pandemia 11.05.2020 | 07h26

thalyta@gazetadigital.com.br
Arquivo pessoal
A rotina da gerente de marketing Eli Soares aos fins de semana sempre incluía um café da tarde com a mãe, para colocar o papo em dia e comer guloseimas. Porém, há mais de 40 dias ela não abraça a mãe, Ana Batista Candido, de 92 anos, ou vê os irmãos. O motivo: evitar que eles seja afetada pelo novo coronavírus, já que Eli trabalha em um hospital particular de Cuiabá. O domingo foi de tristeza para Eli, que passou seu primeiro Dia das Mães longe da mãe e da família.
Na casa de Eli o exílio da família é parte da rotina. Também passou a morar na casa o sobrinho, que é médico e tem medo de transmitir a covid-19 para a família e a avó idosa. Nesse cenário de afastamento temporário, eles reúnem forças para continuar lutando e mantendo a distância dos familiares, para conservar a saúde de todos.
“Decidi que não ia visita-la, porque não posso ter covid-19 e não apresentar sintomas. Por isso preferi ficar sem vê-la. É muito difícil. Sofro eu e sofre ela. Não estou nem fazendo chamada de vídeo porque parece que fica pior a saudade”, conta Eli.
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A decisão não foi bem aceita pela mãe, no entanto, Eli bateu o pé e manteve a medida, ainda mais por causa da idade de Ana. “Ela fala para passar álcool em gel. Mas eu sei que se acontecer alguma coisa com ela, nunca vou me perdoar”.
Por causa da data, que sempre remete aos grandes almoços em família, os últimos dias foram de tristeza para a gerente de marketing. “Foi uma semana bem difícil. São 7 irmãos, a gente está acostumado a ir todos para a casa dela. Esse ano não dá para se ver, quanto mais se reunir”.
Mesmo sabendo da necessidade de se manter longe, Eli confessa que a saudade aperta, ainda mais aos fins de semana, no horário que ela sempre ia à casa da mãe tomar um café. “Tem dias que a saudade é de chorar. Sábado e domingo são mais complicados porque sempre estava com ela”.
Apesar dos tempos difíceis, a gerente de marketing tem esperança que essa crise vai passar e a família poderá se reunir de novo. “Estou contando os dispara essa situação passar e a gente poder voltar ao normal”.
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