4 meses tem ajudado na conscientização da reciclagem do lixo orgânico e na importância da compostagem desse material.  

 

Os cuiabanos e amigos de infância Pedro Brandão e Vitor Pegorini seguiram profissões diferentes. O primeiro é engenheiro e o segundo arquiteto, mas juntos já tinham vontade de trabalhar em prol do meio ambiente e foi aí que surgiu a ideia de otimizar o processo de compostagem para quem já tinha o interesse, mas faltava tempo.  

 

“Sempre gostei de trabalhar com a sustentabilidade. Em Londrina, eu já separava o meu lixo e construí uma composteira para fazer em casa mesmo. Eu e o Pedro queríamos que as pessoas fizessem a compostagem, mas não conseguíamos vender a ideia, foi aí que criamos a empresa para facilitar isso para as pessoas”, contou Vitor.

 

João Vieira

Fotos / Compostagem / Juliana Toazaza Grossi / Pedro Brandão e Vitor Pegorini

 

Maneira inteligente de destinar o resíduo orgânico

Há 4 meses, a Verdebelo Compostagem tem ofertados planos para quem busca o serviço. Um baldinho de 18 litros é entregue para o cliente depositar o descarte orgânico e a coleta acontece semanalmente, bem como a pesagem do que foi produzido – e logo vamos entender o por que.

 

Pedro lembra que desde cedo somos ensinados que a reciclagem é voltada para produtos que levam mais tempo para se decompor nos ambientes, como plástico e alumínio, por exemplo. “Os orgânicos foram deixados de lado, como se pudessem ser jogados em qualquer lugar. Mas, como muitas pessoas produzem esse lixo, e concentrando nos aterros ou lixões, acabam produzindo chorume muito e misturado com outros contaminantes, isso complica ainda mais a situação da poluição”.

 

Então, a compostagem é uma das saídas para o lixo orgânico. “É importante trazer o orgânico para o protagonismo da reciclagem, já que sem isso, ele polui e produz gases tóxicos muito rápido. A compostagem, além de transformar em adubo, reduz o gás metano emitido no ar em até 10 vezes, sendo a forma mais inteligente de destinar o resíduo orgânico. Sem contar que tem gerado emprego e renda”.

 

Transformação

Depois de recolher o baldinho na casa dos clientes, a dupla segue para uma área da empresa onde ocorre o tratamento do resíduo. “É uma local que precisa de licenciamento ambiental para exercer a atividade. O resíduo recolhido é transformado em adubo orgânico e biofertilizante”, explicou Pedro.

 

João Vieira

Fotos / Compostagem / Juliana Toazaza Grossi / Pedro Brandão e Vitor Pegorini

 

Para isso, a compostagem precisa passar dos 70ºC, não atraindo nenhum vetor. Também não há odor e toda a transformação dura 4 meses. “A primeira leva do adubo ainda está em produção. Depois, a gente entrega como recompensa aos clientes uma muda e o adubo é levado para viveiros, áreas de plantação”, contou.

 

Esse ‘mimo’, é uma maneira de o cliente entender na prática o fechamento do clico da matéria orgânica que o resíduo percorre até se transformar. Além disso, recebem um relatório com base na quantidade de lixo produzido, também com o objetivo de impactar o cliente.

 

“Mostramos que, com a compostagem, o quanto a pessoa deixou de emitir em gás carbônico na atmosfera, bem como o número de árvores que seriam necessárias para consumir todo esse gás que seria emitido com o descarte irregular. Como muita gente não consegue entender o impacto ao meio ambiente, com número e exemplos, fica mais fácil para visualizar e refletir sobre suas ações”, explica os amigos.

 

Vitor ressalta que, dependendo da quantidade de lixo produzida por uma pessoa, também serve como alerta para o estilo de vida que se leva. E é por isso que seus clientes vão desde os 25 anos até acima dos 50.

 

“São pessoas mais conscientes e conectadas com a natureza. Mas, também temos pessoas que não tinham nenhum conhecimento, mas entenderam a compostagem como uma forma de ajudar. E essas ações são voltadas para todas as pessoas, todos os tipos de ambientes, famílias. Onde estiver gerando lixo”, destacou Pegorini.

 

Para eles, Cuiabá ainda carece de políticas públicas voltadas ao meio ambiente e de ações mais sustentáveis. Um dos projetos dos amigos que vai se concretizar nos próximos meses é, na verdade, uma parceira com o Horto Florestal.

 

“Vamos entregar parte do adubo produzido para o horto, que nos doará mudas e plantas para ajudar na arborização da cidade”, finalizaram, com esperança no despertar coletivo para as práticas sustentáveis na população e de que Cuiabá seja novamente a ‘Cidade Verde’. 

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