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Deu em A Gazeta 03.08.2020 | 09h06

Mãe de Isabele busca a verdade

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Francisco Ferreira

Francisco Ferreira

Em meio ao luto pela perda trágica da filha adolescente, morta com um tiro na cabeça pela amiga, também adolescente, Patrícia Hellen Guimarães Ramos concedeu entrevista ao jornal A Gazeta, publicada quando se completam 23 dias da morte de Isabele Guimarães Ramos, 14. O sofrimento com a perda da única filha e a busca pela verdade do que aconteceu naquela noite do domingo 12 de julho são tratadas com grande emoção. Fala da sequência de incoerências e absurdos que presenciou na cena do crime e do empenho de sua família para que o crime seja apurado com seriedade e transparência.

 

Enfatiza a negligência em relação ao uso de armas de fogo, pela família da acusada do crime. Patrícia se prepara para estar frente a frente, com a adolescente de 14 anos que fez o disparo, durante a reconstituição do crime, que deve ocorrer nos próximos dias. Para ela e a família, Patrícia diria que a verdade é a única forma de libertação.

 

- A senhora como mãe, em meio a todo sofrimento que enfrenta, acredita que ao final da investigação, a verdade sobre as circunstâncias que envolveram a morte trágica de Isabele será revelada?
- Falo não somente como mãe da Isabele, mas, por toda a nossa família e creio que também pela sociedade, esperamos que tudo seja apurado com seriedade e transparência, confiando que as autoridades policiais conseguirão extrair a verdade de fato do que ocorreu. Já há material suficiente para confrontar os depoimentos, que com os laudos sendo concluídos, na minha visão mostram-se inverossímeis. Acreditamos que essa verdade será sim revelada.

 

- Saber exatamente o que ocorreu poderá, de certa forma, amenizar a dor que a família sente com a perda?
- Não, não poderá, porque essa dor nunca se esvai, não tem fim. Pensar nas circunstâncias que envolveram esse homicídio é como estarmos presos a um pesadelo recorrente. Mas, conhecer a verdade que querem encobrir e saber que os envolvidos pagarão por suas negligências e crimes, sendo feita a justiça, trará um certo alívio a essa dor.

 

- Em sua busca pela verdade, a senhora acredita que o fato de ter procurado assessoria jurídica, atuação de um perito de renome e apoio na mídia, para acompanhar passo a passo a investigação, tem sido importante para buscar os responsáveis pela tragédia?
- Sim, foi e tem sido imprescindível. Sou agradecida ao Dr. Hélio Nishiyama por ter nos acompanhado desde o primeiro momento e, ele próprio, ter testemunhado comigo toda a sequência de incoerências e absurdos que aconteceram quando estivemos no local do crime. O que dizer então da questão da liberação do envolvido e da fiança com um valor irrisório?

 

Também estou muito confiante no trabalho do perito para nos auxiliar e acompanhar para que tenhamos a elucidação do caso, já que há muitos pontos técnicos importantes a serem esclarecidos. A mídia têm sido importantíssima para colaborar com os esclarecimentos e pressionar todos os envolvidos para não deixar que um homicídio cruel e revoltante como esse tenha sua apuração prejudicada ou relegada a segundo plano.

 

Expor também a banalidade como as armas foram tratadas dentro dessa casa também é muito importante para que toda a sociedade possa dar-se conta do que acontece quando pessoas assumem o risco de expor armas letais como se fossem meros apetrechos corriqueiros do lar e que desta forma podem ficar carregadas com munições em cima de um braço de sofá.

 

- Como a senhora está se preparando para acompanhar a reconstituição do crime. Será a primeira vez que vai ficar diante da amiga de sua filha, a adolescente que é apontada como autora do disparo. Também irá se confrontar com as outras pessoas que estavam junto dela, nos últimos momentos.


- Ficar diante da autora do disparo na cabeça da minha filha será muito doloroso, mas, estou pedindo a Deus forças para poder participar e reviver estes terríveis momentos. Sei que a reconstituição e a minha participação vão ser muito importantes.

 

- Se pudesse dizer algo a família Cestari, o que diria?
- Diria que infeliz foi o dia que minha filha os conheceu e que a verdade é a única forma de libertação, não há outro meio. Estou orando também para a libertação dessa família!

 

- Em poucas palavras, poderia resumir como era sua vida junto de Isabele e hoje, como tem sido?
- A “Bele” era minha companheira e inseparável irmã. Um raio de sol que trazia calor e energia para as nossas vidas, uma versão do pai dela, inteligente, amável e que vivia sua adolescência de forma alegre e cheia de planos. Ela completaria 15 anos em novembro e estávamos preparando a festa para a única neta e sobrinha da família, uma menina que se dava bem com todos e queria conhecer o mundo. Acordar todos os dias ao lado dela acalentava a minha dor de ter perdido meu marido e me trazia segurança e forças para continuar lutando pela minha família.

 

Em nossos piores pesadelos, jamais poderíamos imaginar que ela poderia ser uma dia vítima de um homicídio brutal e cruel como esse. Hoje tem sido difícil até acreditar que a gente pode voltar a sorrir. Fazer planos para o futuro convivendo que essa dor imensurável de passar pelo quarto dela e saber que jamais teremos a alegria, a presença marcante e aquele sorriso dela em nossas vidas. Perder uma filha radiante, bonita em todos os sentidos no auge da mocidade é como se nossas vidas, daqui por diante, fossem vividas como um dia pesado e sombrio.

 

É uma ferida no coração que não cicatrizará, vai estar sempre ali em cada dia que ainda teremos que percorrer. Sou uma viúva sim, mas, tenho com a minha família a disposição e não pouparemos esforços para fazermos justiça à minha filha.

 

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