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violência gratuita 06.07.2020 | 07h06

Defensor e bilheteiro vítimas de homofobia em MT relatam sentimento de impotência

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Reprodução

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Em pouco mais de uma semana Mato Grosso registrou dois episódios de homofobia que viralizaram nas redes sociais. As vítimas, um defensor público e um agente bilheteiro, relatam o sentimento de impotência diante da situação. A caminho da judicialização, ambos os casos irão compor o já robusto índice de violências contra a população LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais) no estado.

 

Além da forma explícita como as ocorrências se desenvolveram, seja pela televisão ou pela internet, a repercussão de ambos os casos foi amplificada pelo fato de os crimes terem sido cometidos em junho, que é o mês em que se celebra mundialmente o orgulho LGBTI.

 

No primeiro episódio, ocorrido no dia 17 de junho, o defensor público Vinícius Ferrarin Hernandez foi alvo de piadas durante o programa Olho Vivo (TV Nativa/Record de Alta Floresta). Na ocasião, o apresentador Welerson de Oliveira Dias teria imitado o agente público de forma jocosa, atribuindo características femininas à vítima.

 

Oito dias após o fato, um segundo caso de violência homofóbica foi registrado em Mato Grosso. Desta vez, do dia 28 de junho, Dia do Orgulho LGBT, o bilheteiro João Victor da Silva foi agredido em seu ambiente de trabalho por sua condição sexual. A situação foi gravada por populares que estavam no local e em poucas horas o vídeo viralizou, alcançando inclusive a atenção da mídia nacional.

 

As duas ocorrências aconteceram em um momento no qual Mato Grosso registra aumento no número de crimes contra a população LGBTQIA+. Dados do Grupo Estadual de Combate aos Crimes de Homofobia (GECCH) divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) apontam que o estado registrou um aumento de 117% nos quatro primeiros meses de 2020 quanto a este tipo de ocorrência em relação ao mesmo período do ano anterior.

 

Reprodução

João Victor

Registro da ocorrência homofóbica envolvendo João Victor da Silva

Ao , as duas vítimas destacaram a importância das redes de apoio para dar sustentação emocional após episódios como estes. Contudo, a sensação de vulnerabilidade ainda é latente na fala de ambos, que apontaram a denúncia como melhor estratégia em situações discriminatórias.

 

"A todo momento eu estou recebendo mensagens da minha família perguntando se eu estou bem e o que eu estou fazendo. Então, eu tenho muito apoio deles e agradeço muito e agradeço muito o apoio das outras pessoas próximas a mim que se solidarizaram ao caso que aconteceu comigo", contou João Victor.

 

Além do apoio recebido pela família e no ambiente de trabalho, o bilheteiro apontou que parte da sensação de vulnerabilidade ocorreu pelo fato de que todas as pessoas ao seu redor viram as agressões e, antes de o socorrerem, optaram por gravar o momento.

 

Em Mato Grosso há mais de 3 anos, o defensor contou que foi muito bem acolhido na cidade em que reside e, por conta disso, destacou o choque ao se perceber vítima de uma situação de discriminação por conta da orientação sexual.

 

Bruno Cidade/DPMT

defensor público Vinícius Ferrarin

Defensor público Vinícius Ferrarin Hernandez

Sob a perspectiva de que o Brasil é um país composto por minorias, Vinícius Ferrarin destacou o papel da Defensoria Pública em garantir acesso a direitos à população vulnerável.

 

"A Defensoria Pública tem um papel não só para judicializar demandas, para criar processos, para fazer a defesa em processos, mas também para fazer defesa e promover extrajudicialmente direitos de todos aqueles vulneráveis. E quando eu falo vulneráveis eu falo deficientes físicos, deficientes mentais, crianças, idosos, mulheres, mulheres vítimas de violência, pretos, índios e óbvio LGBTs. É função institucional, é dever do defensor público atender a população vulnerável e garantir que os direitos desta população sejam garantidos, sejam efetivados", destacou Ferrain.

 

Complementar ao serviço prestado nas defensorias, as pessoas que forem vítimas de discriminação por conta da orientação sexual podem denunciar os crimes por homofobia, que foi equiparada ao racismo em uma decisão histórica do Supremo Tribunal Federal em junho de 2019.

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