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DEU EM A GAZETA 24.02.2026 | 06h51

Aos 111 anos, idoso precisa provar que está vivo

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Chico Ferreira

Chico Ferreira

Aos 111 anos, José Calazans de Lima faz peregrinação entre Santo Antônio de Leverger e Cuiabá para provar que está vivo, após os sistemas oficiais o considerarem falecido e bloquearem sua aposentadoria. Sem saber ler e de família humilde, o salário mínimo faz falta na vida do idoso centenário, que desafia os limites do próprio corpo para enfrentar a burocracia e reconquistar o próprio direito.  

 

Leidiane da Silva Lima, filha de José, é quem sempre acompanhou e foi responsável por receber a aposentadoria do pai. Ela conta que até janeiro estava tudo normal, mas no mês de fevereiro nenhum valor foi liberado.  

 

“Fomos duas, três vezes ao banco e nada. Peguei papai e levei no banco e falaram que tinha que ir na Receita Federal. “Pegamos papai, arrumamos um carro, levamos papai lá na Receita Federal, em Cuiabá, e quando chego lá mandam procurar o cartório. Fomos lá e cadê o atestado de óbito? Não tem, mas está dando como morto. Lá no banco mesmo me falaram ‘Seu pai já está falecido’, mas eu falei ‘como que meu pai está falecido se meu pai está na sua frente agora?’”, relata Leidiane.  

 

A situação gerou angústia na família, que é moradora de Santo Antônio de Leverger e tem realizado muitas idas e vindas até a Capital para tentar resolver o problema. Um documento da Receita Federal mostra que a situação cadastral do CPF do idoso é de que foi cancelado e, com isso, a aposentadoria foi retida no banco e seu cartão para saque foi cancelado.  

 

“É difícil fazer toda essa mobilização para levar ele para os lugares, essa burocracia toda foi difícil, tivemos que contar com ajuda das pessoas”. A família conta que a locomoção entre os municípios pode custar até R$ 400, um valor que faz falta em casa.  

 

O valor retido em fevereiro foi liberado este mês, mas o problema continua. Foi informado aos familiares que também consta no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que José Calazans de Lima está morto. “Temos que ir no INSS para mostrar que ele está vivo, para poder fazer tudo de novo. Se não, mês que vem não vai sacar”.  

 

Leia a reportagem completa na edição de A Gazeta

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