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Há 12 anos 01.09.2019 | 10h39

Em Barcelona, professora poliglota trabalha como tradutora

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Lívia Paula Barthalo, 37, professora, cuiabana de primeira geração, mas filha de "pau rodado" do sudeste, deixou sua cidade natal em 2007 em busca de uma nova vida. Doze anos depois, colhe os frutos de muito trabalho e dedicação aos estudos – mesmo que considere ter uma vida simples e comum, como a maioria das pessoas.  

 

“Levo a vida de adulto que ‘não mereceu’ haver nascido em berço de ouro, mas com a enorme sorte de haver tido berço ao nascer”, atesta.   

 

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A educadora conta que, antes de decidir sair do país, deixou Cuiabá pela primeira vez, em 2000, com destino Belo Horizonte (MG), mas retornou à capital mato-grossense dois anos depois. “Finalizados meus estudos universitários, deixo a migração e tento a imigração. Escolho Barcelona. Vivo na capital catalã desde o dia de todos os santos de 2007”.   

 

Reprodução

Cuiabanos pelo mundo Lívia

 

Lívia é professora licenciada pela Universidade Federal de Mato Grosso UFMT em línguas e literaturas, portuguesa e inglesa. Ela lamenta os problemas que teve que passar devido à burocracia exacerbada. “Tamanha via crucis foi convalidar esse diploma no Estado espanhol, já que o nosso Estado brasileiro proveu os maiores entraves a cada estação”. 

 

Superadas as diversidades, em terras espanholas ela cursou a formação profissional de grau superior em promoção de igualdade de gênero, pelo Instituto Can Vilumara. Além de estudos dos idiomas, tanto o oficial, quanto a segunda língua: castelhano pelo instituto Cervantes e catalão pela Universidade Oberta de Catalunya (UOC).  

 

“Trabalho traduzindo, mas também no que der. Sou classe operária sem nenhum complexo, só com desgosto pela inconsciência da maioria dos meus iguais. A rotina daqui é bem parecida com a do Brasil, o que difere é que, aqui, tem mais infraestrutura urbana. Mas fica bem clara a herança ibérica no DNA brasileiro: indolência, incultura como orgulho e tradição, aliada a mais profunda ausência de consciência de classe. Até rei essa galera ainda sustenta (ah, a gente também, né? A tal herança ibérica)”, critica.   

 

Reprodução

Cuiabanos pelo mundo Lívia

 

Consciente do espaço que ocupa e dos desafios que a condição de imigrante imprime, a professora frisa que em sua trajetória laboral, não só teve, como ainda tem atuação na área da educação e tradução, mas também em diversas áreas. 

 

“Já passei e passo pelos trabalhos de imigrante como limpeza, cuidado de idosos, distribuir panfleto, trabalho pontual em eventos culturais e esportivos em recepção ou como vendedora de merchandising, telemarketing, etc.”   

 

A partida

Lívia relembra o momento que decidiu partir e deixar para trás sua história em terras mato-grossenses. “Saí de Cuiabá, em 2007, já bem sufocada, não só pelas fumaças do nosso inverno. Não deixei Cuiabá, mas bem fui expulsa ou fugi. Ainda não sei”, confessa.

 

Em sua chegada no estrangeiro, levou certo tempo trabalhando e guardando dinheiro. “Também contei com a extraordinária sorte de desfrutar de mãetrocínio e paitrocínio. Igualmente, sou uma pessoa bem austera. Até fico incomodada na opulência e no desperdício de dinheiro. Assim que não tenho uma vida de alto orçamento”.  

 

Reprodução

Cuiabanos pelo mundo Lívia

 

Em sua opinião, a experiência de migrar, aos 18 anos, facilitou a adaptação e a motivação para cruzar o Atlântico – afinal, tinha apena 1/4 de século. 

 

“A preocupação foi menor que a esperança, aí o mental ficou menos abalado. Mas tive o cuidado de ter na manga planos B, C, D e Emergência”.   

 

Vida de adulto

Morando em Barcelona e sem desejo algum de sair de lá tão cedo, a cuiabana ressalta que quando volta ao Brasil para visitar a família e os amigos se comove, pois, por fim, sente uma sensação ter chegado à “sua cidade” - assim que aterrissa.

 

“Como já dito, sou filha de ‘pau rodado’ e, nas décadas de 1980 e 1990, eu não era o fenótipo comum dos meus conterrâneos cuiabanos. Nas férias, eu era ‘a do mato’ para a pauliceia. Assim, nunca havia sentido a tal sensação do pertencimento”, lembra.  

 

Mas agora, já há mais de uma década na Espanha, os sentimentos mudaram. “Pensei nesse quase pertencimento quando morei em Minas Gerais, mas não tanto quanto aqui na Catalunha. Nem sei o que é isso de ‘Síndrome de Ulisses’, pois parece que voltei pra casa, não que imigrei. Curioso, não?”, indaga.   

 

Reprodução

Cuiabanos pelo mundo Lívia

 

Ela destaca que, nessa de viver a "vida de adulto", teve a possibilidade de dividir as contas da casa com pessoas de várias culturas. O que foi enriquecedor não só linguisticamente, mas, sobretudo, na tal experiência.   

 

“A vida de solteira foi bem interessante. Desde 2014, estou casada e por fim tenho um lar, uma gata, e aqui em casa não funciona televisão!”, se diverte.

 

Planos

Assim que comece o ano letivo por lá, Lívia pretende voltar para a UOC. “Gosto da metodologia dessa universidade, pois se adequa bem à minha rotina. É uma pena que não existam universidades gratuitas aqui. Mais pena ainda é assistir que no Brasil logo, ao que parece, também não mais haverá”, argumenta.  

 

No mais, não existe limites para a cuiabana determinada e destemida. O céu é o limite. “Para o futuro, planos, rumos e caminhos sempre!”.

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