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SALVANDO VIDAS 28.06.2020 | 07h47

LGBTQI+ doam sangue pela 1º vez e vibram em poder ajudar o próximo

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População LGBTQI+ passou de expectadora das campanhas de doação de sangue para protagonistas, desde maio, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a restrição de doações de sangue por pessoas que se identificam dessa forma. Agora, o ‘sangue colorido’ é mais um aliado na luta pela vida, especialmente de pacientes com doenças crônicas que precisam dos componentes sanguíneos quase que diariamente.

 

Com 26 anos, o estudante de Educação do Campo, Júlio Cesar Batista, se descobriu como gay ainda criança. Mas, na adolescência sofreu para se aceitar devido à criação religiosa. “Eu participava da igreja, não me aceitava e ainda reproduzia muitas falas homofóbicas”, lembra.

 

A aceitação só veio em 2011, quando se aproximou do Espiritismo, provocado pelo pai de um amigo, que também seguia a religião. Em 2013, quando tentou doar sangue pela primeira vez, foi ‘desclassificado’ como potencial doador.

 

“Lembro que foi no ônibus do hemocentro, lá no Centro. Cheguei a fazer a entrevista, mas não passei disso. Pediram para eu voltar em 3 meses para outra entrevista”. Tudo isso aconteceu após o rapaz afirmar que não estava sem ter relação sexual com outro homem dentro de um período de tempo estimado pelo Ministério da Saúde.

 

Na segunda-feira (22), Júlio retornou ao hemocentro, dessa vez com horário marcado e com servidores a sua espera, a mesma espera que ele sentia há anos, desde quando decidiu que seria doador de sangue. “Eu pensava muito na minha família, então é um desejo que eu nutria por anos. Imagina, alguém precisa de sangue e eu não posso doar por conta da minha sexualidade?”.

 

Segundo ele, a equipe foi ‘totalmente receptiva’ e que durante o procedimento, sentiu uma pessoa ‘normal’, ou seja, que nunca havia sofrido com o fato de não poder doar pela sua orientação sexual. “Desde a triagem, percebi que os servidores já estavam preparados. Aquela pergunta sobre a relação sexual com outro homem, por exemplo, que existia até então, já não foi feita”.

 

Por outro lado, perguntas direcionadas aos doadores, independente de gênero e orientação sexual, continuam. “Perguntam se tivemos relações sexuais recentes sem o uso de preservativo, se houve envolvimento sexual com profissionais do sexo. É uma grande diferença já”.

 

Desafio

Ian da Silva Santana, 22, que já é formado em curso superior, mas agora está estudando eletrotécnica no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). O desafio dele começou ainda pequeno, quando sabia que era diferente, mas não entendia como.

 

“Não só eu, mas minha família também percebia que tinha algo de diferente. Só fomos entender a transexualidade com 15 anos, que as coisas começaram a fazer sentido. Minha mãe me ajudou a passar pela transição, escolheu meu nome, mas só com 18 anos fiz a retificação dos documentos”.

 

A primeira vez que ele foi doar sangue, recebeu o parecer de que não poderia ser doador. “Além de ser um homem trans, alegaram na época que eu estava fazendo o uso de hormônios”, lembrou. Dessa vez, não encontrou ‘nenhuma’ barreira.

 

Após a derrubada do veto pelo STF, Ian se tornou doador. “Meu objetivo sempre foi esse, doar sangue para mim é importante, vai ajudar o próximo. Se você quer que sua vida dê certo, ajude ao próximo, de coração, de boa vontade, pode ter certeza que 50% da sua vida vai ter sucesso”.  Agora, a nova doação está marcada para o dia 1º de agosto.

 

O gastrônomo E. G. se descobriu LGBTQI+ ainda criança, ele tinha só 9 anos quando percebeu ‘ser diferente’. Depois de adulto que ele se encontrou e se entendeu como um homem trans. Ou seja, sua identidade de gênero era diferente da que ele nasceu.

 

À reportagem, ele contou que não sofreu com preconceitos e ainda não sofre. “Vivo uma rotina liberal com várias pessoas”, contou. E, apesar de comemorar a decisão do STF em prol da comunidade LGBTQI+, E. já era doador de sangue desde 2019.

 

Nesse ano, na última doação, conseguiu a ‘carteirinha de doador’, dada para aqueles que já realizaram mais de uma doação. “Eu me sinto bem doando, os funcionários me tratam bem, como são com todos. Nunca passei nenhum tipo de constrangimento”, lembrou.

 

Para ele, o ato da doação não deve ser algo passageiro. “Desde pequeno era motivado para doar, queria ajudar e salvar vidas. Não é algo passageiro, é algo que pode ser decisivo na vida de outras pessoas. Saber que você se cuida e que seu sangue vai ajudar alguém é um sentimento muito bom”.

 

Conquista para a sociedade

Presidente da Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), Nelson Freitas Neto, afirma que a decisão do STF é, na verdade, uma vitória de toda a sociedade. “Claro que representa um marco importante na conquista dos direitos da comunidade LGBTQI+, mas, é também uma conquista de toda a sociedade”.

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Nelson Freitas OAB - LGBTQI+

 

Para ele, não se trata de uma vitória. “Não estamos em uma briga de forças, estamos em busca de uma sociedade justa, plural e diversa. Então, conseguimos dar mais um passo nessa caminhada. É sociedade que sai como vencedora dentro da garantia do estado democrático de direito”, disse.

 

Segundo o advogado, é perverso pensar que apesar dos avanços, ainda há uma tentativa de negativa de existência da comunidade LGBTQI+, especialmente pelo poder do Estado.

 

“[O Estado] Que é quem deveria desenvolver políticas públicas e legislação para a garantia de igualdade dentro da sociedade, o que não acontece”. Todas as conquistas dos direitos LGBTQI+, segundo o presidente, só existiram após a provocação do judiciário.

 

Desde 2019, a Comissão de Diversidade da OAB vem atuando junto com outras seccionais pela garanti a e aplicação da legislação para a comunidade, bem como fiscalizar o que já existe.

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