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solidariedade 13.11.2019 | 11h27

Mato-grossenses recebem doações de comida durante protestos na Bolívia

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À meia noite desta quarta-feira (13) encerraram os protestos na Bolívia e a vida da população começa a retornar à normalidade. O estudante de medicina Rodrigo Motta Fedatto, que mora em Santa Cruz de La Sierra, conta que houve limitação no ir e vir da comunidade, mas os casos de violência foram pontuais. Mesmo com as restrições, houve solidariedade, com distribuição gratuita de comida para os moradores.

 

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Os protestos na Bolívia começaram em 21 de outubro, logo após a votação que elegeu Evo Morales para seu 4° mandato. A oposição alegava fraude nas urnas e exigia que ele renunciasse. Os opositores foram para as ruas e o caos se instalou em muitas cidades até esta quarta-feira (13) quando foram suspensos os protestos.

 

O cuiabano se mudou para a Bolívia em 2013 para estudar medicina e aguarda a realização de uma última prova para pegar o diploma. Devido aos conflitos, a avaliação foi suspensa e terá nova data marcada. Após o teste, ele deve voltar ao Brasil.

 

Fedatto conta que as notícias veiculadas no Brasil tratavam os protestos de forma exagerada. Ninguém ficou sem comida, os atos de violência foram isolados o tráfego estava bloqueado para sair do país por fronteias terrestres. No entanto, quem quisesse deixar a Bolívia tinha opção por voos comerciais ou táxi aéreo.

 

Ele relata que em Santa Cruz, onde vive, havia pelo menos 200 pontos de distribuição de alimentos gratuitos para a população. As doações foram feitas por fazendeiros, comunidade em geral e Comitê Cívico de Santa Cruz. Havia pessoas voluntárias que preparavam refeições em lugares estratégicos da cidade e empresas que vendiam alimentos em condomínios e bairros a preços de custo (o mesmo que venderiam para o comércio).

 

O mesmo acontecia com revendas de água e outros alimentos. Foi registrado aumento dos preços de alguns produtos nos supermercados, mas nada exorbitante que impedisse a população de consumir.

 

“Os mercados abriam das 7h às 12h. Só passavam ambulâncias com pacientes que precisavam de atendimento urgente. Os hospitais estavam recebendo pacientes. Mas os bancos fecharam, poucos funcionavam, os órgãos públicos pararam, as universidades pararam. Estava tudo parado, mas no geral, aqui em Santa Cruz, não houve violência”, afirma o estudante.

 

O morador de Santa Cruz conta que na sexta-feira (8) a polícia se recolheu aos quarteis, para não investir contra os manifestantes, uma vez que restou comprovada a fraude nas eleições que levaram Evo Morales á presidência pela 4ª vez. “Foi comprovado que até morto votou, gente que não existia votou”, relata.

 

A amiga de Fedatto, Dany Tyelle Rodrigues da Costa, que é de Glória D’Oeste (312 km a oeste de Cuiabá) e mora em Santa Cruz, afirma que participou de vários protestos contra Morales e não houve conflito em nenhum deles. 


“Não estavam hostilizando brasileiros, nem brigando entre si. Houve alguns casos isolados de pessoas que se desentenderam e só”, conta.

 

Morales renunciou no domingo (10) e a senadora Jeanine Anez assumiu a presidência do país. Ela é indicada da oposição e fica no cargo até que sejam realizadas novas eleições para escolher o presidente.

 

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