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fim do alisamento 01.03.2020 | 15h44

Histórias de 3 mulheres que retomaram os cachos dos cabelos

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Izabelle Borges - Especial para o GD

izabelle@gazetadigital.com.br

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Buscando fugir do sulfato e dos derivados de petróleo na rotina capilar, muitas pessoas aderem às rotinas "low poo e no poo". Essa foi a escolha da empresária Brenda Prates, 31, que há 3 anos deixou o alisamento de lado, aderiu a uma rotina de "liberdade" e sem produtos com componentes agressivos ao meio ambiente e à sua saúde. O resultado: saúde capilar, cabelos cacheados e cheios de vida.

Apesar dos nomes complicados, os produtos já são fáceis de achar em Mato Grosso. O low poo consiste em retirar apenas os sulfatos fortes e derivados de petróleo presente nos produtos comuns, mas mantém o uso de shampoos "leves". Já o no poo além da retirada completa de cosméticos que tenham desses itens na formulação, também não possui silicones, além dos adeptos não usarem shampoo, tendo como rotina os "co-wash", que são condicionadores fabricados para a limpeza do couro cabeludo.

Brenda afirma que a grande diferença entre a rotina comum e a escolhida por ela é a liberdade de produtos com componentes agressivos ao meio ambiente e à saúde, que acabam custando menos para os fabricantes.

"Em um produto comum podemos encontrar componentes como sulfatos fortes, derivados de petróleo, que são ingredientes baratos para a indústria fabricar em grande escala, mas para a saúde capilar, a longo prazo, descobriu-se que não possuem efeito de tratamento real e muitas pessoas até mesmo identificaram alergias que há tempos conviviam mas sequer desconfiavam que poderiam ser de alguns dos componentes usados nas fórmulas", explica.

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Brenda Prates

 

  

Brenda, que conheceu os métodos durante a sua transição capilar, momento em que parou de alisar o cabelo e passou a usar as suas madeixas naturais, defende a mudança dizendo que "a melhor parte dessas rotinas, é o efeito que ela promove a médio longo prazo na saúde capilar".

Ela passou um período pesquisando e estudando sobre cosméticos mais naturais, foi quando entendeu sobre o impacto na sua saúde das escolhas de produtos que usaria.

A cacheada se diz mais consciente. "Depois da descoberta das rotinas fiquei mais consciente com minhas escolhas, além do que pude mudar muitas outras mentalidade de mulheres da minha geração que carregava o peso de aguentar um padrão de beleza imposto, essa transformação pessoal e das pessoas ao seu redor não tem preço".

"A maior dificuldade dessas rotinas é que uma grande parte de consumidores ainda não será atingida com essas escolhas mais conscientes, pelo fato das grandes indústrias priorizarem o lucro e não a saúde de quem consome seus produtos, nem mesmo seu impacto ambiental como o uso de animais nas fórmulas por exemplo, além de preferirem a desinformação do grande público, ou seja, uma pequena parte dos consumidores apenas tem acesso a essas informações e conseguem entender os benefícios dessas escolhas", explica Brenda sobre os obstáculos que encontra por essa rotina.

 

Brenda não é a única a descobrir sobre os benefícios de se aceitar e amar por completo. O jornalista Gustavo Domingues do Nascimento, 31, filho da professora Eunice Domingues do Nascimento, fez uma publicação emocionante ao lado da mãe que acaba de passar transição.

 

“No ano passado, após muitos e muitos anos, minha mãe decidiu passar pela transição capilar e finamente assumir o Black Power”, disse em um trecho da postagem. Gustavo que sempre usou seu cabelo de forma natural nos contou que não se lembra de ver a mãe com cabelos naturais em momento nenhum da sua vida.

 

Gustavo conta que a própria mãe não o incentivava a usar o cabelo Black Power por preconceito. “Porque no imaginário dela, e em tudo que ela ouviu na infância, ter um cabelo afro era, de certa forma, sujo, feio e todos esses preconceitos que a gente já conhece de cor”, explica.

 

Confira a publicação na íntegra

 
 
 
Ver essa foto no Instagram

No ano passado, após muitos e muitos anos, minha mãe decidiu passar pela transição capilar e finamente assumir o Black Power. Mano, eu achei incrível. Ela rejuvenesceu, ficou mais forte, mais segura, mais confiante. Mano, ela ficou tão linda que nem eu sei o que dizer. Mas, o mais surpreendente foi quando no Natal ela me disse que eu inspirei ela a iniciar essa transformação. Cara, fiquei sem palavras, quase que não segurei as lágrimas. A humildade, a força e a sabedoria dessa mulher continuam a me arrebatar. Mamãe, eu só queria dizer que é você que me inspira todos os dias, ano após ano. Você não para de me ensinar. Te amo. (Possivelmente ela vai reclamar de expor ela, mas faz parte, te amo dona Nice).

Uma publicação compartilhada por Gustavo Nascimento (@gustavodnascimento) em

 

O filho está cheio de orgulho de ver a mãe se redescobrindo, mesmo vindo de origem humilde e ter presenciado momentos de preconceito por décadas. Aos olhos dele, o maior empecilho para sua mãe se aceitar era o tabu, que existia por tudo que ela já havia passado, mas que com muita conversa entre eles dois, e a esposa de Gustavo, Eunice acabou entendendo a importância de se amar.

 

Um ponto que o jornalista levantou foi a dificuldade de entender como ele poderia ter inspirado a mãe, se ela mesma teria sido fundamental na sua formação, o ensinando sobre empoderamento racial. “Porque a minha mãe foi a primeira pessoa na vida que me falou de várias teorias raciais, sem saber que eram teorias raciais”, disse Gustavo.

 

Arquivo pessoal

eunice, transição

 

 

 

 

Um corte de cabelo errado foi o que culminou na transição capilar de Eunice, já que a cabeleireira errou na hora de executar o corte e a professora ficou insatisfeita, isso teria dado a coragem que faltava para ela iniciar o processo. No entanto, ela aparenta estar bem feliz com a decisão já que Gustavo nos confidenciou que ela está “toda toda”.

 

 

 

Outra pessoa que passou pela transição e está empolgada com o processo é a jornalista Janaiara Soares, 26, “Eu virei a louca das pesquisas. Sei inúmeras receitas”, conta ela.

 

A mais nova cacheada do pedaço acaba de passar pelo “Big Chop”, corte feito para retirar todas as partes com resíduos de alisamento, e está se adaptando aos cachos novamente, já que seu primeiro alisamento foi aos 18 anos. “Não foi como eu imaginava o corte, os cachos encolhem um pouco e ficou mais curto do que eu imaginei”, conta Janaiara.

 

A jornalista conta que achava o cabelo liso mais prático e fácil de ser cuidado. “Me acostumei com o liso porque entendia que era mais fácil de cuidar. Bastava lavar e ele já estava pronto para qualquer ocasião”, lembra. Janaiara, que sofre de lúpus, conta que a doença está fazendo com que ela perdesse cabelo e por esse motivo ela decidiu voltar para o cabelo natural. “Eu tenho lúpus, então já sofro com a queda de cabelo. Com a química para alisar meu cabelo começou a cair muito mais. Comecei então a alisar de forma mais esporádica. O que eu fazia de 2 em dois meses passou para 4 meses”, explica.

 Arquivo pessoal

janaiara, transição

 

 

 

Janaiara criou coragem para fazer o big chop após ver a dificuldade de texturizar os cabelos nas partes alisadas. “Em junho eu fiz o primeiro corte e tirei boa parte do liso e ele ficou na altura do queixo. sete meses depois com a raiz já grande eu decidi fazer o Big Chop. É muito difícil texturizar o cabelo alisado. Ele sempre voltava a ficar liso após eu colocar muito creme e enrolar. Então eu decidi que tiraria logo o liso”, conta.

 

 

 

Quando decidiu que passaria pela transição capilar, Janaiara começou a pesquisar sobre cabelos cacheados, e rotinas capilares, foi quando conheceu também o “low poo e no poo”, mas ela não faz uso do “no poo”. “Quando eu comecei a transição eu li que era bom começar a usar produtos para o cabelo cachado já crescer tomando forma”, disse. Ela é adepta das chamadas “receitinhas caseiras”, mas diz não ter uma favorita.

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