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sem barreiras 18.08.2019 | 08h02

Jovem de MT com paralisia cerebral termina curso superior

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Ana Flávia Corrêa

anaflavia@gazetadigital.com.br

Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

A jovem Bruna Salapata, 24, portadora de paralisia cerebral, decidiu desde muito cedo que seria enfermeira. Nascida prematura aos 6 meses de gestação da mãe, a menina teve falta de oxigenação do cérebro, condição que fez com que a maioria de sua vida fosse dentro de um hospital.

 

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No dia 8 de agosto, ela realizou seu sonho e se formou em enfermagem pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) no campus de Tangará da Serra (239 km a médio-norte de Cuiabá). Agora, pretende ajudar as pessoas assim como foi ajudada ao longo de sua trajetória. 

 

"Eu sempre tive contato com vários profissionais que me inspiraram a seguir essa profissão. Com um mês de vida eu já tive pneumonia e quase morri, já fiz 4 cirurgias. Então a minha vida sempre foi em hospital. Esses profissionais da área da saúde fazem diferença na vida das pessoas e eu quero fazer igual", explicou. 

 

A paralisia cerebral atingiu o corpo de Bruna no quadril para baixo, por isso, ela precisa de muletas para se locomover. Durante os 5 anos que passou na universidade, teve ajuda dos amigos em atividades que não conseguia realizar com facilidade. 

 

Como o curso de enfermagem é integral, a estudante passava cerca de 10 horas por dia na universidade. Às 6h30 chegava na Unemat e só voltava para casa às 18h30. Todo o trajeto era feito de ônibus e ela precisava carregar consigo tudo o que precisaria para passar o dia. 

 

"Durante a graduação eu tive muitas dificuldades, passei por momentos difíceis, principalmente pelo preconceito. Eu sempre fui vista como uma pessoa incapaz, uma coitadinha. Sempre me olhavam como se eu fosse privilegiada porque alguns professores me ajudavam, mas eu tive que lutar muito", disse. 

 

Os olhares preconceituosos de quem a via pelos corredores escondem e deslegitimam a batalha que Bruna travou contra as limitações de seu próprio corpo para dar o seu melhor durante a graduação. Na sala de aula, ela assegura, era a primeira a entrar e a última a sair. Para treinar o que aprendia na faculdade, desenvolveu um laboratório particular em sua casa. 

 

"Uma vez eu estava na rua indo para o ponto de ônibus, uma senhora sentou do meu lado e perguntou que curso eu fazia. Eu toda feliz respondi enfermagem. Ela me falou 'Eu nunca seria atendida por uma pessoa como você'. Na hora foi uma facada no coração, mas eu respirei e respondi que não tinha problema, que se eu estivesse no hospital eu chamaria alguém para atendê-la". 

 

Não foram as reprovações que a fizeram desistir, sequer as dores que sentia em decorrência da limitação.  Uma luxação no quadril esquerdo fazia com que Bruna sentisse muita dor. Algumas vezes, era preciso que ela saísse da sala de aula direto para o hospital tomar medicação para combater o incômodo.   

 

Por conta disso, Bruna está prestes a utilizar cadeira de rodas. Uma cirurgia para implantação de prótese no quadril reduziria as dores que ainda sente. Já formada, a jovem espera conseguir um emprego para colocar em prática o que aprendeu na faculdade. 

 

"A minha família sempre me apoiou e eles sempre sofreram comigo também. Eu acredito que a pessoa que mais sofreu com isso tudo foi a minha mãe, porque querendo ou não você vê sua filha chorando, sua filha sofrendo. Eu sempre chorava de dor e era muito sofrido, mas graças a Deus ela sempre me apoiou nessa questão de ser enfermeira", finalizou.      

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