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em busca do sonho 11.08.2020 | 09h52

Famílias ocupam área desapropriada para terminal do VLT

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João Vieira

João Vieira

Sem ter onde morar, 90 famílias ocupam uma área entre os bairros Ouro Fino e CPA 1 em Cuiabá. Há 50 dias, os barracos começaram a ser construídos atrás da Escola Militar Tiradentes. O local foi desapropriado pelo Estado em 2012 para construção do terminal do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT), no CPA, e desde então estava sem uso.

 

 

Os ocupantes já se organizaram para a divisão dos lotes e obras de infraestrutura para moradia no local. A presidente da Associação Ouro Fino, Tamires Santos Silva, conta que o grupo de ocupantes se reuniu e já dividiu a área em 105 lotes de 10 por 20 metros. As casas já estão sendo construídas e até o momento não houve qualquer manifestação do Estado ou prefeitura para alternativa aos novos moradores.

 

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Tamires morava no residencial Jonas Pinheiro, que foi desocupado em novembro de 2019. Algumas pessoas voltaram para o local, mesmo sob ameaça de novo despejo. As casas estão prontas, mas ainda não houve entrega oficial. Antes de serem ocupadas, ainda em 2017, os imóveis estavam abandonados há 4 anos e estavam danificadas por ação de vândalos.


“Essa área aqui sempre esteve abandonada. Era usada pela criminalidade. Nós queremos morada digna e por isso estamos aqui. Pesquisei o dono da área e não achei. Soube que é do Estado e que seria a volta do VLT, mas nunca vai ter”, informou a presidente da Associação.

 

João Vieira

Grilo / Invasão / CPA1 / Ouro Fino / área do terminal do vlt na av do cpa

 Área foi dividida em 105 lotes

Com mapa em mãos, a mulher conta que a parte de cima do terreno não tem registro de propriedade. O terreno ao lado, que fica entre a avenida Historiador Rubens de Mendonça (frente) e a rua Osasco (fundo), no bairro CPA 1, ao lado direito da Escola Tiradentes, é do Estado.


“O que a gente quer é dar continuidade ao bairro. Não queremos caracterizar isso como grilo. Quando chegamos, o presidente do bairro tinha feito uma limpeza das ruas e nós terminamos de limpar”, conta a mulher.


A divisão dos lotes é feita por arames e há materiais de construção em frente de alguns dos barracos, sinalizando a intenção da moradia permanente. Sob o sol quente, algumas mulheres conversam na porta das casas. Enquanto a reportagem estava no local, um dos moradores questionou à presidente sobre a cota de limpeza e compra de canos para rede de água para os imóveis, valor que seria definido em reunião posterior.


Um comerciante das imediações contou que, por enquanto, os novos vizinhos não incomodam. Relatou que um mal-estar gerado pela mudança é causado pelas queimadas que fazem para a limpeza da área. Também proibiram que moradores da vizinhança “cortem caminho” por dentro dos lotes.


Tamires relatou que a Polícia Militar já esteve no local mandando que saíssem da área, mas não havia ordem judicial e eles não obedeceram.


Outro lado
A Prefeitura de Cuiabá foi procurada e informou que a área é do Estado e ele que irá responder pela ocupação.


O Estado foi procurado e questionado também sobre a finalidade da área, já que não tem VLT, valor da desapropriação e o que será feito sobre os ocupantes. A assessoria do governo respondeu que “o assunto já é de conhecimento do governo e as medidas cabíveis são analisadas pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE)”.

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