23.11.2017 | 11h21
Francine é uma menina de Tapurah (433 Km a Médio-Norte de Cuiabá). Tem apenas 3 anos e faz tratamento na capital contra leucemia no Hospital do Câncer, o Hcan. Após as primeiras sessões de quimioterapia, apesar da pouca idade, não aceitou bem a ideia de perder todo o cabelo, onde prendia presilhinhas. Ela chorou, teve atendimento psicológico e, para dar apoio no momento difícil, a mãe dela, Juliana da Silva Santana, 28, raspou a cabeça. "Falei com meu marido para ele e o Felipe, meu filho de 5 anos que ficou em Tapurah, que também fizessem isso e todo mundo ficou careca", conta a mãe.
Agora, 11 meses depois do diagnóstico, Francine está bem e deve ter alta nos próximos dias.
"Superamos todo tipo de coisa, ficamos carecas, mudamos a alimentação, mudamos de cidade, mas ela respondeu bem ao tratamento e nosso coração agora está mais aliviado", comenta Juliana, que, neste tempo de tratamento, ficou hospedada em uma casa de apoio da igreja que ela frequenta.
![]() João Guilherme e a mãe Silmara, ambos superando um linfoma com muita força e sorriso no rosto |
O adolescente João Guilherme,13, de Campo Verde (131 Km ao Sul de Cuiabá), afirma que é forte. Não derramou uma lágrima desde que adoeceu. Há 5 meses, combate um linfoma, mesmo tipo de câncer que atingiu a ex-presidente Dilma Roussef e o ator Reynaldo Gianecchini. No caso de João Guilherme, trata-se do linfoma de hodgkin.
"Ele teve febre, perdeu peso e apareceram glândula no pescoço dele. Mas agora, após 5 baterias de quimioterapia, meu filho está bem e nos exames já não aparecem as células cancerígenas", relata a mãe dele, Silmara Rondon, 37. Ela também afirma que é forte. Sobre o risco de morte que a doença traz, diz que cada um tem uma história e que, assim como Dilma e Gianecchini, João Guilherme tem a sua e que a esperança é a de que ele também saia vencedor.
Marcus Vaillant![]() Boliviana Maitê, que combate uma leucemia, está deprimida, com saudade do pai e do irmão, que ficaram em Cochabamba |
Na escola, ele não vai por enquanto. Mas segue os estudos em casa e no Hcan, onde tem professores. Os amigos, ao invés de sumirem, estão apoiando o garoto, que, quando sentiu os cabelos caindo no banho, já pediu à mãe. "Quero ir raspar", conta Silmara.
Maitê, de 5 anos, veio da Bolívia para buscar tratamento no Hcan de MT com a mãe, a verdureira Evelin Siancas, 28, de Cochabamba. "Fui de médico em médico com ela, quando passou mal e então mandaram a gente vir para Cuiabá. Fiquei muito preocupada, ainda estou preocupada, mas confio em Deus e nos médicos", comenta Evelin.
Marcus Vaillant![]() Evelin está sempre ao lado da filha Maitê |
Maitê está indo bem no tratamento, mas deprimida. Sente muitas saudades do pai e do irmão, que ficaram em Cochabamba.
A mãe aprendeu um pouco de português, mora na AACC e enfrenta com a menina o passo a passo do tratamento demorado.
Incidência
Apesar de mais raros, a cada ano no Brasil são registrados 11 mil novos casos de crianças com câncer, como Francine, João Guilherme e Maitê.
Reprodução/Gazeta Digital![]() Amor demais |
Por isso existe o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil - 23 de novembro.
Os tipos mais comuns são leucemias (33%), tumores do sistema nervoso central (20%), linfomas (12%), neuroblastomas (8%), tumor de wilms (6%), tumores de partes moles (6%), tumores ósseos (5%), retinoblastoma (3%) e tumores germinativos (9%).
A orientação médica é para os pais ficarem atentos a qualquer mudança corporal importante, como emagrecimento sem motivo, febre que não passa, dores no corpo e mal estar insistente.
Marcus Vaillant![]() PRF raspa a cabeça em sinal de apoio a todas as crianças que fazem tratamento contra o câncer |
O filho da Policial Rodoviária Federal (PRF) Adriana Silva, 43, teve um tumor óesseo aos 2 anos e meio e superou. João Marcos hoje já completou 9 anos, saudável.
Nesta quinta-feira, ela estava entre outros PRFs que promoveram uma festa para a criançada que faz tratamento no Hcan de Cuiabá.
Teve lanche, pintura no corpo, distribuição de presentes, Papai Noel, teatro e música, além de passeio de ônibus da corporação pela cidade.
Para Adriana, a data é importante porque lembra que todos nós estamos sujeitos a passar por isso. "Quem não tem alguém na família, um amigo ou vizinho que tenha tido câncer? Pensa num apuro que é pegar esse diagnóstico de um filho", comenta.
Superação
Faxineira do Hcan há 3 anos, Simone Maria, 42, afirma que, enquanto limpa, acompanha ali no hospital muitas histórias tristes, mas também de superação.
"A gente aprende a dar valor à vida e à saúde, à nossa e a dos nossos filhos. Eu tenho 2 filhos e agradeço todos os dias pela saúde deles. Aprende também que a força é importante no tratamento porque tem paciente que está ruim, mas não se deixa abater. Faz as quimio, fica internado, vai até para UTI mas depois consegue melhorar e ir embora".
Óbitos
Por outro lado, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), ao ano, 2,8 mil crianças brasileiras dão adeus aos seus familiares e amigos por causa dessa doença.
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