herança no esporte 08.08.2026 | 10h00

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Federacion Colombiana de Tenis
Da primeira raquetada ao lado do pai, em uma academia de Cuiabá, às quadras internacionais de Bogotá, na Colômbia. Aos 16 anos, Livas Tarcílio Damázio já percorreu um caminho marcado por mudanças, renúncias, títulos e pelo sonho de transformar o tênis em profissão.
Um dos capítulos dessa história foi escrito com a camisa da Seleção Brasileira durante o Campeonato Sul-Americano por Equipes até 16 anos. Na estreia contra a Venezuela, o jovem tenista mato-grossense venceu sua partida e ajudou o Brasil a construir uma vitória por 3 a 0.
Livas entrou em quadra carregando mais do que uma raquete. Levava consigo anos de treinamento, a saudade de casa e o orgulho de representar Mato Grosso e o país em uma das principais competições juvenis do continente.
Depois de Victor Pignaton abrir o confronto brasileiro com vitória sobre Javier Montoya, por 6/0 e 6/1, coube ao cuiabano encaminhar o triunfo da equipe. Seguro e dominante, Livas venceu Santiago Rodriguez por 6/3 e 6/1, garantindo o segundo ponto brasileiro.
A vitória foi completada nas duplas, quando Henrique Vialle e Victor Pignaton derrotaram Montoya e Andres Molina por 6/2 e 6/1, fechando o placar em 3 a 0.
Mais do que disputar um título continental, a participação no Sul-Americano representou a continuidade de um projeto construído desde a infância: competir entre os melhores, defender o Brasil e buscar espaço nos maiores torneios do mundo.
Antes de entrar em quadra, Livas demonstrava confiança, mas também reconhecia a responsabilidade de vestir as cores brasileiras.
“Minhas expectativas são boas. Venho treinando bem e trabalhando duro. Espero fazer um bom torneio, jogar bem e defender o meu país”, afirmou.
Uma história que começou com o pai
Muito antes dos rankings, das viagens internacionais e da camisa do Brasil, havia apenas um menino de cinco anos, uma raquete e o incentivo do pai.
Livas começou a jogar tênis na Academia Tennis Company, em Cuiabá, onde foi treinado por Tarcílio Damázio. A relação entre pai, filho e esporte ajudou a construir os primeiros passos de uma carreira que, pouco a pouco, ultrapassou as fronteiras de Mato Grosso.
“Comecei aos cinco anos com meu pai, na Academia Tennis Company. Ele é treinador lá e treinei com ele até os meus 12 anos”, relembrou o atleta.
Aos 12 anos, Livas precisou tomar uma decisão incomum para alguém tão jovem. Deixou Cuiabá e se mudou para São Paulo para continuar perseguindo o sonho de se tornar jogador profissional.
Desde então, passou a treinar na Rede Tênis, encarando uma rotina intensa de preparação física, aperfeiçoamento técnico, competições e viagens. A distância de casa passou a fazer parte de uma caminhada movida pela disciplina e pela convicção de que cada treino poderia aproximá-lo do lugar onde sempre desejou chegar.
O esforço colocou o cuiabano entre os 100 melhores tenistas juvenis do mundo na categoria até 18 anos. Em simples, conquistou títulos em Salvador e Foz do Iguaçu, além de disputar uma final em Gladbeck, na Alemanha. Nas duplas, soma quatro títulos.
Cada conquista revela um pouco da evolução do garoto que começou jogando ao lado do pai e, ainda adolescente, passou a enfrentar atletas de diferentes países.
Precocidade no circuito profissional
Mesmo com apenas 16 anos, Livas também começou a abrir espaço entre os profissionais. Em 2026, conquistou, em Cuiabá, seu primeiro ponto no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais, a ATP.
O feito o transformou no primeiro sul-americano nascido em 2010 a pontuar no ranking profissional e em um dos poucos atletas de sua geração no mundo a alcançar essa marca.
Antes do Sul-Americano, o cuiabano disputou dois torneios profissionais em São Paulo e conseguiu avançar pelo qualificatório em uma das competições. A experiência mostrou que sua evolução já ultrapassa os limites do circuito juvenil.
Enfrentar jogadores mais velhos e experientes passou a ser também uma forma de aprendizagem. Em cada partida, Livas mede não apenas a força dos adversários, mas a própria capacidade de amadurecer dentro e fora das quadras.
Experiência com a camisa do Brasil
A passagem pela Colômbia não foi a primeira missão internacional de Livas pela Seleção Brasileira.
Em 2025, quando tinha apenas 15 anos, ele integrou a equipe campeã do Sul-Americano até 16 anos e ajudou o Brasil a conquistar uma vaga no Mundial disputado no Chile.
Um ano antes, em 2024, participou da campanha histórica da Seleção Brasileira no Mundial por Equipes até 14 anos, realizado na República Tcheca. O Brasil chegou à final e terminou com o vice-campeonato após enfrentar os Estados Unidos, alcançando um resultado inédito para o país na categoria.
As experiências internacionais ajudaram a formar um atleta acostumado à pressão, mas que ainda preserva a ligação com o lugar onde tudo começou. Mesmo distante, Livas continua levando Cuiabá e Mato Grosso em cada torneio que disputa.
Entre saques, viagens, derrotas, vitórias e longas horas de treinamento, o cuiabano mostra que o caminho iniciado aos cinco anos ainda está apenas começando.
De Cuiabá para as quadras do mundo, Livas Damázio transforma talento, disciplina e coragem em uma trajetória que já inspira e promete novos capítulos para o tênis mato-grossense.
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