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JONAS PINHEIRO 18.01.2020 | 13h20

Incerteza, fome e esperança são realidade em ocupação ilegal

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Otmar Oliveira

Otmar Oliveira

Após quase um mês do retorno de moradores para o residencial Jonas Pinheiro 3, ainda não há informações sobre o destino dos ocupantes e dos imóveis, que ainda estão inacabados. Em outubro passado, uma decisão judicial mandou que os ocupantes saíssem do local, porém, muitos não tinham onde morar e voltaram ao local.

 

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Além dos antigos moradores, novos habitantes ocuparam as casas do residencial. Muitas delas ainda estão vazias, mas as que abrigam novas famílias já foram pintadas para retirar da marcação feita pela Construtora Lumen. Um X preto indicava as casas onde a equipe tinha feito vistoria e confirmado a retirada dos móveis.

 

Após o despejo e retorno dos moradores, o que não mudou nesse tempo foi o sofrimento vivido pelos ocupantes, a incerteza sobre o destino e a esperança de realizar o sonho da casa própria.

 

Tamires da Silva Nascimento, 22, se mudou para o local no dia 11 de janeiro, com os 3 filhos e um deles ainda mama no seio. Sem trabalhar e com as crianças pequenas, ela soube das casas e logo tratou de se mudar, pois foi despejada do imóvel que morava no bairro Doutor Fábio, por aluguel atrasado.

 

Otmar Oliveira

jonas pinheiro

 

A mulher sobrevivia com a ajuda da igreja, mas agora não sabe o que fazer, pois recebe auxílio do Bolsa Família, de R$ 200, e o dinheiro não dá para alimentar os 4 membros da família.

 

“Me falaram que essas casas eram para pessoas que não tinham como pagar aluguel e eu vim. Não tenho para onde ir”, conta ao enquanto amamenta o caçula, que chora pelo colo. Ao fundo, a música gospel toma conta na casa.

 

Agora que ela se mudou de bairro, a igreja não a ajuda mais. Tamires está na expectativa de conseguir vaga na creche para os filhos e poder procurar um emprego.

 

Com ajuda de vizinhos, ela conseguiu religar a água e energia elétrica na sua casa. O fornecimento é clandestino em todo o residencial.

 

Em outra casa, próximo à Tamires, vive Ana Fátima Conceição, 53. Ela chegou ao local na primeira ocupação, ainda em 2017, e foi despejada junto com os demais moradores, no ano passado. Só de comentar sobre o despejo, a mulher chora.

 

Lágrimas sofridas de quem não pôde estudar, nunca trabalhou com carteira assinada, está desempregada e com a despensa vazia. O choro é mais intenso quando fala que sempre morou de aluguel, que vê o serviços cada vez mais escassos e caminha para a velhice sem ter onde morar.

 

Após o despejo, a mulher, que mora com o esposo, a filha e dois netos, disse que alugou um quarto no bairro Santa Helena, onde ficava aos fins de semana. Ela conseguiu trabalho na área rural e permanecia a semana toda no trabalho. Logo ela e o esposo ficaram desempregados. Sem ter condições de pagar a locação e sustentar a família, eles voltaram ao Jonas Pinheiro.
“Eu não tinha condição nenhuma de voltar. Nem para comer. Fui trazendo as coisinhas aos poucos. Quando a gente está desempregado nada presta”.


Por falta de dinheiro, a moradora ainda não conseguiu ligar a luz e água na residência. Ela divide a água com a vizinha. “Estou no escuro. Os mosquitos acabaram comigo ontem”, desabada a mulher.

 

Ela e o esposo procuram emprego, mas pela idade e falta de instrução, o mercado de trabalho está cada dia mais escasso de oportunidades. Enquanto a reportagem esteve no local, Ana Fátima mostrou a casa de poucos móveis e a despensa vazia.
Ela pede doações de alimentos, roupas, calçados de utilidades de casa para ela e a família. Quem puder doar deve entrar em contato pelo telefone (65 ) 9 8434 6679.

 

Otmar Oliveira

lecio dias vander junior jonas pinheiro

 Vander Junior e Lécio Dias

Vander Junior Gomes da Silva, 23, e Lécio Dias, 37, são vizinhos e também foram despejados em outubro, mas retornaram para o residencial.

 

Ambos são autônomos e esperam que, dessa vez, possam ficar no local com as famílias.

 

Lécio relata que a esposa está inscrita para receber uma das casas do Nico Baracat há anos, mas nunca foi contemplada. Eles não têm como alugar uma casa e o Jonas foi a alternativa de terem um teto.

 

Enquanto permanecem no local, as famílias tentam recomeçar a vida, na esperança de não terem que deixar as casas ás pressas, como ocorreu em outubro.

 

As 379 famílias que moravam no residencial foram retiradas no dia 6 de outubro. Vinte delas conseguiram o aluguel social no Pedra 90 e as demais tiveram que buscas outros locais de moradia.

A empresa Lumem Construtora acionou a Justiça para a retirada dos moradores, alegando que os imóveis não estavam prontos. Ainda não há data para retomada das obras que tinham prazo de entrega para 2014.

 

Outro lado

A Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária informou que não tem responsabilidade sobre possíveis novas ocupações no Residencial Jonas Pinheiro e que cabe a construtora responsável pela obra tomar as devidas providências.

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