DEU EM A GAZETA 17.04.2026 | 06h18

aline@gazetadigital.com.br
Reprodução
Não parece justiça. Mayla não era só um nome. Receber a notícia de apenas 13 anos de prisão, diante de tudo o que aconteceu, é revoltante. A indignação é de Bianca Martins, irmã de Mayla Rafaela Martins, morta por Jorlan Cristiano Ferreira, em janeiro de 2024. O empresário, de Lucas do Rio Verde, foi condenado pelo júri popular a 13 anos e seis meses de prisão pelos crimes de feminicídio, fraude processual e ocultação de cadáver.
O crime ocorreu nos fundos de um estabelecimento comercial, em Lucas do Rio Verde. Jorlan relatou à polícia que matou a vítima no quintal de sua casa usando uma faca e, depois, enrolou o corpo em uma lona de piscina. O réu limpou o local, descartou pertences pessoais da vítima e transportou o corpo até uma área rural, onde o cadáver foi deixado em uma lavoura, no município de Sorriso. O corpo foi encontrado por funcionários da fazenda. Uma das facas utilizadas no crime foi lavada pelo assassino e guardada no quarto, alegando, na época, que não quis descartá-la, já que era um presente.
Mayla foi vista por testemunhas entrando no carro de Jorlan e chegou a encaminhar, para uma amiga, a foto da placa do veículo. Quando foi preso, Jorlan disse que matou Mayla porque havia sido roubado e que, ao confrontá-la, foi ameaçado. No entanto, durante o julgamento, os jurados reconheceram que o homicídio foi praticado por razões da condição feminina da vítima, mulher transexual, caracterizado pelo menosprezo e pela discriminação de gênero, o que configurou a qualificadora do feminicídio.
Ela era minha irmã. Era parte de mim, da minha história, da nossa família. Tinha sonhos, tinha planos, tinha uma vida inteira pela frente, que foi interrompida de forma cruel. Nenhuma pena vai trazê-la de volta. Mas dói ver que a vida dela parece valer tão pouco diante da justiça dos homens. Só Deus sabe a dor que estamos carregando, ressaltou Bianca.
O promotor de Justiça Samuel Telles Costa, que atuou no plenário do júri, destacou que a decisão representa um avanço no enfrentamento da violência de gênero e na aplicação do princípio da igualdade material. O reconhecimento do feminicídio, neste caso, que teve como vítima uma mulher transexual, representa um passo importante no fortalecimento da igualdade material e no enfrentamento de todas as formas de violência de gênero. A decisão do júri reafirma que crimes motivados por discriminação e menosprezo à condição feminina não serão tolerados, afirmou.
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