valor histórico 14.02.2021 | 07h15

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Chico Ferreira
Um patrimônio tombado por ter sido um local de acolhimento no passado, agora se tornou mais uma construção bicentenária abandonada pelo Poder Público. A Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, localizada no centro de Cuiabá, foi ofuscada pelo descaso de rachaduras, esgoto a céu aberto, falta de iluminação e poda das árvores.
Moradores da região têm reclamado da situação da igreja há pelo menos um ano, além da comunidade católica. De acordo com o padre Edimilton Motta, os frequentadores da igreja já acionaram a prefeitura, mas o problema ainda não foi resolvido.
Pároco da Boa Morte há apenas 5 meses, ele explica que o maior problema da igreja são as rachaduras, provocadas provavelmente pelas raízes das árvores. “Essas rachaduras já têm há bastante tempo, agora não sei se de repente é por causa das raízes das árvores, ou problemas mais complicados”.
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Sem a poda adequada das árvores, as raízes quebraram as calçadas de pedras portuguesas, provocando rachaduras no interior da igreja. Centenária, as paredes são de taipa socada, o que pode provocar um problema imensurável, já que se trata de um imóvel tombado.
“Ela é tombada pelo Iphan e eu estou na igreja há 5 meses como responsável, estou conhecendo as coisas ainda. Tenho problema de coluna, então não tenho tempo de ver muita coisa”, lamenta o pároco.
Fora as rachaduras que abrem a igreja, o esgoto é outro problema que prejudica moradores e comerciantes no local, já que fica próxima da rua Cândido Mariano, também conhecida como “rua das óticas”, que fica tomada pelo mau cheiro.
Já o problema da iluminação, o próprio padre reconhece ser delicado, uma vez que a prefeitura já fez a troca das lâmpadas, porém, a população não colabora. “A iluminação foi trocada, mas os moradores de rua quebraram tudo, para deixar o local escuro”.
Igreja bicentenária
A igreja da Boa Morte foi inaugurada em 1810, segundo escreveu o historiador Suelme Fernandes. Em Cuiabá, a vila era cercada por 10 templos católicos entre o séc. XVIII e XIX.
Além disso, as igrejas na época da Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá eram definidas em alguns casos de acordo com a localidade, status social e político da comunidade: a matriz do Bom Jesus de Cuiabá era a igreja dos brancos; a igreja de São Benedito, dos negros e Nossa Senhora da Boa Morte a igreja dos pardos.
Conforme explica o historiador, a Boa Morte sofreu ao longo dos seus 210 anos de existência apenas 3 modestas restaurações: uma na década de 1960, na fachada e nave central; em 2006 pelo Estado de Mato Grosso, que recuperou o telhado; e por último em 2009, em que o Iphan fez reparos pontuais, troca do reboco com reforço e correção de rachaduras e infiltrações, além de algumas reformas das instalações elétricas e hidráulicas, além da pintura geral.
Esta é a única igreja tombada pela portaria 75/1987 de 22/04/1987 da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso que nunca sofreu uma restauração completa.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Cuiabá, que informou que a Igreja da Boa Morte é zelada pelo Governo do Estado. A poda das árvores será avaliada pela secretaria. Veja a nota na íntegra:
"A Prefeitura de Cuiabá informa que a Igreja da Boa Morte é tombada pelo Governo do Estado de Mato Grosso, portanto, cabe a ele a avaliação das condições estruturais do imóvel e devidas providências. Caso seja comprovada a necessidade de poda ou de retirada de alguma árvore do local, o município a realizará prontamente, mediante solicitação, que deve ser encaminhada para a Empresa Cuiabana de Limpeza Urbana (Limpurb), contato pelos telefones (65) 3645-5500 e (65) 9 9299-6710".
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