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CHUVA SÓ EM SETEMBRO 15.08.2026 | 15h00

Com cidades entre as mais quentes, calor segue no Estado e especialista explica cenário

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Helena Werneck - Especial para o GD

redacao@gazetadigital

Montagaem GD

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Mato Grosso atravessa um período de calor intenso e baixa umidade, com temperaturas que têm alcançado a casa dos 40°C em diferentes regiões. Embora agosto esteja historicamente inserido na estação seca, a intensidade do calor chama a atenção e deve continuar nas próximas semanas. A combinação entre estiagem, circulação atmosférica e permanência de massas de ar quente e seco ajuda a explicar o cenário.

 

Na última semana, o portal Clima Tempo divulgou lista com as 15 cidades mais quentes do país; oito são de Mato Grosso.

 

Para entender o fenômeno, o  ouviu Leandro dos Santos, professor de Geografia da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), mestre em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e doutor em Geografia pela Universidade Federal de Goiás (UFG). O pesquisador atua principalmente na área de Climatologia Geográfica.

 

Segundo Leandro, parte do cenário é característica do clima mato-grossense.

 

“O período de estiagem que estamos vivendo é, em grande parte, uma característica da própria dinâmica climática de Mato Grosso. O estado apresenta uma sazonalidade bastante definida, com concentração das chuvas principalmente na primavera e no verão e forte redução das precipitações durante o outono e o inverno.”

 

O pesquisador explica que junho, julho e agosto aparecem historicamente entre os meses de menor precipitação. Entretanto, a estiagem, sozinha, não explica temperaturas tão elevadas.

 

Reprodução

clima tempo cidades quentes agosto

 Previsão do dia 10 de agosto

“No outono e no inverno, essa atuação diminui consideravelmente. Em contrapartida, aumenta a presença e a permanência de sistemas atmosféricos mais secos, além da influência da massa de ar Tropical Continental, que é muito aquecida e seca. Com pouca umidade e pouca nebulosidade, há maior entrada de radiação solar durante o dia, favorecendo temperaturas muito elevadas”, explica.

 

Outro fator é a continentalidade. Por estar no interior do continente e distante da influência reguladora dos oceanos, Mato Grosso apresenta condições favoráveis ao forte aquecimento. No oeste do estado e no Pantanal, as baixas altitudes também contribuem para temperaturas elevadas.

 

“O que chama atenção não é simplesmente estar quente e seco em agosto, mas a intensidade dessas condições”, destaca Santos.

 

Temperaturas acima do normal

Apesar de agosto ser tradicionalmente seco e quente, o professor explica que a intensidade atual do aquecimento está acima do comportamento normal.

 

“Uma parte desse cenário está dentro do esperado. Agosto é historicamente um mês de poucas chuvas, baixa umidade relativa do ar e temperaturas elevadas em Mato Grosso”, afirma.

 

Além das características da estação, o El Niño também entra na análise. O fenômeno altera a circulação atmosférica em grande escala, mas Santos alerta que não é possível atribuir diretamente a ele cada episódio de calor, seca ou chuva.

 

“Não podemos afirmar que cada dia quente, cada período de seca ou cada chuva atípica seja causado diretamente pelo El Niño. O El Niño modifica a circulação atmosférica em grande escala e cria condições para alterar a frequência, a distribuição e a intensidade dos sistemas atmosféricos”, pontua.

 

O pesquisador cita, inclusive, episódios de chuva durante a estação seca. Em sua série histórica sobre Cáceres, houve registro de 71,6 milímetros em 7 de agosto de 2003.

 

“As chuvas de agosto no Pantanal não significam que a estação seca terminou. Elas mostram que a estação seca possui variabilidade”, explica.

 

Calor deve continuar

Para as próximas semanas, a perspectiva ainda é de temperaturas elevadas e baixa umidade em Mato Grosso, sem indicação de retorno das chuvas.

 

“No curto prazo, a tendência ainda é de predomínio do tempo seco, baixa umidade e temperaturas elevadas em grande parte de Mato Grosso”, destaca.

 

Frentes frias podem provocar quedas temporárias nas temperaturas, principalmente no oeste do estado, onde massas de ar polar podem avançar pelo Chaco, Pantanal e calha do rio Paraguai e provocar a chamada friagem. O alívio, porém, normalmente dura poucos dias.

 

O retorno da estação chuvosa deverá acontecer gradualmente. Conforme Santos, setembro e outubro começam a apresentar episódios de chuva mais frequentes, ainda intercalados por longos períodos de estiagem.

 

“Portanto, para as próximas semanas, a tendência ainda é de calor intenso, baixa umidade e predomínio do tempo seco. Poderemos ter interrupções pontuais desse padrão, seja pela passagem de uma frente fria, seja por episódios isolados de chuva, principalmente no oeste e norte do estado.”

 

Segundo o pesquisador, a regularização das chuvas deverá ocorrer durante a transição para a primavera, enquanto a influência do El Niño sobre o comportamento climático de Mato Grosso continuará sendo acompanhada.

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