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DEU NA GAZETA 20.11.2019 | 09h20

Histórias de superação vão se multiplicando diante do racismo

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MARCUS VAILLANT

MARCUS VAILLANT

Xingamentos, olhares de reprovação, dúvidas com relação à capacidade profissional e até mesmo presenciar pessoas trocando de mesa para não ficar próximo devido à cor da pele. Estas são algumas situações descritas por negros no decorrer de suas vidas. Mesmo diante desse cenário racista e discriminatório, pessoas pretas têm mostrado que são capazes de ocupar cargos renomados na sociedade, nas universidades mais disputadas do país e dentro de grandes empresas. No Dia da Consciência Negra, comemorado nesta quarta-feira (20), contamos histórias de superação e trazemos pontos que representantes da negritude em Mato Grosso frisam que ainda precisam melhorar.


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A enfermeira Maria José de Sousa Cardoso, 48, começou a lidar com o preconceito e racismo ainda criança, dentro da própria família. Classificada como o patinho feio dentre os familiares, ela diz que começou a alisar o cabelo ainda criança,
pois não aguentava mais as pessoas fazendo piadas por causa do seu crespo. Quem a vê atualmente, toda despojada com os cachos armados, não imagina que o cabelo já foi motivo de muitas lágrimas. “Passei metade de minha vida alisando o cabelo, odiava meus cachos. Esse empoderamento é algo muito recente em minha vida”.

 

Quem vê Maria José como coordenadora da Equipe de Auditoria de Enfermagem da Unimed Cuiabá não imagina as dificuldades que ela já enfrentou para chegar a um dos cargos de confiança da empresa. Ela casou cedo, aos 22 anos de idade, e já tinha um filho adotivo. Logo engravidou e teve outros dois filhos biológicos e optou por não trabalhar e cuidar da família. “Foi uma decisão difícil, mas não me arrependo, porque consegui recuperar um tempo para mim. E hoje posso dizer que sou realizada tanto na vida pessoal, quanto profissional”.

 

Cardoso entrou na faculdade com 35 anos e optou pela Enfermagem por ser uma profissão sinônimo de cuidado. Após concluir o curso, logo iniciou a pós-graduação em Auditoria. Segundo ela, o foco já era atuar na área administrativa da
Enfermagem. Porém, antes de chegar ao seu objetivo, ela passou pelos setores de home care e de infusão no pronto atendimento.

 

“Quando me vi já estava no setor de auditoria, mas não era a coordenadora. Um pouco depois recebi a proposta de assumir o cargo de chefia e apesar do friozinho barriga, aceitei de pronto e cá estou”. Maria José lembra que muitos a intitulavam de “negrinha metida” e duvidaram do seu potencial como profissional. Mas, ao invés de se entristecer com tais  contecimentos, ela tomou as críticas e discriminação como alavancas de impulso, para atingir voos ainda mais altos. “Recebi
olhares de reprovação, não só no ambiente de trabalho, mas em vários setores, até em momentos de lazer. Cheguei à conclusão de que o que incomoda as pessoas não é a cor da minha pele, o meu batom escuro ou o meu cabelo, e sim o fato de eu ser feliz”.

 

A enfermeira conta que em toda a sua vida foram poucas as pessoas que disseram a ela que era bonita e foi necessário buscar isso em seu interior. Com a elevação da autoestima, todas as áreas de sua vida melhoraram. “Não sou obrigada a nada. Esta é a minha frase de estímulo. Não sou obrigada a aturar gente negativa, racista, preconceituosa e que falta com o respeito com os demais. Criei um filtro e sou feliz e é isso que desejo a todos os que já passaram ou passam pelo mesmo que passei”.

 

Antoni Mário Mello, 28, já passou em 3 concursos públicos e atualmente é efetivo na Procuradoria Geral de Justiça no Estado de Pernambuco. Nascido e criado em Cuiabá, quando concluiu o ensino médio no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT)
conseguiu passar no concurso público para um cargo técnico na Secretaria Municipal de fez a prova para testar seus conhecimentos e mesmo tendo um dos melhores boletins da classe, se disse surpreso com a aprovação.

 

“Realmente não esperava. Pensei em assumir o cargo, mas queria me dedicar aos estudos para conseguir um cargo a nível estadual. Por isso, optei por continuar estudando”.  Mello usava a biblioteca da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
para estudar e um dia, quando retornava para casa, após uma tarde de estudo, foi parado por policiais que agiram de
forma agressiva ao realizarem a revista pessoal.

 

“Falaram que eu tinha as mesmas características de um rapaz que tinha assaltado uma senhora, poucos minutos antes. Mas
sei que fizeram aquilo porque sou preto”.

 

As situações de discriminação devido à cor da pele ocorreram com o jovem por diversas vezes. Ele lembra que uma vez, em
uma pizzaria da Capital, uma família pediu para mudar de mesa, porque não queria ficar perto dessas pessoas de cor”, se referindo a Antoni e seus pais. Mello se formou em Direito na UFMT e na sequência prestou concurso para o Ministério Público Estadual de Pernambuco. Nãodiferente das demais provas que já realizou, mais uma vez garantiu o cargo almejado.

 

“Sofri muito por ser negro, mas sofri nos espaços que os brancos queriam ocupar e, talvez, seja por isso que tanto me discriminaram. Nunca abaixei a cabeça por isso”.

 

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