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hora de se reinventar 15.05.2020 | 18h34

Comemorando 153 anos, VG luta contra os efeitos da crise

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Eduarda Fernandes

eduarda@gazetadigital.com.br

GazetaDigital

Selo aniversário de Várzea Grande

 

Acolhimento e oportunidade de crescimento. Esses são alguns dos adjetivos que motivaram pessoas a escolher o município de Várzea Grande para instalar suas empresas, tornando-se empresários de sucesso. Nesta sexta-feira (15), a cidade completa 153 anos e, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, o setor da indústria e comércio busca meios de não deixar os efeitos da crise serem amplamente sentidos pela população.

 

Em 2019, o município encerrou o ano com 4.9% de crescimento no comércio, em média. Movimentou R$ 7.975 milhões. “Estamos trabalhando para retomar esse percentual. Se a situação normalizar em três meses, já conseguiremos crescer em 2021. Mas, se perdurar, fica difícil de prever. A nossa vontade é que cresça alguma coisa nesse ano”, conta em entrevista ao o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Várzea Grande, David Willian Corrêa Pintor.

 

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Apenas no comércio, são 22.226 empresas que geram mais de 34 mil empregos diretos, segundo a CDL. Juntos, indústria e comércio geram aproximadamente 80 mil empregos. Os setores que se destacam entre eles são os de confecções, lojas de roupas e alimentos.

 

O secretário de Desenvolvimento Econômico do município, José Roberto Castro Pinto, conta ao Gazeta Digital que indústria e comércio representam cerca de 80% do valor adicionado do ICMS de Várzea Grande. “Monetariamente estima-se que da cota parte do IMCS do município de VG cerca de R$ 90 milhões são originados desses segmentos. Lembrando que esse valor estimado é o bruto, onde 20% compõem o Fundeb e são baseados na loa 2020, elaborada no ano passado, em momento anterior a pandemia”, detalha.

 

Os setores contribuem, ainda, com outros tributos como, por exemplo, as taxas municipais e ISSQN retido e o IPTU quando o empresário é proprietário de imóvel. Antes da pandemia, a secretaria projetava um crescimento da receita tributária própria de cerca de 20% em 2020, fruto de todo um trabalho de desenvolvimento da estrutura da secretaria da Gestão Fazendária, sendo que esse crescimento vem se mantendo nos últimos 3 anos.

 

“Infelizmente com a pandemia o cenário de projeções não está muito factível, conforme apontado pelo boletim focus, pelo Ministério da Economia no Panorama Macroeconômico de maio de 2020. Essas previsões estimam uma queda no momento atual de quase 5% no PIB, o que indiscutivelmente irá afetar toda a receita tributária própria do município”, explica José Roberto.

 

Chico Ferreira

Comércio Várzea Grande

 

Efeito pandemia

O presidente da CDL de Várzea Grande revela o comércio da cidade foi fortemente impactado por conta do período que precisou ficar de portas fechadas. Mesmo os segmentos que puderam permanecer abertos notaram queda de até 50% nas vendas. Neste cenário, ele cita que há empresas que não resistiram e tiveram que fechar as portas, outras já estão demitindo colaboradores.

 

Há algumas semanas, o município flexibilizou a quarentena e permitiu a abertura do comércio. “A flexibilização ajudou, mas como passamos um período grande fechado, as empresas acumularam dívidas, encargos trabalhistas e isso vira uma bola de neve. Nossa orientação é: não demita, faça suspensão do contrato, ou reduza jornada de trabalho. Tentamos salvar empregos nesse momento para que pelo menos tenha geração de renda, isso ajuda diminuir impacto social. Temos trabalhado nesse sentido".

 

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Várzea Grande (Acivag), Adauton Tuim, por sua vez, estima que só a partir de junho ou julho é que Várzea Grande começará a ter a real dimensão dos efeitos da pandemia, que levou o município a editar decretos reduzindo o horário de funcionamento do comércio, indústria e outros setores. Isso porque as medidas provisórias criadas pelo governo federal para auxiliar empresas, a exemplo a suspensão de contratos de trabalho e redução de salário proporcional à jornada de trabalho, têm prazo de validade de três meses.

 

Portanto, quem já faz uso dessas medidas precisará pensar em novas saídas quando as mesmas expirarem. “Se a atividade comercial não retornar com força, em junho começam a demitir”, analisa. “Em Várzea Grande poucas empresas dispensaram. Preferiram outras medidas como férias, suspensão, redução da carga horária com redução de salário, mas demissão ainda não é o foco. Creio que todos estão lutando para não fazer isso”.

 

Adauton diz que a instabilidade econômica causada pela pandemia gera apreensão e faz com que empresários coloquem o pé no freio. “Daqui para frente vão ter que se reinventar ou não vão conseguir manter. Não vamos voltar ao normal nunca mais, é um outro normal, jamais o que vivíamos em janeiro. Tenho 48 anos e nunca tinha passado por isso, é um momento totalmente diverso”.

 

Cidade Industrial

Várzea Grande perdeu o título de “cidade industrial” há alguns anos. Mesmo com 228 mil habitantes, 54 mil a menos que Várzea Grande, Rondonópolis desbanca a cidade vizinha de Cuiabá no quesito arrecadação de impostos. Com 282 mil habitantes, Várzea Grande é a segunda mais populosa de Mato Grosso, mas em 2019 foi a 4ª cidade em arrecadação, ficando atrás também de Sinop.

 

Para o presidente da Acivag, recuperar esse posto a curto prazo não é uma possibilidade, mas futuramente sim. Ao , ele explica que Várzea Grande tem requisitos que a favorecem a ser um polo industrial no Estado, a exemplo da localização geográfica e a proximidade com a Capital mato-grossense.

 

“O que precisa de fazer é o poder público estadual e municipal criarem um distrito industrial, destinar uma área no município para isso. Já temos três boas opções, que são a saída para Cáceres ou região do Chapéu do Sol ou saída para Jangada. São viáveis por extensão territorial. É preciso ter espaço para indústria”, comenta.

 

A pandemia, sem sombra de dúvidas, atrasará esses planos, admite o presidente da Associação. “Mas é o que eu sempre digo, a palavra crise, se você tira a letra s ela vira crie. Toda crise é uma ótima oportunidade de se superar e criar. Quem não ficar parado e reclamado vai superar. Ela não vai acabar tão cedo e os reflexos dela vão se estender por dois anos ou mais, mas nós somos brasileiros, não desistimos nunca”.

 

Com base em estudos nacionais elaborados pelo governo federal e até os internacionais, Tuim avalia que o agronegócio pode ser a salvação de Mato Grosso, mas para isso defende que o Estado pare de vender commodities e passe a exportar os produtos já industrializados. “Precisamos parar de vender commodities. Teríamos mais condições de crescer se já vendêssemos os produtos industrializados para os grandes centros e para exportação. Por mais que precise de incentivo no início, mas daqui 5, 10 anos, geraria imposto. Isso gera fixação de renda, valor agregado e, consequentemente, qualidade de vida para a população, pois gera empregos diretos”.

 

“Reclamam da logística, mas parece gozação. Mato Grosso teria que explorar melhor essa questão da indústria. Somos o maior em tudo, carne, algodão, soja, milho e infelizmente só exportamos commodities”, acrescenta.

 

Persistência

Um dos proprietários da Castelo Materiais de Construção, loja que existe há 40 anos no município, David Pintor ressalta que mesmo com queda de 52% na receita por conta da crise gerada pela pandemia - prejuízo que ainda não conseguiu recuperar - a empresa segue a todo vapor com a construção de um Centro de Distribuição novo, o que ampliará a capacidade de atendimento.

 

A empresa está na família há três gerações. “Começou com meu avô. Várzea Grande nos colheu de braços abertos. Estamos investindo no município porque acreditamos em Várzea Grande, sabemos da sua capacidade. É uma cidade grande, que tem tudo para crescer ainda. O várzea-grandense é um povo de fé, acreditamos sempre no crescimento, creio que vamos vencer mais essa etapa logo, logo. Essa terra é forte demais”.

 

Arquivo Pessoal

Loja Make Linda

 

Make Linda

A loja Make Linda, fundada em Várzea Grande em 2013 pela empresária Cássia Santana, é um exemplo de sucesso e superação. Na contramão de outros setores, o empreendimento cresceu durante a pandemia e, inclusive, no período que precisou fechar as lojas físicas. A empresária partiu com tudo para o delivery dos produtos de beleza e a ideia deu tão certo que ela precisou contratar mais funcionários e motoboys para atender toda a demanda de pedidos.

 

Cássia conta nas redes sociais que começou a loja justamente em um momento de crise em sua vida. Havia sido demitida e precisou se reinventar.

 

“Eu tinha que acreditar em mim e juntar os caquinhos da demissão e ir adiante. Em um momento de desespero eu comecei a relembrar de tudo que eu gostava de fazer o que me motivava. Lembrei que quando era criança tudo que fazia era relacionado à beleza. Então acreditei no sonho e decidi estudar. Meu primeiro passo foi fazer cursos, fiz curso de depilação e logo fiz de design de sobrancelha".

 

No início, ela montou um espaço para atender suas clientes dentro do seu próprio apartamento. Vendo futuro na área, começou o curso de estética. “E foi o divisor de águas, eu realmente percebi que eu gostava muito daquele mundo e iria apostar as minhas fichas nele”.

 

Saindo do apartamento, a primeira loja foi montada dentro de uma galeria na Couto Magalhães. "A minha expansão foi gradativa, fiquei um período de 6 meses em um local da galeria e pedi para ocupar um ambiente um pouco maior, onde fiquei durante um ano. E logo também ficou pequeno e fui pegando várias salas da galeria. Com mais ou menos um ano e 3 meses saí da galeria e passei a ter loja na Couto Magalhães, com porta para a rua mesmo", conta.

 

Nesse período, Cássia já estava com a unidade de Cuiabá em construção. Em menos de dois anos, ela estava com a segunda loja aberta. "Tenho uma força de vontade de que tudo dê certo tão grande que dá certo. Para mim não tem tempo ruim, se vem o covid a gente dá um jeito, não existe crise financeira, crise financeira nunca bateu na minha porta. Quando um funcionário que não quer trabalhar eu vou lá e trabalho. No momento que eu vejo que meu colaborador está cansado, aí é hora de eu sentar com ele e perguntar se está tudo bem. É hora ter aquela particularidade de mãe, de ver que o filho não está bem. Então tenho essa pegada com os meus colaboradores. E se não está legal também chega a hora de encerrar”.

 

Arquivo Pessoal

Adauton Tuim

 

Hotel Clube

O presidente da Acivag, Adauton Tuim, é também proprietário do Hotel Hits Pantanal, que fica próximo ao shopping de Várzea Grande. Ele conta que reduziu para 1/3 a capacidade de atendimento em seu hotel. Por conta da baixa demanda de clientes, ele está pensando em transformar o hotel em uma espécie de clube.

 

“Nossa área de lazer é bem grande e estou pensando em criar um espaço para que as pessoas venham nos finais de semana, tipo hotel de lazer, ou ter day use com almoço incluso. Claro que esse formato teria que estar autorizado pela prefeitura, mas estamos buscando. A pessoa vem, vai pro shopping, vai fazer um tour no aeroporto. Enfim, estou tentando criar um roteiro em Várzea Grande para quem se hospedar aqui. Hoje para ir para qualquer pousada a pessoa gasta, além da hospedagem, tempo e combustível. Aqui seria em torno de R$ 80 ou R$90 reais”, adianta.

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