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DEU EM A GAZETA 17.03.2026 | 06h57

Mãe coloca gravador na mochila e descobre maus-tratos em creche

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Reprodução

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Grupo de mães denuncia maus-tratos em creche particular de Nova Xavantina (645 km a leste), identificada como “Casa da Tia Lídia”, e Polícia Civil investiga o caso. Após desconfiar do comportamento da filha, uma das mulheres colocou um gravador na mochila da criança e descobriu que comida e água eram negadas aos menores, além de momentos de xingamentos e ofensas contra as crianças e a existência de um “quartinho escuro” para castigá-las.

 

Liminar na justiça determinou o fechamento da creche, que já enfrentou ação judicial anterior por funcionamento irregular e denúncias de maus-tratos e assédio sexual. Desde então, a proprietária e familiares não foram mais vistos na cidade. Dhaiane Lopes da Silva Martins conta que tem duas filhas, uma de 10 meses e outra com dois anos, que frequentavam a creche.

 

Sua filha mais nova começou a chegar em casa com machucados e sua suspeita de que algo poderia estar errado se agravou com as mudanças no comportamento da filha mais velha. A menina passou a ter medo do escuro e acordava no meio da noite gritando, desesperada, pedindo pela mãe.

 

Em determinado momento, a criança começou a chorar e pedir para não ir mais para a creche. Dhaiane colocou um gravador na mochila da filha durante dois dias. “Eu descobri que aconteciam muitas coisas. Lá tem um ‘quartinho da tortura’. Tem uma criança que ficou quase 20 minutos presa nesse quartinho, ela apanhou e foi presa e sempre sofria ameaça, de que só ia libertar se ela parasse de chorar. Quando a dona foi lá ameaçar, viu que ela fez xixi no chão, começou a xingar e obrigou a menina a limpar o chão com produto químico”.

 

De acordo com Dhaiane, os áudios ainda revelam que as crianças não podiam comer ou beber água, pois os responsáveis não queriam que elas defecassem e eles tivessem que limpar. As gravações ainda revelam momentos de racismo e capacitismo contra as crianças, além do incentivo ao bullying. Os responsáveis do local incitavam as crianças a ofenderem os colegas.

 

“Ouvir tudo me trouxe um sentimento de impotência como mãe. Senti uma revolta muito grande, depois da impotência, me senti um lixo como mãe. Porque a minha filha ficou lá dois anos e, às vezes, pedia para não ir, chorava e eu levava achando que era apego à mãe, ciúmes da outra neném. Me senti impotente, por não ter protegido a minha filha. Eu quero justiça, não só pelas minhas filhas, como pelas outras crianças que passaram por isso”.

 

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