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NA AUSTRÁLIA 18.08.2019 | 13h25

Geóloga encara a maternidade e o mercado de mineração

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Gazeta Digital

cuiabanos pelo mundo

 

Assim como milhares de ‘cuiabanos de coração’, Alice Martins Basso chegou a Cuiabá ainda criança. Ela se mudou com os pais de Corumbá (MS) para a Capital mato-grossense com apenas 10 anos. Após estudar concluir o ensino médio no Liceu Cuiabano, a jovem resolveu cursar geologia sem ter muita certeza se era isso mesmo o que eu queria fazer e sem ter noção de que essa decisão mudaria sua vida radicalmente. 

 

A escolha a levaria, algum pouco tempo depois, para o outro lado do mundo – a cidade de Perth, na Austrália – onde venceu desafios e formou uma linda família. Ela e o marido, Wanderly Basso, 39 anos, que conheceu ainda na faculdade, em Cuiabá, são pais dos australianinhos Noah Coffacci Basso, 5, e Matteo Coffacci Basso, de 1 ano e meio. 

 

Leia também - Na Austrália, turismóloga constrói carreira em hotelaria

 

Reprodução

Cuiabanos pelo mundo - Alice Martins Basso

 

Após se formar na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Alice começou a carreira profissional trabalhando em uma empresa de mineração australiana em Peixoto de Azevedo, quando ouviu pela primeira vez sobre a cidade onde mora atualmente. Meses depois trocou de emprego e passou a atura em uma empresa maior de mineração em Nova Xavantina. 

 

 O noivo, Wanderly, também era colega de trabalho na mesma companhia, e em abril de 2008 decidem se casar. “Imaginávamos que ficaríamos muitos anos trabalhando por lá, mas fomos surpreendidos pela crise financeira e acabamos perdendo o emprego”, lembra Alice. 

 

De volta a Cuiabá em 2009, o casal sentia muita dificuldade em se recolocar no mercado de trabalho. Após alguns meses desempregados, ele conseguiu um emprego no interior de Mato Grosso. Para mim, foi ainda mais difícil encontrar emprego, já que não havia muitas oportunidades no mercado e o fato de ser mulher reduzia ainda mais minhas chances naquela época”, lamenta. 

 

Reprodução

Cuiabanos pelo mundo - Alice Martins Basso

 

Em meados de 2010, Alice decidiu estudar inglês como uma maneira de se ocupar e também se capacitar, na esperança de que isso fosse um diferencial no currículo.

 

“Eu estava morando perto da minha familia, cercada de amigos, dividia o apartamento com um labrador amarelo. Meu marido tinha um regime de folga de 30 dias trabalhando e 10 dias em casa, mas sentia que profissionalmente eu não estava realizada”. 

 

Com esse sentimento de querer mais, Alice e Wanderly resolveram estudar e ter a experiência de morar fora do país. “Então, ele pediu demissão e praticamente dois meses depois estávamos embarcando para a Austrália”.

 

Os planos eram de ficar 5 meses e depois disso retornar a Cuiabá. “Escolhemos Perth por conta do mercado da mineração e do clima favorável, como boa cuiabana, não sobreviveria a invernos rigorosos”.

 

Reprodução

Cuiabanos pelo Mundo - Alice

 

A rotina do casal era curso de inglês e nas horas vagas conheciam um pouco da cidade. Após três meses, o marido aceitou uma proposta para atuar no mercado de mineração e, 4 meses depois, mudava o visto de estudante para um visto de trabalho. 

 

Trabalho e família 

A oportunidade de trabalho para Alice surgiu um tempo depois, como prestadora de serviços para uma empresa de mineração de Outback, o deserto australiano.  "A rotina era similar a do Brasil, com a diferença de que eles não têm tanta mão de obra disponível para o trabalho. Eu não era só responsável pela parte técnica, mas também por toda a logística e supervisão que envolvia o trabalho”.

 

 

A função incluía carregar amostras e caixas de testemunho, por exemplo. Atividade geralmente realizada por auxiliares no Brasil. “Achava estranho ver meu chefe colocando a mão na massa, fazendo trabalhos braçais como qualquer outro funcionário. Durante as refeições todos se sentavam juntos, não tinha essa diferenciação da mesa da diretoria para os demais. Comecei a observar que para eles pouco importa o cargo, o salário ou se voce é mulher trabalhando na mineração. O tratamento é igual”, observa. 

 

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Cuiabanos pelo mundo - Alice Martins Basso

 

Meses depois ela conseguiu um emprego em um escritório de mineração onde permaneceu até meu primeiro filho, Noah, nascer. “Nesta época, estávamos mudando de visto de trabalho para o de residente permanente. Estava realizada profissionalmente, mas muito apreensiva em encarar o desafio da maternidade numa terra estrangeira. Ficava apreensica em saber que não teria ajuda familiar, que tudo seria por minha conta a partir dali”. 

 

Alice frisa que apesar das dificuldades, no fim, deu mais do que certo. “Ser mãe, sem dúvida nenhuma, é de longe o meu maior desafio desde que cheguei. Não são poucos os perrengues que passo por aqui, mas nunca me faltou força ou uma mão amiga para me ajudar”. 

 

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Cuiabanos pelo mundo - Alice Martins Basso

 

Após uma pausa na carreira para cuidar dos filhos, ela voltou a trabalhar em casa prestando serviços na área de mineração.  “Uma das coisas boas é você ter a oportunidade de se diversificar. É muito comum trabalhar fora do seu ramo, seja para conseguir uma grana extra ou porque o mercado está em baixa. Eu me lembro de quando estava no Brasil e desempregada, tentei empregos em áreas diferentes da minha, mas não obtive sucesso”. 

 

A geóloga conta que a mineração, nos últimos anos, vem sofrendo uma e isso acabou mexendo com a economia do país. “Com os empregos no setor em baixa, resolvi fazer um curso na escola técnica do governo, na área de saúde. Após esse curso, cheguei a trabalhar por um tempo nessa área por um período de tempo”. 

 

A saudade 

Segundo Alice, a parte mais difícil de viver fora do Brasil é estar longe da família e dos amigos. Mas os reencontros são intensos e os laços ficam ainda mais fortes. “Não tem preço poder dar a oportunidade aos meus pais de conhecerem um país tão distante, eles já nos visitaram duas vezes, e tudo isso sendo apresentado pelos netos deles”.

 

Quase 10 anos depois do inicio da aventura, já agora cidadã australiana, Alice declara sua gratidão pela Austrália e afirma que seu coração, hoje, não é apenas brasileiro, mas que já tem uma boa parte australiana. 

 

Reprodução

Cuiabanos pelo mundo - Alice Martins Basso

 

“É muito difícil não se contagiar com a simplicidade do australiano, de não se apaixonar pelo estilo de vida que eles levam. Meu sentimento é o de continuar vivendo essa aventura e de encarar os novos desafios, ao lado do meu marido e dos meus dois meninos. Cuiabá ficou distante, mas é o destino certo das nossas férias”, finaliza.

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