Publicidade

Cuiabá, Quinta-feira 22/10/2026

Cidades - A | + A

SEGREDOS DA FLORESTA 22.10.2026 | 08h38

Camu-camu ou Myrciaria dúbia volta ao radar da pesquisa na RPPN Cristalino

Facebook Print google plus

Reprodução

Reprodução

Frutífera amazônica é uma potência em vitamina C. Estudo da Unesp mapeia populações da espécie no arco do desmatamento e testa seu cultivo em terra firme, com o objetivo de gerar renda para as comunidades locais.

 

Parente amazônica da jaboticaba, a frutífera Camu-camu — batizada cientificamente de Myrciaria dúbia — concentra de 20 a 30% mais vitamina C do que a acerola, referência mundial nesse nutriente, e está sendo resgatada pela ciência. Ela é alvo de uma pesquisa de mestrado do Programa de Pós-graduação em Agronomia (PPGA) da Universidade Estadual Paulista ‘Júlio de Mesquita Filho’ (Unesp) – Câmpus de Ilha Solteira. A frutífera também é conhecida popularmente como: Araçá-d’água ou Caçari.

 

Coordenada pelo professor e pesquisador Dr. Antonio Flávio Arruda Ferreira é executado pelo engenheiro agrônomo e mestrando, Marcelo da Silva Luiz, ambos da linha de pesquisa em ‘Genética, Melhoramento Vegetal e Propagação de Plantas’ do PPGA da Unesp, a investigação segue até dezembro de 2027. O objetivo vai além do laboratório: transformar o conhecimento sobre a fruta em fonte de renda e benefício para comunidades ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares da região.

 

Duas frentes de estudo

A pesquisa se desenvolve em duas frentes complementares. A primeira avalia a divergência genética e as variações morfofisiológicas das populações de Camu-camu localizadas no arco do desmatamento, no Cristalino — mais especificamente nas RPPNs, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural. A segunda testa a capacidade de germinação e crescimento das mudas para estudos do potencial produtivo da espécie em terra firme, fora do seu habitat natural.

 

A escolha do arco do desmatamento e das reservas particulares não foi por acaso. O objetivo é demonstrar que é possível conservar a espécie sem uso predatório, fazendo seu manejo correto, e destacar o papel das RPPNs como áreas de preservação — além de tentar tornar a frutífera produtiva fora das margens do rio.

 

Nas margens do Cristalino

Entre os dias 11 e 14 de outubro, Marcelo esteve em campo na RPPN Cristalino quando percorreu as margens do rio — onde se concentram os frutos —, mapeou todas as matrizes nativas, com a localização de cada planta georreferenciada por satélite e registrada no GPS, e coletou os frutos.

 

O próximo passo é verificar o grau de parentesco entre os indivíduos ao longo das margens. A pergunta que orienta o trabalho é: uma única planta matriz teria originado todas as outras? Em paralelo, os frutos coletados passarão por caracterização física e química em laboratório, com foco no teor de vitamina C e de antocianinas — compostos de grande interesse para as indústrias cosmética e farmacêutica —, medidos tanto na casca quanto na polpa.

 

Da várzea para a terra firme

“O camu-camu é uma espécie praticamente de várzea”, explica o pesquisador Marcelo da Silva Luiz — ela cresce naturalmente em regiões alagadas ou que ficam alagadas em algum momento do ano. “O desafio da segunda frente do estudo é justamente tirá-la desse ambiente: as sementes passarão por germinação fora da região alagada e as plantas serão submetidas a testes de luminosidade e sombreamento com telas sombrite preta, vermelha e termorrefletora (prateada). Serão analisados o crescimento e as características fisiológicas das mudas”, complementa.

 

Ciência que vira renda

Os resultados, fruto da parceria com a Fundação Ecológica Cristalino (FEC), devem gerar publicações científicas, materiais de divulgação e cartilhas de plantio, explicando como plantar e manejar a espécie e qual o objetivo do cultivo. A motivação, segundo a equipe, é a escassez de informação: mesmo em sites da Embrapa, os materiais disponíveis sobre o cultivo são pouco claros.

 

“Poucas pessoas no Brasil sabem que essa planta existe”, ressalta. “A gente vai trazer novamente a visibilidade para essa fruta, porque ela merece.”


A consultora em Pesquisa e Gestão das Reservas Cristalino, Mayara Gomes Correa, explica que a FEC apoia a realização de pesquisas científicas nas RPPNs Cristalino, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e suas possibilidades de conservação. “O estudo do camu-camu, espécie nativa da região, permitirá conhecer melhor a variabilidade genética das populações presentes nas reservas e avançar no desenvolvimento de técnicas para a produção de mudas. Os resultados poderão orientar ações de conservação da espécie, restauração ecológica e cultivo sustentável. Ao apoiar pesquisas como essa, a Fundação Ecológica Cristalino fortalece a produção científica e incentiva a geração de conhecimentos que vão além dos seus limites e podem beneficiar tanto a conservação da natureza quanto as comunidades do entorno”.

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Pessoas ainda defendem o livre acordo entre patrão e empregado. Você acha possível?

Parcial

Publicidade

Edição digital

Quinta-feira, 22/10/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.