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contra misoginia 29.05.2026 | 18h46

Ato reúne comunidade da UFMT pela expulsão de alunos envolvidos em 'lista de estupráveis'

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Laisa Stofel

laisa@gazetadigital

Laisa Stofel/Gazeta Digital

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Estudantes, professores, técnicos administrativos e representantes de movimentos sociais participaram, na tarde desta quinta-feira (29), de uma caminhada contra a misoginia e todas as formas de violência na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. O ato foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) após a repercussão do caso da chamada “lista de estupráveis”, que resultou na suspensão de dois alunos da instituição e na abertura de processos disciplinares.

 

A mobilização teve concentração na sede do DCE, no Restaurante Universitário (RU), e percorreu áreas do campus. Os participantes cobraram punição aos envolvidos, defenderam o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres e protestaram contra episódios recentes de violência registrados no ambiente universitário.

 

O vice-reitor da UFMT, que acompanhou a manifestação, afirmou que a universidade segue os procedimentos administrativos previstos em suas normas internas para apurar o caso.

 

“Foi formada uma comissão e ela tem toda a liberdade para apreciar e também procurar investigar os fatos para assegurar a melhor investigação possível, observando a ampla defesa e o contraditório”, afirmou.

 

Leia também - PF abre procedimento disciplinar contra agente acusado de ameaçar estudantes.

 

Ainda, a comissão conta com representantes das três categorias da comunidade universitária e tem prazo inicial de 60 dias para concluir os trabalhos, podendo haver prorrogação caso seja necessário. A reitora da UFMT, Marluce Silva, afirmou que a legislação interna prevê desde advertências até a expulsão dos estudantes suspensos, dependendo da conclusão da comissão disciplinar.

 

“A comissão pode dizer que esse é um fato leve, médio, grave ou gravíssimo. É muito provável que a decisão da comissão seja de que esse fato é gravíssimo. E aí é a expulsão, o desligamento definitivo da universidade”, declarou a reitora.

 

Para a estudante de História e militante do Movimento de Mulheres Olga Benário, Raissa Piovani, o episódio evidencia um problema que ultrapassa os limites da instituição de ensino.

 

“Esse caso expõe o nível em que a gente está de violência contra as mulheres no nosso estado. A violência contra as mulheres, a misoginia e o feminicídio são problemas sociais que respingam dentro da universidade”, afirmou.

 

Segundo ela, a manifestação busca pressionar pela expulsão dos estudantes investigados, mas também promover um debate mais amplo sobre medidas de prevenção e enfrentamento da violência de gênero.

 

Representando a administração superior da UFMT, a pró-reitora de Graduação, Luciane de Almeida Gomes, afirmou que a universidade tem ampliado mecanismos de acolhimento e denúncia para vítimas de violência e discriminação. Destacando a criação da Secretaria de Direitos Humanos e da Sala Lilás, espaço voltado ao acolhimento de vítimas.

 

“A gente tem recebido um número muito grande de denúncias. Quando você abre canais seguros de denúncia, esses casos começam a surgir e a serem denunciados com maior segurança pelas vítimas. Nós estamos aqui. Acho que isso prova o nosso compromisso com a luta dos estudantes, porque essa não é uma luta só dos estudantes, é uma luta de todos nós”, declarou.

 

O diretor-geral da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat), professor Breno Santos, classificou a elaboração da lista como uma forma de violência contra as mulheres e defendeu a responsabilização dos autores.

 

“Nós consideramos que é um ato de violência contra as mulheres. Num estado como Mato Grosso, que é recordista em violência contra a mulher e feminicídio, não podemos aceitar ações que coloquem a integridade física, a humanidade e a dignidade das mulheres em risco”, afirmou.

 

O caso 

A mobilização acontece enquanto se investigam os estudantes de Direito e Engenharia que supostamente criaram uma “lista de estupráveis”. Depois de identificar os envolvidos, a UFMT suspendeu dois estudantes e eles começaram a responder a processos disciplinares.

 

Além da investigação interna, o caso teve novos desdobramentos após alegações de que o agente federal Adriano Soares de Lima, pai de um dos estudantes suspensos, teria intimidado os alunos que fizeram as denúncias. De acordo com a Polícia Federal, em colaboração com a Corregedoria Regional, foi iniciado um processo disciplinar para investigar a conduta do agente. O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil.

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